São Bernardo na Obra de Pietro Melchiorre Ferrari
Ele foi temido, briguento e conhecido pelo uso da espada. Em certo momento da vida, precisou se refugiar em uma igreja para escapar da justiça humana. O que ninguém imaginava é que aquele homem violento se tornaria, anos depois, um dos religiosos mais obedientes e caridosos da história franciscana. A vida de São Bernardo de Corleone mostra que a graça de Deus é capaz de transformar até os corações mais endurecidos.
Bernardo nasceu em 1605, na cidade de Corleone, na Sicília (Itália), com o nome de Filippo Latini. Apesar de ter recebido formação cristã na infância, sua juventude foi de impulsividade, brigas constantes e envolvimento em duelos armados. O temperamento difícil fez dele uma figura temida, conhecida mais pela força do braço do que pela mansidão do coração. O episódio decisivo aconteceu quando, após ferir gravemente um homem em uma luta, Bernardo passou a ser procurado pelas autoridades. Sem saída, buscou refúgio em uma igreja, pedindo asilo, onde começou algo muito maior do que uma fuga: o início da conversão.
O contato com os frades capuchinhos e a experiência do perdão despertaram em Bernardo um arrependimento sincero. Ele compreendeu que não bastava escapar da justiça dos homens e era preciso responder ao chamado de Deus. Em 1631, ingressou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e adotou o nome de Bernardo.
A partir desse momento, sua vida tomou um rumo completamente novo. O homem antes dominado pela agressividade passou a se destacar pela obediência radical, pela humildade e por um intenso desejo de penitência. Bernardo buscava reparar, com uma vida santa, os excessos do passado.
Dentro do convento, São Bernardo exerceu funções simples, como trabalhos manuais e serviços domésticos, sempre com alegria e espírito de entrega. Tornou-se conhecido por sua atenção aos pobres e doentes, pelo cuidado com os mais frágeis e por uma vida de oração constante.
Os relatos sobre sua vida apontam para um religioso que praticava a mortificação pessoal, mas, sobretudo, vivia uma caridade concreta, silenciosa e perseverante. A transformação era tão evidente que passou a ser visto como exemplo vivo da misericórdia divina em ação.
São Bernardo de Corleone faleceu em 12 de janeiro de 1667, em Palermo, com fama de santidade. O reconhecimento oficial da Igreja veio séculos depois e ele foi beatificado em 1768 pelo Papa Clemente XIII e canonizado em 2001 por São João Paulo II. A sua memória litúrgica é celebrada em 12 de janeiro, e sua história continua a inspirar fiéis em todo o mundo.
A vida de São Bernardo de Corleone recorda uma verdade essencial de que ninguém está definitivamente perdido para Deus. Onde o pecado abundou, a graça pode superabundar. A conversão não é somente uma mudança de comportamento. É uma transformação profunda do coração, quando alguém se deixa alcançar pela misericórdia divina.
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