Perguntar-se sobre como se deve agir no dia a dia é uma coisa boa. É claro que nem sempre teremos respostas para tudo e, por isso, precisaremos recorrer ao raciocínio, à meditação e às nossas referências, que são como que indicadores de qual direção tomar, para chegarmos à solução mais satisfatória possível.
Para exemplificar, imagine que você está dirigindo sem GPS em um lugar desconhecido. Vai ser difícil se achar, não é mesmo? Mas quando enxerga uma placa ou algum outro tipo de sinalização, logo entende que ela é uma referência que te diz se deve virar à direita, à esquerda, seguir em frente ou ainda fazer o retorno. Para nossa vida cristã também temos referências de quais direções devemos tomar: as virtudes cardeais.
Virtude, segundo o Catecismo da Igreja Católica, é uma disposição habitual e firme para fazer o bem. Permite à pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si com todas as forças sensíveis e espirituais. A pessoa virtuosa tende ao bem, procura-o e escolhe-o na prática (Cf. nº 1803).
Em outras palavras, a virtude é a inclinação que a pessoa tem de sempre praticar as coisas boas e corretas, de maneira quase que natural e espontânea. É um comportamento contrário aos hábitos ruins, como os vícios, os pecados, atitudes não pensadas, impulsos, histerias, entre outros.
Talvez muitos se recordem das aulas de geografia, nas quais aprendemos que a bússola aponta para os quatro pontos cardeais: norte, sul, leste e oeste. Pois bem, as principais virtudes cardeais também são quatro referências para se ter um comportamento equilibrado, mas que dizem respeito também à vocação do homem. Vamos ver quais são?
Virtude da prudência
Imagine que você está dirigindo em uma rodovia movimentada e alguém na estrada decide acelerar o carro para dirigir em alta velocidade. Dizemos que aquela pessoa está sendo imprudente no trânsito, pois pode causar um acidente e até mesmo a morte de pessoas. Já uma pessoa prudente, que faz o que deve ser feito, dirige de acordo com a velocidade permitida pela sinalização.
A pessoa prudente então é aquela que “põe a mão na consciência”, e se prepara antes de agir. Ela pensa, medita, reflete e age com discernimento em qualquer circunstância, como diz o livro de provérbios: O homem prudente vigia os seus passos (Cf. Provérbios 14,15). Mas a prudência não é sinônimo de medo, timidez, falsidade ou qualquer tentativa de evitar enfrentar os desafios. Ela é a atitude de abraçar a vida, ponderando e regrando o próprio comportamento, para se ter uma vida boa e realizada.

Virtude da justiça
Sempre que pensamos na palavra justiça, logo pensamos que se refere àquilo que garante a ordem e a verdade no mundo. Mas podemos resumir que a virtude cristã da justiça é “a constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido” (Cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1807). A justiça para com Deus é lhe prestar com amor e dedicação, o culto e adoração que lhe é devido interior ou exteriormente. Já um exemplo de injustiça para com Ele é, quando por motivos superficiais, deixamos de ir à Santa Missa aos domingos. Ou ainda quando, por preguiça, deixamos de ler a Bíblia e preferimos outra coisa que não nos favorecerá em nada. Nesses casos, estamos dedicando pouco ou nenhum amor a Deus, sendo injustos com Aquele que nos ama incondicionalmente.
Já a justiça para com os homens é quando respeitamos cada qual, garantindo seus direitos, seus bens e igualdade de acordo com suas capacidades e dons. Um exemplo é quando emprestamos algum dinheiro ou objeto de alguém e devolvemos conforme prometido.
Virtude da fortaleza
Quando falamos de fortaleza, podemos nos recordar das instalações militares que são construídas para proteger os soldados em uma guerra. São feitas justamente para aguentar as adversidades das batalhas com firmeza e constância, para que o mal não se aproxime do seu território, das pessoas e de seus bens.
Na nossa vida não é diferente. Para continuarmos no caminho de Jesus precisamos de muita fortaleza para aguentar os problemas, mas também para resistir às tentações do dia a dia. Precisamos dessa força não só para vencer os desafios profissionais, financeiros ou de saúde, mas também para superar as fraquezas de caráter, o medo e a indisposição. Ser uma pessoa forte, no entanto, não significa uma pessoa sem medo ou que não sofra, mas alguém que persevera no que é justo e santo, mesmo que isso signifique abraçar a cruz. Como o próprio Jesus disse “No mundo havereis de sofrer tribulações. Mas coragem! Eu venci o mundo!” (cf. João 16,33).
Virtude da temperança
A palavra temperança lembra um pouco a palavra “tempero”, não é verdade? E no dia a dia costumamos temperar a comida de acordo com nosso gosto para ter prazer em comê-la. Mas os excessos e a falta de alguns temperos podem fazer mal para a saúde. Existe uma medida certa para consumirmos o salgado, assim como para o doce, o amargo, o cítrico, etc. De forma geral, a temperança é a virtude que modera e equilibra a nossa atração pelo que é prazeroso, para que não nos prejudiquemos com os excessos ou com sua ausência em relação à comida, à bebida, ao lazer, entre outros. Também podemos chamá-la de virtude da sobriedade, pois nos ajuda a permanecer na medida segura e honesta para todas as coisas.
Mas a temperança não deve existir só para equilibrar os prazeres. Ela também se aplica a todas as nossas atitudes, desde a hora em que acordamos até o momento em que vamos dormir. Por exemplo: a maneira como falamos com as pessoas, o jeito de rir, de se vestir, de comemorar, de trabalhar, de se relacionar, de brincar, de ajudar aos outros (evitando paternalismo e maternalismo).
Assim como tudo na vida, a prática leva à perfeição. Aquelas virtudes cardeais que não temos naturalmente poderemos alcançar por meio da repetição. Algumas vezes o desânimo pode vir, mas não podemos perder a esperança. Sigamos essas quatro grandes guias para nossa vida e com certeza chegaremos ao Céu!
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