Ignazio Danti | Fonte: MuseiVaticani.va
A Galeria de Mapas é um daqueles espaços dos Museus do Vaticano que reorganizam o nosso olhar. Ao atravessar seus quase 120 metros de extensão, o visitante caminha pela Itália do século XVI, contempla o rigor científico do Renascimento e percebe como a Igreja soube integrar fé, arte e conhecimento em uma mesma linguagem visual.
Conhecida como Galleria delle Carte Geografiche, foi realizada entre 1580 e 1585 por iniciativa do Papa Gregório XIII. A execução ficou sob responsabilidade do frade dominicano Ignazio Danti, matemático e cosmógrafo, que coordenou a produção dos 40 mapas monumentais pintados em afresco nas paredes do corredor.
Os mapas apresentam as diversas regiões italianas conforme eram conhecidas no final do século XVI. Dispostos ao longo das paredes laterais, acompanham a geografia da península de norte a sul, criando uma narrativa visual contínua. Cada painel inclui cidades, montanhas, rios e portos, com a organização política, cultural e econômica daquele período.
O que impressiona é o nível de precisão alcançado para a época. A cartografia renascentista vivia um momento de grande desenvolvimento técnico, impulsionado por estudos astronômicos e medições mais avançadas. A Galeria de Mapas mostra como a Igreja também esteve envolvida na promoção do conhecimento científico.
Se as paredes revelam rigor cartográfico, o teto amplia a experiência. Ricamente decorado, apresenta cenas e elementos ornamentais que dialogam com a história e a tradição cristã italiana. O conjunto transforma o espaço em uma síntese visual do pensamento renascentista, no qual beleza e razão se complementam.

Foto de Daryl_mitchell from Saskatoon, Saskatchewan, Canada – Gallery of Maps Ceiling, CC BY-SA 2.0.
A galeria está localizada ao longo do antigo Pátio do Belvedere e integra o percurso que conduz à Capela Sistina. Antes de chegar ao ápice pictórico de Michelangelo, o visitante atravessa uma representação ordenada do território, como se contemplasse a criação sob uma perspectiva organizada e inteligível.
Mapear, naquele contexto, era também reconhecer a harmonia do mundo criado. A representação da terra era uma forma de estudar, compreender e, de certo modo, contemplar.
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