No meio do caminho quaresmal, uma queda ou falha pode pesar no coração e na consciência. Aquele doce que você tinha decidido evitar, o hábito que prometeu deixar de lado e, de repente, a sensação de ter “estragado tudo”. Mas será que é assim que Deus olha para isso?
Padre Reginaldo Manzotti orienta, como direção espiritual, que os fiéis façam uma penitência na Quaresma. “Faça uma penitência. Se uma vez você cair, mas você se freou, você não vai ser julgado por uma vez”, incentiva o Sacerdote, que explica no vídeo que “quaresmar” pode ser nos colocar certos freios e que isso fará muito bem.
A Quaresma não é um percurso de perfeição, mas de direção. A penitência, por sua vez, não é sobre desempenho, e sim conversão. A Igreja propõe a Quaresma como um tempo forte de retorno a Deus, de reorganizar a vida, rever prioridades e permitir que o coração seja transformado. Tempo de perdoar, se reciclar e renascer.
Por isso, a penitência nunca é um fim em si mesma, mas um meio para ajudar o cristão a sair de si, vencer excessos e crescer na liberdade interior. Quando esse sentido se perde, a prática pode até continuar, mas pode ser esvaziada.
A Igreja, de fato, estabelece práticas obrigatórias, como o jejum e a abstinência em dias específicos da Quaresma. Elas fazem parte da disciplina comum e não devem ser ignoradas sem motivo justo. Mas a maioria das penitências que os fiéis assumem, como deixar redes sociais, doces, refrigerante ou outros confortos, tem como base uma decisão pessoal. São gestos livres, que ajudam na vivência espiritual, mas não têm o mesmo caráter de obrigação universal.
Essa distinção é fundamental. Porque ajuda a compreender que nem toda falha tem o mesmo significado moral. E quando acontece a queda? Ao falhar em uma penitência pessoal, é comum surgir a sensação de fracasso, como se toda a Quaresma tivesse sido invalidada. Contudo, a queda, quando acontece, revela algo muito humano, que é a limitação. E, paradoxalmente, pode se tornar um ponto de encontro com Deus, se levar à humildade e ao recomeço.
A questão principal não é “caí ou não caí”, mas “o que faço depois disso?”. A verdadeira penitência começa no interior e não adianta controlar hábitos externos se o coração permanece distante, endurecido ou indiferente. Por isso, uma falha pode dizer menos sobre fracasso e mais sobre a necessidade de ajustar o caminho, com mais verdade e mais consciência.
Assista ao vídeo do Padre Reginaldo Manzotti sobre penitência:
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