Pequenas em tamanho, mas grandes em significado espiritual, as relíquias fazem parte da tradição da Igreja Católica há muitos séculos. Preservadas com respeito e veneradas pelos fiéis, são sinais da santidade vivida por homens e mulheres que dedicaram suas vidas a Deus.
A Igreja trata esse tema com muito cuidado, pois mais do que objetos de devoção, as relíquias estão ligadas à história da fé cristã e devem seguir critérios importantes de autenticidade e custódia. Por isso, muitos fiéis se perguntam: é possível pedir uma relíquia à Igreja? A resposta é sim, mas sempre de forma legítima, com respeito às orientações.
De modo geral, relíquias são restos mortais de Santos ou objetos associados a eles, preservados pela Igreja como sinais da vida santa que viveram. A veneração das relíquias faz parte da piedade popular reconhecida pela Igreja e está presente na tradição cristã desde os primeiros séculos.
Um dos registros históricos mais antigos aparece no século II, após o martírio de São Policarpo. Os cristãos recolheram seus ossos e os guardaram com grande respeito, reconhecendo neles um testemunho da fidelidade a Cristo.
É importante lembrar que a Igreja não adora relíquias. A veneração está sempre direcionada a Deus, que Se manifestou na vida daqueles santos e santas.
Na tradição católica, as relíquias são classificadas em três categorias.
Relíquias de primeiro grau
São partes do corpo do santo, como ossos, cabelos, unha, sangue ou qualquer fragmento tangível.
Relíquias de segundo grau
São objetos que pertenceram ao santo e tiveram contato direto com seu corpo, como vestes ou itens pessoais usados durante sua vida.
Relíquias de terceiro grau
São objetos que tocaram o corpo do santo ou em uma relíquia de primeira classe, como tecidos, terços, pétalas de flores.
Segundo a Igreja, relíquias autênticas devem possuir um certificado de autenticidade, chamado de autêntica, emitido por autoridade eclesiástica responsável.
A Santa Sé possui normas específicas sobre a preservação e a autenticidade das relíquias. Em um documento publicado pelo Dicastério para as Causas dos Santos, a Igreja reforça que relíquias de santos e beatos não podem ser expostas à veneração sem certificação oficial de autenticidade.
Outro ponto fundamental é que relíquias não podem ser vendidas. O Código de Direito Canônico proíbe expressamente o comércio desses objetos sagrados. Por isso, quando alguém deseja solicitar uma, é importante buscar canais reconhecidos pela própria Igreja.
Embora muitas relíquias estejam preservadas em igrejas e santuários, alguns fiéis também conseguem recebê-las para devoção pessoal ou comunitária. O caminho legítimo costuma acontecer por meio de instituições ligadas à causa de canonização ou à custódia oficial das relíquias. Entre os caminhos possíveis estão:
Sempre é necessário verificar se a relíquia possui certificado de autenticidade e se foi transmitida por um canal confiável. Além disso, é recomendada cautela com ofertas na internet ou em redes sociais, já que o comércio de relíquias é proibido.
Entre os fiéis que cultivam essa devoção está Beatriz Briner, assistente de marketing da Associação Evangelizar é Preciso, em Curitiba (PR). Para ela, o interesse pelas relíquias nasceu do próprio caminho de fé.
“O desejo de possuir relíquias surgiu a partir da vivência da minha fé e do estudo da vida dos santos pelos quais me encanto muito. Ter uma relíquia me dá a sensação de estar perto daquele santo por quem tenho tanta devoção, gera em mim a esperança de uma vida santa e do céu”, conta.
Bia e as relíquias do seu altar. Foto: arquivo pessoal
Beatriz explica que descobriu a possibilidade de receber relíquias ao conhecer outros fiéis que partilhavam essa devoção.
“Descobri, por meio de conhecidos ao postarem que tinham relíquias, e passei a buscar saber como conseguir uma. Foi então que conheci o Apostolado Sagradas Relíquias, que faz esse trabalho de manuseio. Esse apostolado consegue relíquias do Brasil e do exterior, e os fiéis devotos fazem seus pedidos e ajudam contribuindo com o frete e o manuseio. É muito importante lembrar que relíquias não se compram, trata-se de algo de muita responsabilidade, e precisamos tomar cuidado com postagens falsas sobre a aquisição delas”, alerta Bia.
Entre as relíquias que estão sob sua responsabilidade, estão as de São João Paulo II, São Maximiliano Maria Kolbe e Beata Sandra Sabattini, obtidas por meio do apostolado. Ela também possui uma relíquia do Venerável Guido Schäffer, recebida por meio da associação ligada à sua causa de canonização. As relíquias ficam em seu altar em casa, em um cantinho de oração.
“A relíquia que mais me emociona é a do Guido. Ela tem um grande significado, pois ele foi um jovem com um amor ardente pela Palavra e por Jesus. Ele largou tudo, seu noivado e sua profissão, para ir em busca do Sacerdócio. Guido me encanta no sublime mistério da busca pela santidade, ele é meu grande amigo do céu, no qual me espelho por tamanha grandeza de fé”, compartilha.
Beatriz conta que ainda aguarda a chegada de algumas relíquias e que uma delas tem um significado especial: do Padre Léo, que também está em processo de canonização. “Hoje ele tem o título de Servo de Deus, mas espero que um dia seja santo”.

Altar com relíquias. Foto: arquivo pessoal
Além da devoção pessoal, as relíquias também despertam curiosidade e interesse entre outras pessoas, especialmente entre crianças e jovens.
“A reação é sempre um misto de sentimentos e curiosidade. Elas se encantam ao saber sobre as relíquias e ficam curiosas para conhecer mais sobre aqueles santos. Sou coordenadora da pastoral dos coroinhas em minha comunidade, e minhas crianças ficam sempre em êxtase quando falo das relíquias e das vidas dos santos. É algo que realmente aquece nossos corações”, conta Bia.
As relíquias são, para muitos fiéis, um sinal concreto da comunhão dos santos e a santidade é um chamado vivo para todos os cristãos.
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