Na madrugada de 2 de outubro de 2026, por volta da 1h30, um ataque aéreo israelense atingiu o térreo de um prédio residencial no bairro de Remal, na Cidade de Gaza. Entre as cinco pessoas mortas estavam Maysa Khader Ibrahim Abu Daoud e sua filha Mary Hafez Michel al-Najjar, palestinas cristãs que dedicavam o tempo a ajudar paroquianos e deslocados abrigados na Igreja Católica da Sagrada Família, conforme relatou à EWTN News George Anton, diretor de operações do Patriarcado Latino em Gaza.
O ataque ocorreu durante o cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos entre Israel e o Hamas. Segundo fontes israelenses citadas pela agência AsiaNews, o alvo seria o líder Hamas Ali al-Amoudi. O exército israelense não comentou imediatamente.
O funeral das duas mulheres foi realizado no sábado, 3 de outubro, na Igreja de São Porfírio, na Cidade Velha de Gaza, com a presença de familiares, amigos muçulmanos e membros da comunidade cristã local. “Perdi minha mãe e minha avó hoje“, disse Fouad al-Najjar, filho de 14 anos de Mary, à agência Anadolu.
Em comunicado divulgado pelo Patriarcado Latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa expressou “profunda tristeza e pesar” pelas mortes e enviou condolências às famílias e à comunidade cristã de Gaza. Em setembro de 2026, o cardeal havia alertado para o declínio acentuado da população cristã em Gaza desde o início da guerra: de 1.017 fiéis antes do conflito para apenas 541, entre católicos e ortodoxos.
O ataque desta semana não é o primeiro a atingir a comunidade cristã de Gaza. Em outubro de 2023, um bombardeio israelense atingiu a Igreja da Sagrada Família, única paróquia católica da Faixa de Gaza, matando três pessoas e ferindo 11, entre elas o pároco argentino, o padre Gabriel Romanelli. O ataque provocou reação imediata do então Papa Leão XIV, que telefonou ao cardeal Pizzaballa e cobrou firmemente o fim da guerra, afirmando ser necessário respeitar os lugares de culto, independentemente da religião. A Santa Sé declarou na ocasião: “O Santo Padre reiterou seu apelo por um novo impulso nas negociações, um cessar-fogo e o fim da guerra.“
Desde o início do conflito, as igrejas locais funcionam também como abrigo para civis deslocados, cristãos e muçulmanos.
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