Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com algum transtorno mental, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os transtornos mentais estão entre as principais causas de incapacidade no planeta, mas o gasto público destinado à saúde mental representa, em média, apenas 2% dos orçamentos de saúde, percentual que permanece inalterado desde 2017. Diante dessa realidade, Papa Leão XIV escolheu a saúde mental como intenção de oração para outubro.
A intenção, divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa no dia 1º de outubro, é:
“Rezemos para que a pastoral da saúde mental se integre em toda a Igreja, ajudando a superar o estigma e a discriminação contra as pessoas com doenças mentais.”
Na oração que acompanha a intenção, Papa Leão XIV segura em suas mãos uma imagem de Santa Dimpna, ou Dinfa, padroeira das pessoas que sofrem com transtornos mentais e de quem cuida delas. Dirigindo-se a Deus, o Pontífice fala das “feridas silenciosas que, às vezes, ninguém vê” e apresenta àquele que “chama cada um pelo nome, com ternura”, os irmãos e irmãs que sofrem em silêncio a ansiedade, a depressão ou outra doença mental.
Papa pede perdão pelas vezes em que a comunidade cristã desviou o olhar e contribuiu para alimentar o estigma. E então formula um pedido:
“Faz com que a Tua Igreja seja uma casa aberta, um espaço seguro onde todos tenham lugar, uma comunidade que acompanha e não exclui, que escuta sem julgar e se aproxima sem medo.”
A oração se estende ainda aos profissionais, familiares e voluntários que caminham ao lado de quem sofre. Para eles, o Papa pede “força e compaixão para amparar.” Por fim, invoca o Espírito Santo para que o cuidado com a saúde mental seja integrado “na vida e na missão” das comunidades cristãs, tornando-as sinal da misericórdia de Deus “que nunca abandona e sempre restaura.”
A intenção de outubro também chama atenção para os limites do que a pastoral pode e deve fazer. Como recorda o bispo de Phoenix, Dom John Dolan, que em 2022 criou em sua diocese um Ministério da Saúde Mental, esse serviço não consiste em “diagnosticar, prescrever ou tratar.” O papel da comunidade de fé é caminhar ao lado de quem atravessa momentos difíceis e ajudá-lo a reconhecer a própria dignidade. “Este ministério consiste em amar e acompanhar”, disse.
Fé e cuidado profissional caminham juntos. A Igreja que acolhe não substitui o psicólogo ou o psiquiatra, mas garante que a pessoa não precise enfrentar esse caminho sozinha.
O tema não é novo no pontificado de Leão XIV. Durante a viagem apostólica à Espanha, em junho de 2026, uma jovem compartilhou com o Papa sua experiência com a depressão e uma tentativa de suicídio. Na resposta, o Pontífice reconheceu que a saúde mental está “cada vez mais ameaçada” mesmo em sociedades que se consideram avançadas e que isso revela algo profundamente equivocado em uma concepção de progresso que submete as pessoas a pressões e tensões capazes de comprometer equilíbrios fundamentais. Diante do sofrimento e da solidão, o Papa recordou que Cristo assumiu sobre si a dor da humanidade e a intenção de outubro transforma em compromisso concreto de toda a Igreja: “Não podemos fazer isso sozinhos”.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende 24 horas por dia, todos os dias, de forma gratuita e sigilosa pelo telefone 188 ou pelo site cvv.org.br.
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