Em 8 de fevereiro, a Igreja celebra a memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, uma mulher que, mesmo diante das adversidades extremas da escravidão, encontrou em sua espiritualidade uma uma forma de viver para ser exemplo de esperança e amor. Um milagre atribuído à sua intercessão foi reconhecido no Brasil.
Nascida em 1869, em uma aldeia próxima à montanha Agilerei, no Sudão do Sul, Bakhita foi sequestrada ainda criança, aos 9 anos de idade, e vendida diversas vezes como escrava. As constantes humilhações e sofrimentos fizeram com que ela esquecesse seu próprio nome, sendo chamada pelos mercadores de “Bakhita”, que significa “afortunada”.
Uma passagem trágica em sua história ocorreu enquanto estava a serviço de um general turco, que decidiu gravar com faca uma “tatuagem” no corpo da jovem: foram 114 cortes e as feridas cobertas de sal para permanecerem evidentes.
Após anos de cativeiro e torturas, foi comprada por um cônsul italiano que a levou para a Itália, onde conheceu a família Michieli. Designada como babá da filha do casal, Bakhita acompanhou a menina em sua educação junto às Irmãs Canossianas, em Veneza. Foi nesse ambiente que descobriu o cristianismo e foi batizada aos 21 anos com o nome de Josefina.
Aos 27 anos, proferiu os votos e se tornou religiosa. Permaneceu no convento canossiano de Schio até o fim de sua existência. Faleceu em decorrência de pneumonia em 8 de fevereiro de 1947.
A história de Santa Josefina Bakhita é um testemunho das palavras de São Paulo aos Romanos: “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração” (Rm 12,12). Sua profunda fé e esperança em Deus permitiram que ela superasse as adversidades da escravidão e encontrasse liberdade espiritual.
O Papa Bento XVI, na encíclica “Spe Salvi”, destacou o exemplo da Santa e como ela encontrou a verdadeira liberdade ao descobrir que era amada por Deus, o “Paron” (“Patrão”) supremo. Essa descoberta transformou sua vida e deu uma esperança que nada poderia abalar, o que poucas pessoas conseguem realmente entender.
Em 1992, ocorreu um milagre atribuído à intercessão de Santa Josefina Bakhita na cidade de Santos, no Brasil. Eva Tobias da Costa sofria de uma úlcera varicosa que não cicatrizava. Após rezar pedindo sua intervenção e aplicar uma estampa da beata sobre a ferida, ela teve uma cura inexplicável, reconhecida posteriormente pela Igreja.
Esse milagre foi fundamental para a canonização de Bakhita por São João Paulo II, em 1º de outubro de 2000, tornando-a um símbolo de esperança e fé para fiéis em todo o mundo.
Após professar seus votos religiosos, Josefina Bakhita dedicou mais de 50 anos ao serviço humilde como cozinheira, sacristã e porteira no convento das Irmãs Canossianas. Era conhecida por sua alegria contagiante, sorriso dócil e bondade. Ela dizia:
“Sejam bons, amem a Deus, rezem por aqueles que não O conhecem. Se soubessem que grande graça é conhecer a Deus!”
A sua vida mostra, em um exemplo forte, uma grande transformação, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Ela não permitiu que os sentimentos de ódio e vingança tomassem conta de sua trajetória. Ao confiar no amor do Pai, superou seu passado e construiu uma história guiada pela graça divina.
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