Ter um lar é sobre ter dignidade e a indiferença diante quem está em uma situação de vulnerabilidade precisa ser revista por todos. É sobre esse clamor humano e divino que a Campanha da Fraternidade 2026 provoca a refletir. Com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a Igreja no Brasil destaca que o lar digno não é privilégio, mas direito.
Quando o Evangelho proclama que “o Verbo se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1,14), mostra a escolha divina de proximidade. Deus “Se deu” ao mundo para salvar a humanidade. Ele não visitou, mas habitou nossa realidade. Porque o Senhor escolheu morar entre nós, também nós devemos trabalhar para que cada pessoa tenha onde morar de maneira digna. A encarnação se torna, assim, fundamento de uma fé que toca o concreto da vida e se compromete com aqueles que não possuem um lugar seguro para viver.
A Campanha nasceu de uma leitura atenta da realidade brasileira, marcada por desigualdades, déficit habitacional e moradias precárias. A Pastoral da Moradia e Favela apresentou esse tema à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) a partir da dor vista diariamente nas periferias e locais mais necessitados, compostos muitas vezes por famílias inteiras que vivem sem saneamento básico, casas superlotadas ou estruturas inseguras.
Ao recordar Cristo presente entre os pobres, a Campanha nos convida a abrir os olhos e agir com amor cristão. “Eu era estrangeiro e me acolhestes” (cf Mt 25,35). Acolher, amparar e garantir que as necessidades básicas das pessoas sejam atendidas é reconhecer a presença do próprio Cristo.
A Bíblia inteira testemunha o valor sagrado da moradia como espaço de proteção e vida. O profeta Isaías convoca o povo à generosidade e acolhimento ao dizer: “Amplia o espaço da tua tenda” (Is 54,2). E o profeta Jeremias orienta: “Construí casas e habitai nelas” (Jr 29,5), revelando a importância da estabilidade e da esperança.
Portanto, a fé se faz lar quando se traduz em cuidado, abre portas, promove abrigo e transforma espaços de risco em lugares de vida. Por isso, a Campanha da Fraternidade de 2026 deseja edificar comunidades que sejam morada para os mais vulneráveis e impulsionar ações pastorais, sociais e solidárias.
A identidade visual da Campanha traz, como imagem central, a escultura “Cristo sem-teto”. A figura de Jesus deitado em um banco, coberto por um manto, com os pés feridos à mostra, desloca o olhar e questiona certezas: e se Cristo estiver exatamente onde a dignidade humana é negada? O banco vazio ao lado d’Ele convida a aproximar, reconhecer, amar.
A cidade ao fundo denuncia desigualdades e aponta para o chamado à conversão social. Ao centro, uma igreja lembra que a fé não pode ser neutra diante da injustiça e nos convoca a sermos luz.
A Campanha da Fraternidade, desde sua origem em 1961, sempre foi expressão viva da missão evangelizadora da Igreja no Brasil. Nascida como um gesto de caridade e compromisso social, tornou-se caminho de comunhão, conversão e partilha. Seus objetivos são despertar o espírito comunitário e cristão; educar para a vida em fraternidade, na justiça e no amor; e renovar a responsabilidade de todos pela ação evangelizadora e promotora da dignidade humana.
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