Quando começa a Quaresma, algumas pessoas têm dúvidas sobre a quantidade exata de dias de preparação para a Páscoa. “Por que aparecem 46 dias no calendário se são 40?” A explicação está diretamente ligada à tradição e à liturgia da Igreja Católica. A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina antes da Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa, quando se inicia o Tríduo Pascal. O ponto alto do ano litúrgico, que culmina com a Ressurreição de Cristo no Domingo de Páscoa.
Se contarmos os dias no calendário, chegamos a 46. No entanto, há um detalhe essencial: os domingos não são considerados dias penitenciais. Mesmo durante a Quaresma, todo domingo é sempre memória da Ressurreição. É dia de alegria pascal. Por isso, a Igreja não os inclui na contagem dos 40 dias de penitência. Retirando os seis domingos presentes nesse período, permanecem exatamente 40 dias.
A Carta apostólica de Paulo VI, quando aprovou as Normas Universais do Ano Litúrgico e o novo Calendário Romano geral: “O tempo da Quaresma vai de Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, exclusive” (n. 28). O tempo quaresmal continua até à Quinta-feira Santa. A partir da missa vespertina, “in Cena Domini”, inicia-se o tríduo pascal, que abrange a Sexta-feira Santa “da Paixão do Senhor” e o Sábado Santo, e tem o seu centro na vigília pascal, concluindo-se com as vésperas do domingo da ressurreição”.
A Quaresma é o período mais importante para cristãos. É tempo de oração, penitência, caridade e conversão. O número 40 tem um forte simbolismo bíblico: representa tempo de preparação, prova e amadurecimento espiritual. A Igreja se inspira, especialmente, nos 40 dias em que Jesus passou no deserto, em jejum e oração, antes de iniciar sua vida pública (Mt 4, 1-11). Esse período foi um tempo de combate espiritual e fidelidade ao Pai.
O simbolismo vai além:
Na tradição bíblica, o número 40 indica um tempo longo concedido por Deus para purificação e conversão. A Quaresma é, portanto, um convite para que cada fiel reviva espiritualmente essa experiência de preparação, colocando-se em caminho rumo à Páscoa. Não se trata de uma contagem meramente aritmética, mas de uma vivência espiritual estruturada pela tradição da Igreja. A disciplina quaresmal está fundamentada no simbolismo bíblico e na pedagogia litúrgica.
A Quaresma se inicia com a imposição das cinzas e o forte chamado: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Esse convite resume o espírito do tempo quaresmal. A Igreja nos oferece um caminho. A teologia compreende a Quaresma como um “tempo longo” concedido por Deus para a conversão, assim como foram os tempos bíblicos de provação e purificação.
É um período de reflexão, penitência e caridade. A Igreja, como mãe e mestra, organiza o calendário para formar o coração dos fiéis. Por isso, quando ouvimos que a Quaresma tem 40 dias, estamos falando de algo maior que uma soma matemática. Falamos de um tempo espiritual inspirado na Palavra de Deus, vivido na tradição da Igreja e orientado para a maior celebração da fé cristã: a Ressurreição de Cristo.
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