Por séculos, a hanseníase esteve associada ao medo, ao isolamento e ao preconceito. No Janeiro Roxo, a campanha de conscientização propõe um caminho diferente, de informação, diagnóstico precoce e superação do estigma. Ao olhar para a Bíblia e para a realidade da saúde pública hoje, fica claro que a exclusão nunca foi o projeto de Deus e que a ciência oferece caminhos seguros de cuidado e cura.
Na Sagrada Escritura, a hanseníase aparece diversas vezes, especialmente no Antigo Testamento, como enfermidade física e também como condição social de exclusão. Em textos como Levítico 13–14, as pessoas com lepra eram afastadas do convívio comunitário, não por punição divina, mas por normas sanitárias da época, ainda muito limitadas. A doença simbolizava impureza ritual e ruptura das relações.
No Novo Testamento, Jesus rompe com esse olhar excludente. Ele não evita os leprosos, não os teme e não os rejeita. Ao contrário, aproxima-se, toca e cura. Em Marcos 1,40-45, Jesus estende a mão a um homem com lepra e o restaura à vida social. Mais do que a cura física, há ali a devolução da dignidade. O Evangelho deixa claro que Deus não associa doença a culpa e não abandona quem sofre.
Embora o conhecimento médico tenha avançado, o preconceito ainda persiste. A hanseníase ainda é uma das doenças mais antigas da humanidade e, ainda assim, uma das mais estigmatizadas. É justamente esse cenário que o Janeiro Roxo busca transformar, com a promoção da informação correta, combate à discriminação e empatia.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia , o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de novos casos, atrás apenas da Índia. Ações de saúde intensificam a busca ativa por pessoas com sinais da doença, já que, quando tratada precocemente, a hanseníase tem cura e não deixa sequelas.
A hanseníase é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que atinge principalmente a pele e os nervos periféricos. Um dos grandes desafios é que seus sintomas iniciais podem ser sutis. A dermatologista Mirela Fulco (CRM 5930 RN – RQE 3149) alerta que as pessoas devem “ficar atentas sobre os sinais de alerta, como manchas claras, avermelhadas ou escuras na pele; perda ou diminuição da sensibilidade nas mãos e nos pés, dormência ou formigamento; além de fraqueza nas mãos ou pés”.
Ao contrário do que o senso comum ainda acredita, a hanseníase não é transmitida pelo toque, abraço ou compartilhamento de objetos. A própria especialista esclarece:
“A transmissão acontece pelo contato próximo e prolongado com pessoas sem tratamento. Após iniciar o tratamento, não há mais transmissão. O tratamento é eficaz, gratuito e está disponível na atenção básica. Quanto mais cedo iniciar, menores os riscos de sequelas. É importante saber que a doença tem cura com 6 a 12 meses de tratamento”.
A Bíblia mostra que Jesus se aproxima dos doentes e rompe barreiras de exclusão. A ciência, hoje, oferece diagnóstico, tratamento e cura. O Janeiro Roxo nos lembra que combater a hanseníase é também combater o preconceito, a desinformação e o abandono. Cuidar, informar e acolher continuam a ser caminhos concretos de amor ao próximo.
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