Bíblia de Jesus das Santas Chagas | Produtos Que Evangelizam
A Bíblia fala sobre o coração humano. Nas páginas das Escrituras Sagradas, sentimentos aparecem, reaparecem e se entrelaçam e ajudam o leitor a compreender a própria vida. E afinal, qual sentimento é mais citado na Bíblia? Entre os mais falados estão amor, medo e esperança. Porém, não se trata de um olhar de estatísticas ou contagem de palavras, mas sobre a forma como a Escritura revela quem Deus é e como Ele se relaciona com a humanidade.
Entre os sentimentos humanos presentes na Bíblia, o amor ocupa tem o mais especial dos lugares, pois é o fundamento da revelação bíblica. Não por acaso, a própria Escritura afirma: “Deus é amor” (1Jo 4,8). A encíclica Deus Caritas Est, do Papa Bento XVI, explica que toda a história da salvação pode ser compreendida como a iniciativa amorosa de Deus que busca o ser humano. O amor é a chave de leitura da Bíblia inteira e, por isso, um tema tão frequente.
O Catecismo da Igreja Católica confirma essa compreensão ao ensinar que, entre as paixões humanas, “a mais fundamental é o amor”, pois é ele que orienta os desejos, as escolhas e a esperança do ser humano. Quando a Bíblia fala repetidamente de amor, seja no Antigo, seja no Novo Testamento, não descreve somente sentimentos humanos, mas revela o próprio agir de Deus na história.
Se o amor é o centro, o medo é uma das experiências humanas mais frequentemente nomeadas nas Escrituras. Patriarcas, profetas, reis, discípulos e até Maria, no anúncio do anjo, são convidados a não temer.
Circula amplamente a afirmação de que a Bíblia diz “não temas” 365 vezes, uma para cada dia do ano. Embora essa contagem literal não seja comprovada, e varie conforme tradução e critério, o dado simbólico aponta para algo verdadeiro. O medo é uma experiência recorrente na vida humana e Deus responde a ele repetidas vezes.
A tradição católica interpreta essas passagens como um convite à confiança e a compreensão e acolhimento desse sentimento humano. Em muitos textos bíblicos, o medo surge quando o ser humano percebe sua fragilidade. A resposta divina é a Sua presença: “Não temas, porque Eu estou contigo” (Is 41,10). Isso ajuda a compreender por que o medo aparece tanto na Bíblia. A resposta não porque Deus queira reforçá-lo, mas porque deseja transformá-lo em confiança.
Entre amor e medo, a Bíblia insiste também na esperança. Diferente do otimismo ingênuo, a esperança bíblica nasce da fidelidade de Deus e se apoia em Suas promessas. O Catecismo ensina que a esperança é uma virtude teologal que responde ao desejo profundo de felicidade colocado por Deus no coração humano. Por isso, embora a palavra “esperança” nem sempre apareça explicitamente com a mesma frequência que “amor” ou “medo”, seu conteúdo atravessa toda a Escritura.
A história do povo de Israel, marcada por exílios, crises e recomeços, é sustentada pela esperança. No Novo Testamento, essa esperança encontra seu cumprimento em Cristo, que transforma o sofrimento e a morte em caminho de vida nova.
Do ponto de vista católico, a resposta é: o amor é o sentimento mais central e estruturante da Bíblia. O medo aparece com frequência porque faz parte da condição humana, mas quase sempre acompanhado do convite divino à confiança. A esperança, por sua vez, sustenta a caminhada entre um e outro, apontando para a fidelidade de Deus.
Essa leitura é confirmada tanto pela tradição da Igreja quanto pelos documentos do Magistério, como as encíclicas papais e o Catecismo. A repetição desses temas não é estatística, mas pedagógica. Deus fala repetidamente do amor porque sabe que o coração humano precisa reaprender a amar. Ele fala do medo porque conhece nossas fragilidades. E insiste na esperança porque sabe que, sem ela, o caminho se torna pesado demais. Ler a Bíblia com esse olhar é um exercício espiritual. Permite que a Palavra ilumine o coração, eduque os sentimentos e transforme a maneira de viver.
Ao perceber quais sentimentos a Bíblia mais enfatiza, o leitor é convidado a uma revisão interior. Se Deus fala tanto de amor, talvez seja porque ainda temos dificuldade de vivê-lo plenamente. Se Ele repete “não temas”, é porque conhece nossas angústias. E se sustenta a esperança, é porque sabe que, muitas vezes, caminhamos cansados.
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