Como o catolicismo organizou a vida das comunidades de imigrantes italianos no Brasil

Como o catolicismo organizou a vida das comunidades de imigrantes italianos no Brasil

Quando os primeiros imigrantes italianos desembarcaram no Brasil, entre o final do século XIX e o início do XX, eles trouxeram também um patrimônio de fé e tradições religiosas que se tornaria pilar de sustentação cultural e social ao longo de gerações. A imigração italiana foi uma das maiores que o Brasil recebeu. Entre 1876 e 1930, mais de um milhão e meio de italianos chegaram ao país, estabelecendo-se em regiões do Sul, Sudeste e outras áreas agrícolas e urbanas do território brasileiro. A presença italiana foi determinante para a formação da sociedade brasileira, como é possível observar na cultura, na economia e também na vida religiosa das comunidades que se formaram.

Contra as incertezas da nova terra, a fé católica permitia sentido e união. Como mostra a dissertação de mestrado de Maíra Ines Vendrame, do Programa de Pós-Graduação em História das Sociedades Ibéricas e Americanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), a construção de capelas e a presença de sacerdotes logo após a chegada dos colonos foram prioridades nas comunidades coloniais italianas. A religião era fundamental para estruturar o cotidiano, as relações sociais e os ritmos da vida comunitária. Esses tempos e espaços de culto eram também lugares de encontro, de apoio mútuo, de organização das famílias e de transmissão de valores que iam além da prática devocional.

A pesquisadora Carina Maria Melchiors Niederauer,  da Universidade de Caxias do Sul (UCS), também se dedicou a mostrar a importância dessa relação a partir do estudo de relatos de imigrantes da região da Serra Gaúcha. A religião católica proporcionou a eles identidade cultural, força para enfrentar as dificuldades no novo território e integração social. A comunidade se unia em torno do trabalho, da família e da fé.

Fé e organização comunitária

Ao chegarem às colônias agrícolas, como muitas que surgiram no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, imigrantes italianos tiveram de enfrentar condições de isolamento, dificuldades de infraestrutura, barreiras linguísticas e desafios climáticos e econômicos típicos de uma nova fronteira. Não raro, a primeira ação coletiva desses grupos era erguer uma capela e buscar a presença de um padre residente. A fé ajudou a organizar o tempo, as celebrações, os ritos de passagem e a própria identidade cultural do grupo,  como eixo de coesão social.

Esse protagonismo religioso também moldou o cotidiano material das comunidades. Do ponto de vista arquitetônico e urbanístico, as igrejas e capelas são marcos centrais das vilas e cidades coloniais, muitas vezes dispostas no lugar mais visível e elevado, próximos à praça ou à primeira escola da localidade. Além das celebrações dominicais, os templos eram pontos de encontro em que se realizavam festas e celebrações devocionais que reforçavam laços familiares e sociais, transmitiam tradições italianas e, ao mesmo tempo, ajudavam os imigrantes a contextualizar sua fé em um novo chão.

Tradições e identidade

A influência religiosa dos italianos também se relacionou com o cotidiano cultural das regiões que colonizaram. Festas em honra a santos, procissões, devoções populares, romarias e festas litúrgicas — muitas incorporadas ao calendário brasileiro — são expressões que avançaram para além do grupo dos imigrantes e se integraram à vida das cidades. Em bairros paulistas, por exemplo, festas ligadas a santos católicos, como a de Nossa Senhora Achiropita, passaram de celebrações internas da comunidade italiana para eventos culturais populares que atraem pessoas de múltiplas origens.

A fé ofereceu à imigração italiana um sistema de valores que unia trabalho e religiosidade. A organização da vida social estava profundamente entrelaçada com a prática sacramental e com o calendário litúrgico.

O catolicismo dos italianos era, em grande parte, um catolicismo popular, enraizado em práticas devocionais que vinham tanto da tradição rural italiana quanto da vida paroquial nas colônias brasileiras. Essa fé ajudou os colonos a manter traços culturais e linguísticos, ao mesmo tempo em que facilitava a construção de laços com outras comunidades católicas no Brasil. Esse movimento preservou tradições e fomentou a identificação da italianidade em um terreno sociocultural diverso e em constante transformação.

História da imigração italiana no Paraná

Assista à matéria produzida pelo jornalismo da TV Evangelizar que mostra o acervo que conta a história dos imigrantes italiano em Colombo (PR).

No interior do Paraná, em 2018,  o povoado de Colônia Faria comemorou 130 aos de tradição, cultura, famí8lia, fé e devoção que passam de geração a geração.

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