Detalhe da obra Pietà, de Vincent van Gogh./Imagem: reprodução
Quando se pensa nos Museus do Vaticano, imagens da Capela Sistina e dos afrescos renascentistas vêm à mente. Poucos visitantes imaginam que na cidade-estado existe um diálogo cheio de significado entre fé e arte contemporânea. Criada pelo Papa São Paulo VI em 1973, a Coleção de Arte Religiosa Moderna reúne obras de artistas que, ao longo dos séculos XX e XXI, retrataram grandes temas da espiritualidade, do mistério cristão e da experiência humana por meio de linguagens artísticas inovadoras.
O Papa, que tinha profunda sensibilidade artística, afirmava que a Igreja precisava novamente “fazer-se amiga da arte” e reconhecia nela um caminho legítimo para expressar o mistério de Deus. O acervo reúne mais de oito mil obras, assinadas por alguns dos principais nomes da arte moderna mundial.
Nessa coleção o visitante encontra traços ousados, formas fragmentadas, cores intensas e leituras simbólicas da fé. Nem sempre a mensagem é imediata e talvez esteja aí a maior riqueza do espaço, de provocar contemplação, silêncio e perguntas. Esse projeto nasceu diretamente de um gesto simbólico e histórico: o encontro do Papa Paulo VI com artistas do mundo inteiro, em 7 de maio de 1964, na Capela Sistina. Na ocasião, o Papa reconheceu publicamente que havia se criado um afastamento entre a Igreja e a arte contemporânea e manifestou o desejo de reconstruir essa relação.

Foto: reprodução
A partir desse chamado, muitos artistas, colecionadores e instituições passaram a doar obras ao Vaticano. O trabalho de organização e curadoria ficou a cargo de monsenhor Pasquale Macchi, secretário pessoal de Paulo VI, em um processo que se estendeu por cerca de dez anos.
A coleção abrange obras produzidas do final do século XIX até o século XX, oferecendo um panorama amplo e, muitas vezes, surpreendente da arte moderna e contemporânea. O acervo reúne cerca de oito mil obras, entre pinturas, esculturas e artes gráficas. Essas obras estão distribuídas ao longo de um percurso que vai do Apartamento Bórgia até a Capela Sistina, integrando o itinerário regular dos Museus do Vaticano e convidando o visitante a refletir sobre a fé a partir das inquietações do mundo moderno.
“Cristo de São João da Cruz”, de Salvador Dalí./Imagem: reprodução
Entre os destaques da coleção estão obras de artistas que ajudaram a redefinir a arte no século XX. São obras que dialogam, de maneira profunda, com temas espirituais, existenciais e humanos.

Obra “Cristo Deposto”, de Giacomo Manzù./Imagem: reprodução
No século XXI, esse compromisso foi aprofundado, especialmente durante o pontificado do Papa Francisco, que reforçou o papel da arte como instrumento de diálogo social, cultural e espiritual.
Sob sua orientação, o Vaticano passou a acolher com mais intensidade obras e exposições que abordam temas contemporâneos, como:
Entre os exemplos recentes está a doação, em 2023, da obra “Rinascere”, do artista italiano Giuseppe Penone, ligada ao movimento da Arte Povera e carregada de simbolismo ecológico.
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