Papa Pio XI no dia da inauguração da Estação da Rádio Vaticano (12 de fevereiro de 1931) – Foto: Vatican News
Em fevereiro de 1931, a Igreja entrou de forma decisiva na história do meio de comunicação mais popular do século XX. No dia 12 daquele mês, Papa Pio XI inaugurou oficialmente a Rádio Vaticano, dando início a uma nova etapa na missão evangelizadora da Santa Sé. “Ouçais, ó ilhas, e escutai, ó povos distantes”, proclamou o Pontífice na mensagem radiofônica Qui arcano Dei, enquanto sua voz, pela primeira vez, era transmitida simultaneamente para diferentes partes do mundo.
Coube ao inventor italiano Guilherme Marconi anunciar o momento histórico. “Por quase vinte séculos, o Romano Pontífice fez com que a palavra de seu magistério divino fosse ouvida no mundo, mas esta é a primeira vez que sua voz viva pode ser percebida simultaneamente em toda a superfície da Terra”, declarou. Naquele dia de céu claro e vento leve, pouco depois das 16h, um pelotão da Guarda Suíça e uma divisão da Guarda Palatina estavam posicionados diante do prédio da Rádio Vaticano. O microfone foi instalado na sala dos amplificadores, e, às 16h15, Pio XI chegou ao local, sendo recebido por Marconi e pelo padre Giuseppe Gianfranceschi, jesuíta e primeiro diretor da emissora. Após o anúncio inicial feito pelo próprio Marconi, o Papa tomou a palavra — e sua voz passou a ecoar pelas ondas do rádio, atravessando fronteiras e a própria história.
Mais do que um meio técnico de comunicação, a emissora assumiu um papel humanitário, diplomático e profético, fiel à missão da Igreja de defender a vida, a paz e a dignidade humana.
Desde o início, a emissora foi pensada como instrumento da liberdade da Igreja, especialmente em contextos nos quais a palavra cristã era silenciada ou manipulada. Com o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, a Rádio Vaticano assumiu uma função ainda mais decisiva. Enquanto muitos países viviam sob rígido controle da informação, a emissora tornou foi um canal confiável para:
Em diversas ocasiões, foi uma das poucas fontes capazes de romper o bloqueio informativo imposto por regimes autoritários. Um dos serviços mais comoventes prestados pela Rádio Vaticano durante a guerra foi a transmissão de mensagens humanitárias. Milhares de famílias recorreram à emissora para enviar recados a parentes desaparecidos, prisioneiros de guerra, deportados ou separados pelo conflito.
Essas mensagens, lidas em diferentes idiomas, são sinais de esperança em meio à dor, que permitiram reencontros, confirmaram sobrevivências e preservaram laços familiares que a guerra tentava destruir.

Antenas da Rádio Vaticano | Foto de Krzysztof Golik – Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=96071020
A emissora também foi veículo constante dos apelos papais pela paz. As mensagens transmitidas denunciavam a lógica da violência como solução para os conflitos, o sofrimento dos inocentes, a perseguição a judeus, cristãos e outros grupos vítimas do ódio racial e ideológico. Essa postura ética, firme e coerente com o Evangelho, fez da Rádio Vaticano um alvo incômodo para aqueles que desejavam controlar narrativas e silenciar vozes dissidentes.
Em 1943, durante os anos mais intensos da guerra, o território do Vaticano foi atingido por bombas. Embora o Estado vaticano fosse neutro, o ataque é historicamente interpretado como uma tentativa de silenciar a Rádio Vaticano, cuja atuação incomodava interesses militares e políticos.
Uma das bombas chegou a cair dentro do território pontifício, mas não explodiu. O episódio marcou profundamente a memória da Igreja e evidenciou o impacto real da comunicação exercida pela emissora naquele contexto.
A atuação da Rádio Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial revelou que a comunicação, quando orientada pela verdade e pela caridade, pode ser instrumento de consolo e salvação. A emissora levou consciência, esperança e humanidade a um mundo ferido pela guerra.
No Brasil, a Rádio Evangelizar abraça essa mesma missão: anunciar a Palavra de Deus, oferecer formação, consolo e esperança, e acompanhar o povo de Deus no cotidiano. No Dia Mundial do Rádio, a Igreja reconhece nesse instrumento acessível uma ponte de evangelização, capaz de atravessar distâncias, realidades e silêncios, levando a mensagem do Evangelho a todos.
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