Lançamento da Campanha da Fraternidade 2025 na sede da CNBB./Foto: divulgação CNBB
Quando 15 arcebispos se reuniram no Palácio São Joaquim, no Rio de Janeiro, entre 14 e 17 de outubro de 1952, poucos imaginavam o alcance histórico daquele encontro. Nascia a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, instituição que reuniria, de forma permanente e organizada, os bispos católicos do país para planejar, discutir e agir em conjunto. O Brasil tornava-se, naquele momento, um dos primeiros países do mundo a ter uma conferência episcopal estruturada, a sexta do planeta.
Passados mais de 70 anos, a CNBB reúne cerca de 470 bispos ativos e eméritos, coordena centenas de pastorais e comissões e continua e é uma das vozes mais ouvidas da Igreja Católica na América Latina.

O contexto do pós-guerra criou as condições para uma nova forma de organizar a Igreja. O Papa Pio XII incentivava a criação de conferências episcopais nacionais para que os bispos de cada país pudessem agir com mais coordenação e eficácia pastoral. No Brasil, a ideia encontrou terreno fértil. A fundação foi presidida pelo núncio apostólico Dom Carlo Chiarlo e contou com a presença dos principais prelados do país. O primeiro presidente eleito foi o cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, Arcebispo de São Paulo.
O secretário-geral foi Dom Hélder Câmara, Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, nome que se tornaria central não apenas na história da CNBB, mas na história da Igreja latino-americana. Secretário-geral nos primeiros dez anos da Conferência (1952-1962), ele foi o principal arquiteto de sua estrutura e de sua identidade missionária. Defensor dos pobres, crítico das desigualdades e figura de alcance internacional, Dom Hélder ajudou a moldar uma conferência que, desde o início, não se entendia apenas como instância administrativa, mas como voz pastoral do episcopado diante da sociedade brasileira.
Foi ele também o articulador da participação brasileira no Concílio Vaticano II (1962-1965), evento que transformou profundamente a Igreja Católica e cujo impacto no Brasil se fez sentir de forma especialmente intensa.
O Concílio Vaticano II abriu janelas para a modernidade e colocou a Igreja diante de questões que a CNBB precisou enfrentar com urgência, como evangelizar em um país marcado por desigualdade extrema e em acelerado processo de urbanização.
A resposta veio em forma de planejamento pastoral sistemático e de uma aposta nas Comunidades Eclesiais de Base, os pequenos grupos de leigos e leigas que se reuniam por todo o Brasil para ler a Bíblia à luz de sua realidade e agir a partir dela. As CEBs tornaram-se um dos traços mais originais do catolicismo brasileiro e um dos legados mais duradouros da CNBB desse período.
A CNBB é, por definição canônica, a instituição permanente que congrega os bispos da Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil para o exercício conjunto de algumas funções pastorais. Seus membros são bispos diocesanos, coadjutores, auxiliares e determinados bispos titulares com missão especial no país.
A conferência funciona por meio de uma Assembleia Geral anual, que é o órgão máximo de decisão, e de um Conselho Permanente que governa entre as assembleias. Comissões episcopais temáticas, regionais eclesiásticas e organismos vinculados como o CIMI e a CPT completam a estrutura.
Desde abril de 2023, a CNBB é presidida por Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre, eleito para o quadriênio 2023-2027. Menos de um mês após assumir a Conferência brasileira, Dom Jaime também foi eleito presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que reúne as 22 conferências episcopais da América Latina e do Caribe, tornando-se a voz mais representativa do episcopado no continente.
Em um país com mais de 130 milhões de católicos, a CNBB é o espaço onde a Igreja reflete sobre o Brasil, emite posicionamentos sobre questões políticas, sociais e éticas, coordena a evangelização e dialoga com o Estado, com a sociedade civil e com outras religiões.
Sua história mostra que a CNBB é, na maioria dos momentos decisivos, o lugar onde tensões foram trabalhadas e a Igreja encontrou palavras para dizer ao país o que o Evangelho exige de cada geração.
O que significa a sigla CNBB?
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. É a instituição que reúne os bispos católicos do país para o exercício conjunto de funções pastorais.
Quando a CNBB foi fundada?
Em 14 de outubro de 1952, no Rio de Janeiro, então capital federal do Brasil. Foi a sexta conferência episcopal do mundo.
Quem foi o primeiro presidente da CNBB?
O Cardeal Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, Arcebispo de São Paulo. O primeiro secretário-geral foi Dom Hélder Câmara.
Quem preside a CNBB atualmente?
Dom Jaime Spengler, Arcebispo de Porto Alegre, eleito em abril de 2023 para o quadriênio 2023-2027. Ele também preside o CELAM, o Conselho Episcopal da América Latina.
O que são as Comunidades Eclesiais de Base ligadas à CNBB?
São pequenos grupos de leigos que se reúnem para ler a Bíblia à luz da realidade social e agir comunitariamente. Surgiram nos anos 1960 e foram impulsionadas pela CNBB como forma original de evangelização no Brasil.
Deixe seu comentário sobre o que você achou do conteúdo.
Assine nossa newsletter, receba nossos conteúdos e fique por dentro
de todas as novidades.