Por dentro da Missa mais uma vez

Por dentro da Missa mais uma vez

A Santa Missa é o sacrifício de Jesus na Cruz. E cada vez que ela é celebrada, esse sacrifício é atualizado, ou seja, torna-se realmente presente. Já a palavra Missa vem do latim missio, que significa enviada. Antigamente, ao final de cada Missa, o diácono pronunciava: Ite missa est, que significa, “Ide, o envio foi feito”, ou, “Ide, foi enviada”. Daí se popularizou o nome Missa.

Para quem rezamos durante a Santa Missa?

A maior parte das orações recitadas durante a Missa são dirigidas ao Pai, em nome de Jesus e em comunhão com o Espírito Santo. Outras são dirigidas a Jesus, que é o Cordeiro de Deus.

O que é Celebração Eucarística?

É um outro nome para a mesma Santa Missa. Eucaristia vem da palavra grega eucharistein, que significa ação de graças. A Celebração Eucarística é a perfeita ação de graças realizada pelo próprio Jesus ao Pai que está no Céu.

E a Ceia do Senhor?

Quando celebramos a Eucaristia, fazemos memória da Ceia do Senhor, conforme lemos nos Evangelhos em Mateus 26,17-28; Marcos 14,12-26 e João capítulos 13 ao 17. Por isso também chamamos a Missa de Ceia do Senhor ou Memorial do Senhor, ou ainda, Memorial da Paixão do Senhor (cf. Lucas 22,19). Ela é a primeira e única Missa que se atualiza todos os dias.

A Ceia do Senhor é relatada em algum outro livro da Bíblia?

Sim. O Livro dos Atos Apóstolos (cf. 2,42-46;20,7-11) narra que os primeiros discípulos sempre se reuniam para partir o Pão, que é uma referência à participação na Celebração da Eucaristia. São Paulo toca nesse assunto em 1 Coríntios 10,16, e nos recorda que esse é o meio excelente de prestar adoração ao único Deus. No capítulo seguinte ele narra a Santa Ceia conforme aprendeu dos apóstolos de Jesus (cf. Coríntios 11,23-25).

A Missa tem outros nomes?

Sim. Também é chamada de Missa Sacrificial, por causa do sacrifício de Jesus; de Assembleia Eucarística, pois a assembleia dos fiéis oferece a Ação de Graças; de Sagrada Comunhão, porque nela nos unimos a Cristo; Fração do Pão, já que no pão reconhecemos o Cristo; Divina Liturgia e Santos Mistérios, pois ela também é uma festa de adoração na qual celebramos os mistérios divinos.

Existe alguma outra fonte histórica fora da Bíblia que fale da Ceia entre os primeiros cristãos?

Sim. Está na Didaqué, que era o catecismo dos primeiros cristãos. Assim ela explica: “Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro. Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado. Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: ‘Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei – diz o Senhor – e o meu nome é admirável entre as nações’” (XIV,1-3).

Ritos iniciais e espaço litúrgico I

Basicamente, a Missa é dividida em duas partes: Celebração da Palavra e Celebração Eucarística. Mas também podemos dizer que ela é dividida em Ritos Iniciais, Rito da Palavra, Rito Sacramental (ou Rito Eucarístico) e Ritos finais.

Qual é o primeiro Rito Inicial e o que ele significa?

O primeiro rito é a Procissão de Entrada. No Missal Romano, que é o livro que contém as explicações de como a Missa deve acontecer, diz o seguinte: “Reunido o povo, enquanto o sacerdote entra com os ministros, começa o canto de entrada. A finalidade desse canto é abrir a celebração, promover a união da assembleia, introduzir no mistério do tempo litúrgico ou da festa, e acompanhar a procissão do sacerdote e dos ministros” (n.25).

Neste trecho, vemos elementos muito importantes: o canto é pelo canto que nós louvamos ao Senhor (cf. Mateus 21,9). Por isso é importante soltar a voz durante a Missa (cf. Mateus 21,15-16). A procissão de entrada significa o povo a caminho da salvação. Significa também que todos nós somos peregrinos nesta terra e devemos caminhar em direção ao Céu. Quem entra na procissão geralmente são os acólitos (coroinhas); os leitores; os Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão, que popularmente chamamos só de Ministros; os diáconos; o sacerdote celebrante ou o bispo, precedido destes sacerdotes, junto de seu diácono.

Sacerdotes: pelo Sacramento da Ordem, a Igreja concede ministérios sacerdotais a alguns fiéis. Existem três graus de sacerdócio: o diácono; o padre, também chamado de presbítero; e o bispo. Eles representam a pessoa de Jesus na Celebração e administração dos Sacramentos.

Entram objetos durante a procissão?

Durante a procissão também entram alguns objetos. O turíbulo e a naveta, que trazem o carvão em brasa e incenso; a Cruz Processional, pois o sacrifício de Jesus se deu na cruz; as velas que ficam ao lado da Cruz, pois Jesus é a nossa luz; o Evangeliário, que é o livro do qual se proclama o Evangelho. Se o bispo participar da procissão, entram também o báculo, cajado que representa o pastoreio do bispo; e a mitra, que popularmente chamamos de chapéu do bispo e significa o seu governo sobre a Igreja local.

O que significa o caminho percorrido pela procissão?

Significa que Cristo é Caminho, Verdade e Vida (cf. João 14,6).

O lugar onde celebramos tem significado?

Sim. O Templo, prédio onde se celebra a Missa, nos recorda que Jesus é o Templo verdadeiro (cf. João 2,19). Também é a casa de Deus, lugar onde Ele habita.

As pessoas que participam da Missa também significam alguma coisa?

O povo reunido nos recorda que todos nós somos pedras que compõem essa mesma Igreja (cf. 1 Pedro 2,5), somos os membros do Corpo de Cristo (cf. 1 Coríntios 12,27), e somos templos onde Deus habita (cf. 1 Coríntios 6,19-20). A assembleia constituída, junto da Palavra e da Eucaristia, também é e representa a presença de Jesus.

A decoração da Igreja tem algum sentido?

Sim. Toda a decoração e acabamento de um templo católico deve se referir aos mistérios da nossa fé, pois é um ambiente litúrgico. É importante que tudo esteja em harmonia, desde a arquitetura, os vitrais, as cores, a iluminação,
as flores e os objetos presentes. Para não perder o foco em Jesus, é importante evitar extravagâncias e exageros. Tudo deve ser o mais simples possível, porém, não deve ser simplório, brega ou desleixado.

Ritos iniciais e espaço litúrgico II

Quando o sacerdote chega ao presbitério – espaço sagrado, geralmente mais alto, onde ficam o altar, cruz, o Ambão da Palavra e os assentos – , o primeiro ato que realiza é o de beijar o Altar. Em seguida, ele se dirige ao seu lugar.

O Altar representa o próprio Jesus, que é sacerdote, Altar e vítima de seu próprio sacrifício (cf. Hebreus 8,1-13; 9,11-14; 10,1- 3,12-15; 13,10-16). É o lugar mais precioso e importante da Igreja, pois não haveria Corpo e Sangue de Cristo se não fosse o altar. O Ambão ou Altar da Palavra: É aquela estante/mesa onde ficam os livros dos quais serão proclamadas as leituras.

Já a Cruz recorda que Jesus é o centro do mistério celebrado. Conforme a Instrução Geral do Missão Romano, no número 308, a Cruz deve estar visível para todos para lembrar que a Missa é o próprio sacrifício de Jesus ao Pai. E os assentos que estão no altar, sempre tem um que se destaca. Pois bem, aquele assento, também chamado de sedia, significa o trono do rei. E quem é o Rei? É Jesus (cf. Mateus 2,2; Jo,18,37 e 1 Timóteo 1,17)! A sedia do bispo em cada catedral, também é chamada de cátedra (cadeira) do pregador da Boa-Nova, que é o próprio Jesus, e significa que é a sede (pronunciasse ‘séde’), o lugar onde está o centro da diocese, ou seja, o poder do bispo.

E depois de beijar o Altar?

Se houver incenso, o sacerdote incensa o altar, a cruz, a imagem do padroeiro e de Nossa Senhora. O incenso significa nossas orações que sobem ao céu, mas também significa o odor de santidade de Cristo. Em seguida, começa a Missa com o Sinal da Cruz: “Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Esse sinal é importante para lembrarmos em nome de quem estamos reunidos e de quem nos aproximamos (da Trindade Santa). Outras formas,
mesmo as cantadas, que mudem essa fórmula de dizer o sinal da cruz não são corretas para nossa fé.

Em seguida o sacerdote celebrante se volta para o povo e de braços abertos os saúda com uma fórmula própria, que geralmente é: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.” (cf. 2 Coríntios 13,14). Esta saudação serve para nos colocar em harmonia uns com os outros e com o celebrante. O povo responde: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”, como povo animado pelo mesmo e único Cristo (Cf. 1 Pedro 1,1).

Como se chama aquele momento em que pedimos perdão?

Esse é o momento do Ato Penitencial. A convite do sacerdote, toda a assembleia se coloca numa postura contrita (arrependida) de seus pecados. Nesse momento, podem haver músicas que ajudem na interiorização e o sacerdote pode nos aspergir (molhar) com água, para nos recordar da água batismal que nos lava dos pecados e nos faz nascer para Deus. Ou, ao invés disso, também se pode rezar algumas das três orações penitenciais, como Confesso a ou a Deus Todo Poderoso, tende Compaixão de Nós, ladainha Senhor que Vieste Salvar. Após isso, o sacerdote recita a oração do Kyrie eléison.

O que significa Kyrie eléison?

A oração do Kyrie em grego é assim: Kyrie eléison. Christe eléison. Kyrie eléison. Que significa literalmente: Senhor, tende piedade de nós. Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Pode significar também: Senhor, acalma-me, consola-me, tira minha dor, mostra-me o seu amor firme. Essa oração está presente na Bíblia, no salmo 50 (51 em algumas traduções bíblicas), recitada pelo próprio Rei Davi.

Observação: A cada aclamação do Kyrie pode ser precedida de um tropo, ou seja, um diálogo com Deus que pode ser cantando.

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