“Rosto e voz são sagrados”: o que Papa Leão XIV tem falado sobre Inteligência Artificial:

“Rosto e voz são sagrados”: o que Papa Leão XIV tem falado sobre Inteligência Artificial:

A inteligência artificial já não é um tema distante nem restrito aos laboratórios de tecnologia. A IA interfere no modo como nos informamos, nos relacionamos e até como percebemos a realidade. Diante desse cenário, Papa Leão XIV tem falado que o desafio da IA não é apenas técnico. É profundamente humano.

Em sua mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, intitulada “Preservar vozes e rostos humanos”, o Santo Padre faz um alerta pastoral sobre os riscos da manipulação digital e da perda da centralidade da pessoa. O Papa lembrou que a inteligência artificial exige educação, responsabilidade e discernimento.

O rosto e a voz são traços únicos e distintivos de cada pessoa; manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro.
(Papa Leão XIV – Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações)

Para Papa Leão XIV, preservar vozes e rostos significa, em última análise, preservar a nós mesmos. Por isso, ele fala que o desafio não é tecnológico, mas antropológico. Preservar os rostos e as vozes significa, em última análise, preservar a nós próprios.

Cada pessoa é imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26). Quando a tecnologia obscurece essa verdade, não estamos apenas diante de uma inovação mal utilizada, mas de uma ameaça à compreensão do que significa ser humano.

O perigo das bolhas e da perda do pensamento crítico

Papa Leão XIV adverte que a inteligência artificial, especialmente quando associada a algoritmos voltados ao engajamento nas redes sociais, pode enfraquecer a capacidade de escuta e de pensamento crítico. “Ao encerrar grupos de pessoas em bolhas de fácil consenso e indignação, estes algoritmos enfraquecem a capacidade de escuta e pensamento crítico, aumentando a polarização social”, declarou o Papa.

Ao nos contentar com compilações estatísticas e conteúdos automatizados, podemos comprometer nossas próprias capacidades humanas:

“Ao abstermo-nos do esforço do próprio pensamento, contentando-nos com uma compilação estatística artificial, corremos o risco de deteriorar, a longo prazo, as nossas capacidades cognitivas, emocionais e comunicativas”.

A IA pode auxiliar, mas não pode substituir o juízo humano. Quando delegamos ao algoritmo aquilo que exige discernimento, abrimos mão de uma dimensão essencial da nossa liberdade.

Desinformação e “realidades paralelas”

Outro aspecto destacado pelo Papa é o risco da fabricação de conteúdos e da criação de “realidades paralelas”. A dificuldade de distinguir se interagimos com pessoas reais ou com bots (robôs) preocupa o Santo Padre, pois à medida que navegamos pelos nossos fluxos de informação (feeds), é cada vez mais difícil compreender se estamos a interagir com outros seres humanos ou com bots ou influenciadores.

Ele também alerta que a falta de verificação das fontes pode alimentar a desinformação, criando um ambiente ainda mais propício à manipulação. Por isso, reforça a importância do jornalismo de campo e da responsabilidade na produção de conteúdos. “A informação é um bem público”, escreveu na mensagem, defendendo ainda que:

“Os conteúdos gerados ou manipulados pela IA devem ser sinalizados e claramente distinguidos dos conteúdos criados por pessoas”.

Responsabilidade, cooperação e educação

Papa Leão XIV não propõe uma rejeição da tecnologia. Ao contrário, fala da possibilidade de uma “aliança” com o mundo digital, desde que baseada em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.

Ele dirige-se às plataformas tecnológicas, legisladores, empresas criativas, jornalistas, artistas e educadores, pedindo que priorizem o bem comum. E também convoca os fiéis e a sociedade a desenvolver uma cidadania digital consciente.

“Como católicos, podemos e devemos dar o nosso contributo, para que as pessoas, especialmente os jovens, adquiram a capacidade de pensamento crítico e cresçam na liberdade do espírito”.

A formação não deve alcançar apenas os jovens, mas também os idosos e os mais vulneráveis. É uma alfabetização digital integral, capaz de unir competência técnica e maturidade ética.

IA a serviço da pessoa e da evangelização

Em outra repercussão recente, o Papa destacou que o desenvolvimento da inteligência artificial deve servir à pessoa humana e à evangelização. Isso significa que a tecnologia, quando bem orientada, pode ser instrumento para o anúncio do Evangelho, para a promoção da dignidade humana e para a construção de pontes.

Enquanto isso, nenhuma ferramenta pode substituir o encontro real, a escuta sincera, a presença concreta. A comunicação cristã nasce do rosto, da voz, da relação. E é justamente isso que precisa ser protegido.

A mensagem do 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, datada de 24 de janeiro, memória de São Francisco de Sales — padroeiro dos jornalistas e escritores —, é um chamado profético para o nosso tempo. A Igreja recorda que o centro permanece sendo a pessoa humana. Como lembra o Papa Leão XIV, preservar vozes e rostos é preservar aquilo que Deus mesmo declarou bom, a dignidade única e irrepetível de cada ser humano.

A criação recursos de voz e personagens de IA para a comunicação pode acontecer sem que seja um problema, desde que não seja usada para iludir, enganar ou distorcer identidades de pessoas reais. 

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