Quando tudo muda: aprender a viver sem garantias

Quando tudo muda: aprender a viver sem garantias

Desde cedo, aprendemos a buscar estabilidade. Queremos relações seguras, sentimentos previsíveis e caminhos bem definidos. No entanto, a experiência real da vida raramente segue esse roteiro. Mudanças acontecem, ciclos se encerram, pessoas se transformam — e, muitas vezes, resistimos a isso com todas as forças.

A impermanência não é uma exceção; ela é a regra. Ainda assim, tendemos a tratá-la como uma ameaça, e não como parte natural da existência.

O desconforto diante do movimento

Existe algo profundamente humano no desejo de permanência. Queremos que aquilo que é bom continue, que o que dói desapareça rapidamente e que nada nos tire do lugar onde nos sentimos seguros. O problema é que a vida não se organiza a partir do nosso conforto emocional.

Quando insistimos em manter tudo como está, criamos uma tensão constante entre o que é e o que gostaríamos que fosse. Essa tensão, com o tempo, se transforma em cansaço, ansiedade e frustração.

A tentativa de controlar o incontrolável

Muitas pessoas vivem tentando administrar o tempo, os sentimentos e até as reações dos outros. É como se, ao controlar, fosse possível evitar a dor. No entanto, essa tentativa geralmente falha, porque a vida não responde a comandos rígidos.

Ao invés de viver plenamente o presente, ficamos presos ao medo do fim, da perda ou da mudança. Com isso, deixamos de experimentar a intensidade dos momentos enquanto eles acontecem. Controlar, nesse contexto, pode ser uma forma disfarçada de evitar sentir.

A vida não é feita apenas de partes agradáveis

Existe uma narrativa social que valoriza excessivamente o bem-estar constante, como se fosse possível viver apenas momentos positivos. Essa ideia cria expectativas irreais e faz com que sentimentos difíceis sejam vistos como sinais de fracasso.

Tristeza, frustração, medo e dúvida também fazem parte do percurso humano. Negá-los ou combatê-los o tempo todo não elimina o sofrimento — apenas o empurra para outros lugares. Reconhecer essas emoções e permitir-se senti-las é uma forma legítima de cuidado.

 

Permanecer inteiro em meio às mudanças

Viver não significa evitar quedas, mas aprender a atravessá-las sem se abandonar. É possível passar por fases difíceis sem perder o contato com quem se é. Isso exige escuta interna, paciência e, muitas vezes, apoio.

Quando aceitamos que nem tudo será estável, começamos a desenvolver flexibilidade emocional. E essa flexibilidade nos permite lidar melhor com perdas, encerramentos e recomeços, sem a necessidade de endurecer ou fugir da experiência.

Psicoterapia como espaço de elaboração e fortalecimento

Nem sempre conseguimos enfrentar essas questões sozinhos. Em alguns momentos, a sensação de desamparo, repetição de sofrimentos ou dificuldade em lidar com mudanças pode indicar a necessidade de ajuda profissional.

A psicoterapia oferece um espaço de reflexão e acolhimento, onde é possível compreender padrões, elaborar dores antigas e construir novas formas de se relacionar consigo mesmo e com a vida. Não se trata de eliminar o sofrimento, mas de aprender a atravessá-lo com mais recursos e menos solidão.

Aceitar que a vida muda é um processo contínuo. Cuidar da saúde emocional também. Buscar ajuda é um passo de maturidade, não de fraqueza — e pode fazer toda a diferença na forma como você vive cada fase.

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A aceitação dos ciclos da vida é uma fonte de força

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