Entrar em uma igreja pode ser uma experiência completamente diferente de um lugar para outro. Algumas são imponentes, cheias de detalhes e, outras, simples e silenciosas. Será que existe um modelo certo para esse tipo de construção? A Igreja não tem um estilo arquitetônico único.
Ao observar a história, é fácil identificar que diferentes estilos marcaram a arquitetura das igrejas, como o românico, o gótico, o barroco e, mais recentemente, formas modernas, mas nenhum deles é considerado obrigatório.
Como escreveu e documentou Dom Oscar de Oliveira antes de falecer, em 1997, sobre as normas para construção de igrejas, a ideia de que exista um estilo “cristão por excelência” já foi superada. Dom Oscar era doutor em Direito Canônico pela Universidade Gregoriana, ensinava no Seminário de Teologia, pertencia à Academia Mineira de Letras e publicou livros e artigos sobre teologia, história e arte.
Em seus escritos, ele explicou que a Igreja não impõe um modelo estético único, mas que a construção seja verdadeira, funcional e fiel à sua finalidade. Segundo Dom Oscar, um erro grave na arquitetura sacra é perder a noção funcional da igreja, uma vez que o templo não pode ser pensado apenas como obra artística, mas como lugar onde a fé é vivida.
Essa compreensão está em sintonia com a tradição litúrgica da Igreja, expressa em documentos como a Instrução Geral do Missal Romano, que orienta a organização dos espaços para favorecer a celebração, a escuta da Palavra e a participação dos fiéis.
A identidade do templo é outro ponto inegociável, pois a igreja é “Habitação de Deus” e “Casa de Oração”. Por isso, não pode ser confundida com construções comuns. Dar ao templo aparência de galpão, comércio ou espaço meramente funcional compromete a expressão do sagrado. A arquitetura deve comunicar, já à primeira vista, que ali há algo diferente, que é a presença de Deus.
Entre todos os elementos da igreja, o mais central, literalmente e espiritualmente, é o Altar, que deve ser compreendido como “o coração de todo o edifício”, pois é o lugar do sacrifício e da presença de Cristo e não deve ser entendido como “suporte para objetos ou ornamentos”, como alertou Dom Oscar.
A Igreja também estabelece critérios para a arte presente no templo. Dom Oscar recordou o ensinamento do Papa Pio XII, que rejeitava a presença de obras que não expressem dignidade espiritual. Já Papa Pio X enfatizava que os fiéis devem rezar em ambientes marcados pela beleza e pela elevação do espírito. A arte sacra não é decorativa, pois tem a função primeira de conduzir o fiel a Deus. Por isso, como também sintetiza Pio XII, “para o disforme e para o ridículo não há lugar na igreja” .
Além disso, a igreja deve responder às necessidades espirituais do fiel e a construção deve levar em conta a experiência real e profunda das pessoas. O templo deve acolher necessidades do ser humano: silêncio, paz, verdade, sentido de comunidade e busca pelo essencial. A orientação da Igreja sobre a arquitetura dos templos está ligada à liturgia: o Sacrosanctum Concilium, constituição do Concílio Vaticano II, estabelece que os espaços sagrados devem favorecer a participação ativa dos fiéis nas celebrações. O documento reforça que tudo no templo, da disposição do altar à organização do espaço, deve contribuir para que os fiéis participem “plena, consciente e ativamente” da liturgia.
Ao mesmo tempo, deve evitar dois extremos: parecer um espaço comum e sem identidade sagrada ou adotar formas exageradas que afastem os fiéis. O equilíbrio entre beleza, funcionalidade e espiritualidade é o caminho indicado.
Instrução Geral do Missal Romano define os elementos essenciais de uma igreja. O documento determina, por exemplo, que:
A IGMR reforça que a organização do templo é também teológica e cada elemento expressa uma dimensão da fé celebrada.
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