Estigmas de São Padre Pio | Foto Jornal O Bom Católico
Francisco Forgione nasceu em 1887 numa família camponesa de Pietrelcina, no interior da Itália. Morreu em 1968, aos 81 anos, em San Giovanni Rotondo, onde viveu por 52 anos sem sair. Entre esses dois pontos, São Pio construiu uma das vidas de oração mais documentadas da história recente da Igreja e uma das mais radicais. Papa João Paulo II, que o confessou pessoalmente em 1948, o descreveu como “um generoso dispensador da misericórdia divina.” A canonização aconteceu em 16 de junho de 2002.
São Pio de Pietrelcina se definia com uma frase: “Sou um pobre frade que reza”. A oração era o centro organizador de cada dia que viveu e o que organizava esse dia eram hábitos concretos, repetidos, disciplinados. Cinco deles são especialmente relevantes para qualquer pessoa que queira aprofundar a vida de oração.
São Pio acordava às 3h30 todos os dias para começar os preparativos espirituais para a Santa Missa, que só celebrava às 5h30, conforme documentado pelo Santuário Basílica de São Sebastião dos Frades Capuchinhos. Passava esse tempo em meditação e oração, preparando o coração para a Eucaristia. Antes disso, ainda na noite, passava horas na igreja, sozinho, rezando e meditando diante do Sacrário.
O hábito não é replicável no horário para a maioria das pessoas, mas o princípio é reservar o silêncio do início do dia para Deus, antes que o ruído do mundo tome o lugar. São Pio entendia que a qualidade da presença de Deus ao longo do dia dependia do que ele fazia nas primeiras horas.
A Santa Missa de São Pio durava em média três horas. O Santuário dos Capuchinhos documenta que ele era “capaz de entrar na Paixão de Cristo toda vez que celebrava a Santa Missa”. O embaixador da França junto à Santa Sé na década de 1950 declarou: “Nunca em minha vida assisti a uma Missa tão comovente”.
Para o devoto que não celebra, o hábito a adaptar é o da participação consciente, com a mesma intenção de São Pio: estar presente ao mistério que está sendo celebrado. O cume das suas atividades pastorais era a celebração da Santa Missa.
São Pio rezava pelo menos 15 terços por dia, conforme documentado pela Milícia da Imaculada com base em relatos de seus contemporâneos. Guardava rosários por todos os lugares, como sob o travesseiro, na mesa de cabeceira. Quando uma de suas filhas espirituais pediu uma palavra, uma regra de vida, ele respondeu: “Minha filha, o rosário.”
Quinze terços por dia está fora do alcance de quase todos, mas o princípio de ter o rosário sempre à mão, como companhia constante ao longo do dia, é acessível a qualquer pessoa. Um terço rezado com atenção, no caminho para o trabalho ou antes de dormir, já é uma forma de entrar nessa escola.
São Pio passou até 14 horas por dia no confessionário ao longo de décadas, pois entendia o Sacramento da Reconciliação como o encontro mais concreto entre a misericórdia de Deus e a miséria humana.
Para quem quer seguir seu exemplo, o hábito é confessar-se com regularidade, sem adiar. São Pio entendia que a confissão é o sacramento que restaura o que o pecado corrói e que uma alma que se confessa regularmente é uma alma que consegue orar melhor, porque chega diante de Deus com menos peso.
A frase mais documentada de São Pio sobre oração é “A oração é a melhor arma que temos; é a chave que abre o coração de Deus”, que é a convicção de quem orou sob perseguição, sofrimento físico constante e décadas de incompreensão institucional. Para São Pio, orar era agir sobre a realidade, sobre as almas e sobre o que parecia impossível.
Cada preocupação que vai para o terço e cada intenção que vai para a Santa Missa, cada dificuldade que vai para o confessionário é, no espírito de São Pio, uma arma usada no lugar certo.
Deixe seu comentário sobre o que você achou do conteúdo.
Assine nossa newsletter, receba nossos conteúdos e fique por dentro
de todas as novidades.