“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21)”: o que significa essa passagem?

“Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21)”: o que significa essa passagem?

Se tudo é do Senhor, há outras autoridades que devem ser consideradas? Se infringimos uma lei do trânsito, por exemplo, não poderíamos “simplesmente” ser perdoados e não arcar com as devidas consequências? Esses questionamentos podem aparecer até hoje, mas a verdade é que foram respondidos por Jesus e registrados nos Evangelhos de São Mateus (22,21), São Marcos (12,17) e São Lucas (20,25). A compreensão profunda merece atenção.

Vamos relembrar essa passagem:

Segundo Mt 22, 15-21, fariseus e partidários de Herodes fazem uma armadilha para apanhar Jesus. Primeiramente, O elogiaram e, depois, perguntaram se era correto – ou devido – pagar o imposto a César, que governava o Império Romano e, à época, também Israel. Usando Sua sabedoria, Jesus usou as palavras de uma forma que não se comprometesse nem a Seus discípulos.

Como explicou o Cardeal Orani João Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ), se Jesus respondesse que não deveriam pagar, iriam acusá-lO de ser contra o Império Romano. Já se a resposta fosse que deveriam pagar, O acusariam de estar ao lado do governo – e não do povo. Então, o Senhor pede que lhe apresentem a moeda e pergunta qual a figura que está nela, e eles respondem: de César. Diante disso, sabiamente Jesus responde “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21).

“Nessa resposta, sutilmente, Jesus quer dizer que todos devem cumprir com as suas obrigações, seja com o governo, seja com Deus. Coloquemos as coisas de Deus em primeiro lugar”, escreveu Dom Orani.

Frase usada de maneira errada

Papa Francisco também já explicou a passagem bíblica e reforçou como tem sido usada de forma descontextualizada ou mesmo errada para falar sobre a relação da Igreja e do Estado, que devem trabalhar juntos pela integridade humana e pelo bem de todos os Filhos de Deus.

“Jesus não quer separar ‘César’ e ‘Deus’, ou seja, a realidade terrena daquela espiritual. Às vezes, também nós pensamos assim: uma coisa é a fé com as suas práticas e outra coisa é a vida de todos os dias. Não. Esta é uma ‘esquizofrenia’, como se a fé não tivesse nada a ver com a vida concreta, com os desafios da sociedade, com a justiça social, com a política e assim por diante”, falou o Pontífice para a multidão da Praça São Pedro em 2023.

No mesmo dia, Papa Francisco trouxe uma reflexão e pediu que cada pessoa pensasse sobre qual imagem leva dentro de si: quem domina cada coração ou é sua prioridade?

“Sobre a moeda deste mundo está a imagem de César, mas você, que imagem leva dentro de si? De quem você é imagem na sua vida? Nós nos lembramos de pertencer ao Senhor ou nos deixamos plasmar pelas lógicas do mundo e fazemos do trabalho, da política e do dinheiro os nossos ídolos a adorar?”

Ainda sobre o que cabe ao Estado e à Igreja, Papa Leão XIII, na encíclica “Immortale Dei” (1885), enfatizou a harmonia necessária entre os poderes civil e eclesiástico. Ele destacou que ambos devem operar em suas respectivas esferas sem conflito.

A recomendação de Jesus segue atual: cumprir as responsabilidades civis, como o pagamento de impostos e respeito às leis da Justiça, enquanto se mantém fiel às obrigações religiosas e morais.​ Além disso, reconhecer que, embora as estruturas terrenas tenham sua importância, a lealdade última é devida a Deus.

 

“Dai a César o que é de César”: assista à homilia do Padre Reginaldo Manzotti

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