“Nunca se deve subestimar um ato de violência”: saiba mais sobre o alerta do Papa Leão XIV

“Nunca se deve subestimar um ato de violência”: saiba mais sobre o alerta do Papa Leão XIV

“Nunca se deve subestimar um ato de violência e não devemos ter medo de denunciar a violência, incluindo aquele clima de justificação ou que atenua ou nega as responsabilidades”.

O alerta é do Papa Leão XIV, que voltou a chamar a atenção para a gravidade da violência contra as mulheres em março, “mês das mulheres”. A reflexão foi publicada em uma carta divulgada pela revista Piazza San Pietro e repercutida pelo Vatican News, na qual o Pontífice responde a uma leitora que pediu ajuda para enfrentar o drama dos feminicídios e para promover uma cultura de respeito entre homens e mulheres.

A mensagem ganha ainda mais força no contexto do Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março. A data é tradicionalmente marcada por homenagens e reconhecimento das conquistas femininas, mas também se tornou um momento de reflexão sobre os desafios que ainda persistem, entre eles, a violência contra as mulheres, considerada hoje uma das mais graves violações de direitos humanos no mundo.

Realidade que exige atenção

No Brasil, os números revelam a dimensão do problema. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado em lei, em 2015. Isso significa que quatro mulheres são assassinadas por dia no País simplesmente por serem mulheres.

O crescimento dos registros tem sido motivo de preocupação de autoridades e especialistas. Em 2024, por exemplo, já havia sido registrado um recorde anterior, com 1.458 mulheres assassinadas. Além disso, o sistema de Justiça brasileiro recebeu mais de 966 mil novos processos relacionados à violência doméstica apenas em 2024, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça.

Outro aspecto preocupante é que, em muitos casos, o agressor não é um desconhecido: frequentemente trata-se de um parceiro ou ex-parceiro da vítima, o que revela como a violência pode surgir justamente no espaço que deveria ser de amor e proteção.

No cenário mundial, a gravidade também é evidente. Dados das Nações Unidas indicam que cerca de 137 mulheres e meninas são mortas todos os dias por parceiros íntimos ou familiares.

“A violência divide a civilização da barbárie”

Ao refletir sobre essa realidade, o Papa Leão XIV afirmou que o tema provoca grande sofrimento em seu coração: “a violência nas relações, e em particular a violência contra as mulheres”.

O Pontífice recordou que muitas acabam se tornando vítimas justamente em relações que deveriam ser espaços de cuidado e amor. Por isso, ele faz um apelo para que a sociedade não ignore os sinais de agressão.

“A violência, qualquer violência, é a fronteira que divide a civilização da barbárie”.

Segundo o Papa, enfrentar esse problema exige coragem para denunciar e também para combater as mentalidades que sustentam a violência.

O “gênio feminino” que precisa ser apoiado

Na carta, Papa Leão XIV cita uma expressão de São João Paulo II: o chamado “gênio feminino”. Ainda de acordo com o documento, as mulheres são “protagonistas e criadoras de uma cultura de cuidado e fraternidade indispensável para dar futuro e dignidade a toda a humanidade. Talvez também por isso hoje elas são agredidas e mortas. São um sinal de contradição nesta sociedade confusa, incerta e violenta, porque nos indicam valores de fé, liberdade, igualdade, generatividade, esperança, solidariedade, justiça”.

Esses valores, afirma o Pontífice, muitas vezes entram em choque com mentalidades marcadas pelo egoísmo, preconceitos e desejo de domínio.

Educar para transformar a cultura

Na carta, o Papa também destaca a importância da educação para mudar mentalidades e prevenir a violência. Ele se mostra tocado pelo apelo da leitora que propõe uma aliança entre escola e Igreja para formar novas gerações capazes de viver relações baseadas no respeito. Para o Pontífice, esse trabalho deve envolver famílias, paróquias, escolas, movimentos e instituições públicas.

A formação dos jovens, segundo ele, é essencial para promover uma cultura em que ninguém seja tratado como objeto de posse e em que cada pessoa seja reconhecida em sua dignidade.

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