Foto: divulgação
O mês de março é mundialmente dedicado ao “Março Roxo”, uma campanha de conscientização sobre a epilepsia, com foco especial no dia 26 de março, conhecido como Purple Day. O objetivo primordial é informar sobre esta doença cerebral crônica que afeta cerca de 50 milhões de pessoas globalmente, desmistificar preconceitos, destacar os avanços nos tratamentos e promover a inclusão social dos pacientes. A cor roxa simboliza o apoio e o combate ao estigma associado à condição. No Brasil, o movimento ganha relevância ao focar nos avanços significativos do tratamento, especialmente para os casos de difícil controle, conhecidos como farmacorresistentes, que têm impactado na qualidade de vida de uma parcela considerável da população.
A epilepsia é um transtorno neurológico que atinge cerca de 50 milhões de pessoas no mundo. No Brasil, essa condição afeta aproximadamente 1,5% da população, o que representa cerca de 3 milhões de indivíduos. Deste total, estima-se que em torno de 1 milhão de pessoas convivam com a forma refratária da doença, ou seja, utilizam dois ou mais medicamentos antiepilépticos e, ainda assim, não conseguem o controle adequado das crises.
O tratamento da epilepsia no Brasil tem vivenciado uma fase de inovações promissoras, com destaque para a introdução de novas medicações e desenvolvimento de tecnologias de neuromodulação. Essas abordagens visam oferecer alternativas eficazes para pacientes que não respondem aos tratamentos convencionais.
No Rio Grande do Norte, o Dr. Thiago Rocha, neurocirurgião especialista em cirurgia de epilepsia, tem sido um protagonista na apresentação e aplicação dessas inovações. Ele ressalta o impacto devastador que a epilepsia refratária pode ter na vida dos pacientes, afetando a qualidade de vida, as atividades laborativas, e as relações familiares e pessoais.
“Os pacientes que não respondem ao tratamento clínico devem ser referenciados para uma avaliação pré-operatória de maneira precoce, a fim de evitar que os efeitos deletérios da doença prejudiquem a vida dessas pessoas. O objetivo da cirurgia de epilepsia é deixar os pacientes que são refratários livres de crises ou pelo menos reduzir a frequência dessas crises, melhorando assim a qualidade de vida e reduzindo o impacto trazido pela doença”, afirma o Dr. Thiago.
Um dos grandes avanços no cenário nacional é a disponibilização da cirurgia gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pacientes com epilepsia refratária. Esta medida democratiza o acesso a um tratamento de alta complexidade que pode transformar a vida de muitas pessoas.
A seleção adequada de um paciente para a cirurgia de epilepsia é um processo rigoroso que inclui a determinação da refratariedade clínica aos medicamentos antiepilépticos, a provável localização do foco epiléptico (a região cerebral onde as crises se originam), o impacto da doença na vida do paciente e a motivação do paciente para o procedimento. “O objetivo da operação não é a retirada dos medicamentos antiepilépticos, porém isso pode ocorrer, de maneira cautelosa, após dois anos do pós-operatório, se o paciente durante esse período não apresentar novas crises e os eletroencefalogramas durante o acompanhamento apresentarem resultados normais”, relata o Dr. Thiago Rocha.
A cirurgia de epilepsia pode ser realizada em duas fases. Na fase 1 é feito uma investigação não invasiva e detalhada do quadro neurológico do paciente. O paciente com epilepsia refratária é avaliado pela equipe multidisciplinar onde serão realizados vídeo-eletroencefalograma para o registro do início das suas crises no cérebro, a ressonância magnética do encéfalo com protocolos específicos para epilepsia e a avaliação neuropsicológica. O objetivo é identificar os circuitos neuronais que estão envolvidos na geração da crise epiléptica. Caso os dados sejam não concordantes, é necessário realizar a fase 2 com o procedimento de estereoeletroencefalografia (SEEG).
Para a realização do SEEG (fase 2) é feita a implantação cirúrgica de eletrodos nas regiões cerebrais suspeitas. No momento seguinte, o paciente é monitorizado por uma equipe de neurologistas com especialidade em neurofisiologia por um período de 5 a 10 dias. Durante essa etapa de monitorização, é realizada estimulação das áreas cerebrais suspeitas e a ablação térmica (termocoagulação) dessas regiões, o que leva a uma melhora na frequência das crises. “Após o término do SEEG, retiramos os eletrodos e diagnosticamos com precisão a região cerebral que está doente”, explica o médico.
A remoção cirúrgica da área cerebral doente é realizada em média de 30 a 60 dias após a realização do SEEG. “O paciente experimentará durante esse tempo uma melhora na frequência de crises devido a ablação do foco epiléptico. Nesse período é realizado o planejamento da cirurgia para remoção do foco epiléptico”, conclui o neurocirurgião.
Poucos locais no Brasil possuem os centros de epilepsia, onde é realizado o diagnóstico até as formas mais avançadas de tratamento. Desta forma, o “Março Roxo” serve como um lembrete crucial da necessidade de desmistificar a doença, promover o acesso ao diagnóstico e tratamento adequados e, acima de tudo, oferecer apoio e esperança aos pacientes e suas famílias.
Na TV Evangelizar, você assiste ao especial “Dia Internacional da Epilepsia”, transmitido no programa “Hora Boa”, com Thiago Lopes. Clique no vídeo abaixo e confira mais informações sobre a doença, como sintomas, causas e tratamentos.
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