O que a vida de José do Egito ensina sobre situações que você não escolheu

O que a vida de José do Egito ensina sobre situações que você não escolheu

Se você está passando por uma situação que não escolheu, foi traído por alguém próximo, está em um lugar que parece não ter saída ou sente que o tempo está correndo enquanto sua vida parou, a história de José do Egito foi escrita para você. O texto bíblico descreve, com detalhes impressionantes, alguém que passou por tudo isso e saiu do outro lado.

José do Egito não é José, pai de Jesus. É o filho de Jacó e Raquel, décimo primeiro dos doze filhos de Jacó, cujo relato ocupa os capítulos 37 a 50 do livro do Gênesis e é um dos mais completos de todo o Antigo Testamento.

Começa com inveja e termina com uma cisterna

A história tem início em Gênesis 37. José tinha 17 anos e seu pai, Jacó, o amava mais do que aos outros filhos e havia lhe dado uma túnica especial, de mangas compridas. Os irmãos “o odiavam e não conseguiam dirigir-lhe a palavra amigavelmente” (Gênesis 37,4). Dois sonhos que José teve e contou a eles tornaram o clima ainda mais pesado: nos sonhos, os feixes de trigo dos irmãos se curvavam diante do dele; o sol, a lua e onze estrelas se prostavam diante de José.

Em um dia em que os irmãos apascentavam o rebanho longe de casa, Jacó enviou José para saber como estavam. Quando o viram se aproximar de longe, planejaram matá-lo. Foi Rúben quem sugeriu uma alternativa: jogar José em uma cisterna vazia no deserto, sem tocá-lo com as mãos. Seu plano era salvá-lo depois e devolvê-lo ao pai, mas, enquanto se assentavam para comer, avistaram ao longe uma caravana de ismaelitas rumo ao Egito. Foi Judá quem fez a proposta:

“Que ganharemos se matarmos o nosso irmão e escondermos o seu sangue? Vamos vendê-lo aos ismaelitas” (Gêneis 37,26-27).

O preço: vinte peças de prata. “Seus irmãos tiraram José do poço e o venderam por vinte peças de prata aos ismaelitas” (Gênesis 37,28). Depois, mataram um bode, mergulharam a túnica de José no sangue e a levaram a Jacó, fingindo tê-la encontrado. O pai reconheceu e concluiu que um animal selvagem havia devorado o filho.

“Rasgou suas vestes, vestiu pano de saco e chorou por muitos dias” (Gênesis 37,34).

No Egito, os midianitas venderam José a Potifar, oficial do Faraó e capitão da guarda.

Midianitas venderam José a Potifar

De filho amado a escravo

Na casa de Potifar, algo aconteceu que o texto bíblico repete como se quisesse garantir que o leitor não passe por cima:

“O Senhor estava com José, de modo que este prosperou” (Gênesis 39,2).

Potifar percebeu, confiou-lhe a administração de tudo o que tinha e colocou José no comando da casa inteira. Tudo ia bem até que a esposa de Potifar passou a assediá-lo e José recusou repetidamente. Em um dos momentos em que ela o agarrou, ele fugiu deixando a roupa nas mãos dela. Ela o acusou de tentativa de violência e Potifar, ao ouvir a história da própria esposa, ficou furioso e mandou prender José.

José vivia então as consequências de uma acusação falsa, que levou a uma prisão injusta e ele não tinha como ter defesa ou mesmo apelar.

De escravo a prisioneiro

Na prisão, o texto bíblico repete de novo a mesma frase: “Mas o Senhor estava com ele e o tratou com bondade, concedendo-lhe a simpatia do carcereiro” (Gênesis 39,21). José foi ganhando a confiança de todos ali dentro e, ao cuidar dos presos do Faraó, conheceu dois deles que tiveram sonhos perturbadores: o copeiro-mor e o padeiro-mor. José interpretou os sonhos de cada um e disse ao copeiro que em três dias seria restaurado ao seu cargo e pediu que, ao sair, se lembrasse de mencionar seu caso ao Faraó. O copeiro saiu, mas esqueceu de José.

O texto diz simplesmente que “o chefe dos copeiros não se lembrou de José; esqueceu-se dele” (Gênesis 40,23). José ficou mais dois anos na prisão. Da venda pelos irmãos até o dia em que saiu da cadeia, haviam se passado 13 anos. Tinha 30 anos quando o chamaram para se apresentar ao Faraó.

Do esquecimento ao trono

O Faraó havia tido dois sonhos que nenhum dos seus sábios e adivinhos conseguiu explicar. O copeiro então lembrou de José, que foi chamado, ouviu os sonhos e os interpretou: sete anos de abundância no Egito, seguidos de sete anos de fome tão severa que a abundância anterior seria esquecida. José apresentou ainda um “plano de gestão”, que consistia em nomear alguém criterioso para armazenar um quinto da produção durante os anos bons e administrar o estoque durante os anos de escassez.

O Faraó olhou para José e perguntou a seus servos:

“Poderíamos encontrar outro homem como este, em quem esteja o Espírito de Deus?” E, voltando-se para José, disse: “Uma vez que Deus lhe revelou tudo isso, não há ninguém tão criterioso e sábio como você. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens” (Gênesis 41,38-40).

O Faraó tirou seu anel de selo e o colocou no dedo de José. Vestiu-o com linho fino, pôs uma corrente de ouro em seu pescoço e o fez passar na segunda carruagem real, enquanto arautos anunciavam sua passagem. Um jovem de 17 anos vendido por 20 moedas de prata agora governava a nação mais poderosa do mundo antigo.

José revela sua identidade aos irmãos

O momento mais surpreendente da história

Durante os anos de fome, os irmãos de José vieram ao Egito comprar grãos e não o reconheceram. Ele os reconheceu. E em vez de se vingar, os testou e esperou. Quando finalmente revelou sua identidade, o texto descreve a cena assim: “José não conseguiu mais se controlar diante dos que estavam presentes. Então gritou: ‘Façam todos saírem daqui!’ E quando ficou sozinho com seus irmãos, se deu a conhecer a eles. Chorou tão alto que os egípcios ouviram” (Gênesis 45,1-2). Depois do choro, José disse aos irmãos apavorados:

“Não se aflijam nem se culpem por me terem vendido, pois foi para salvar vidas que Deus me enviou à sua frente” (Gênesis 45,5). E completou: “Não fui eu que vos enviei para cá, foi Deus” (Gênesis 45,8).

Mesmo assim, quando Jacó morreu, os irmãos voltaram com medo. “E se José nos guardar rancor e nos pagar todo o mal que lhe fizemos?” (Gênesis 50,15). José chorou ao ouvir isso e respondeu com uma das frases mais citadas de todo o Antigo Testamento: “Não tenham medo. Estaria eu no lugar de Deus? Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem” (Gênesis 50,19-20).

José do Egito foi traído por quem devia protegê-lo, acusado injustamente, preso sem culpa e esquecido por quem prometeu ajudá-lo. Em nenhum desses momentos o texto mostra amargura ou desejo de vingança: “O Senhor estava com José.”

Mesmo onde você não consegue enxergar saída, pode haver um propósito que ainda não está visível. José não sabia, aos 17 anos jogado em uma cisterna, que salvaria milhares de vidas. Não sabia, na prisão injusta, que estava a um sonho do Faraó de distância do cargo que mudaria a história do seu povo.

José do Egito é reconhecido como alguém que prefigura Cristo: rejeitado pelos seus, entregue por um dos seus com um preço, humilhado, exaltado e, no fim, salvador dos que o traíram.

O que você achou desse conteúdo?

Deixe seu comentário sobre o que você achou do conteúdo.

Aceito receber a newsleter do IDe+ por e-mail.

Comentários

Cadastre-se

Cadastre-se e tenha acesso
a conteúdos exclusivos.

Cadastre-se

Associe-se

Ao fazer parte da Associação Evangelizar É Preciso, você ajuda a transformar a vida de milhares de pessoas.

Clique aqui

NEWSLETTER

IDe+ e você: sempre juntos!

Assine nossa newsletter, receba nossos conteúdos e fique por dentro
de todas as novidades.