Fazer jejum na Quaresma não se trata de uma dieta ou de prática que tem como objetivo os benefícios físicos. O jejum proposto pela Igreja durante o período é uma experiência profundamente espiritual. É um caminho que une sacrifício, oração e caridade, com o propósito de renovar o coração e preparar a alma para a Páscoa. E sim, muitos jovens têm abraçado esse chamado com seriedade e fé.
Como reforça Padre Reginaldo Manzotti, fundador da Associação Evangelizar É Preciso, o jejum não é uma técnica de emagrecimento ou um modismo. A oração, o jejum e a caridade são as bases da verdadeira vivência quaresmal. “A oração suplica a Deus, o jejum ajuda a alcançar a graça e a caridade estende-se a quem necessita”, completa.
A jovem Millena Cardoso, de 18 anos, é um exemplo disso. Ela compartilha que desde cedo foi incentivada pela avó a viver sua fé com profundidade. Hoje, é coordenadora de grupo de jovens da sua comunidade e sempre tenta auxiliar as pastorais.
Millena aprendeu a importância do jejum ouvindo padres durante as Santas Missas e com o exemplo do tio, que pratica a abstinência de carne às quartas e sextas-feiras.
“Minha avó praticava a penitência da carne, mas dentro da família atualmente, apenas meu tio faz as penitências”, afirma.
Inspirada por eles, ela decidiu viver sua própria caminhada quaresmal.
“Faço [jejum] durante os quarenta dias da Quaresma (de segunda a sábado). Minha penitência contém: substituição do refrigerante por outras bebidas, nada de comidas doces e, nas quartas e sextas, faço a penitência de carne”, compartilha a jovem.
Millena lembra que não é só o alimento que importa nesse tempo:
“Tenho tentado ser mais paciente e analisar as situações com mais calma, controlando as emoções”.
Fiéis podem fazer a refeição do café da manhã e deixar de fazer outra refeição, que pode ser o almoço ou jantar, que deverá ser substituída por um lanche simples. O importante é não comer nada fora dessas refeições.
Padre Reginaldo explica que o jejum recomendado pela Igreja pode ser feito com a substituição de uma das refeições principais por um lanche simples. Ele reforça que, se o coração estiver orgulhoso ou se usamos do jejum para julgar os outros, ele perde o sentido cristão.
Santo Agostinho definiu bem o poder espiritual do jejum: “Purifica a alma, eleva a mente, subordina a carne ao espírito, cria um coração humilde e contrito, espalha as nuvens da concupiscência, extingue o fogo da luxúria e acende a verdadeira luz da castidade”.
Deixe seu comentário sobre o que você achou do conteúdo.
Assine nossa newsletter, receba nossos conteúdos e fique por dentro
de todas as novidades.