Cientista Carlos Nobre | Foto: Divulgação
Um dos nomes mais respeitados da ciência climática no mundo agora passa a integrar um dos principais organismos consultivos da Santa Sé. O climatologista brasileiro Carlos Nobre foi nomeado pelo Papa Leão XIV para o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, órgão do Vaticano que atua em temas como meio ambiente, justiça social, saúde e migrações.
A nomeação coloca o pesquisador como o único brasileiro no grupo, ao lado de líderes religiosos, acadêmicos e especialistas de diferentes países. O conselho tem caráter multidisciplinar e se dedica a refletir sobre questões centrais da humanidade à luz da dignidade da pessoa humana.
Carlos Nobre construiu uma trajetória consolidada na ciência, especialmente nos estudos sobre mudanças climáticas e a Amazônia. Com mais de quatro décadas de pesquisa, é uma das principais vozes globais sobre o impacto ambiental e os riscos do aquecimento do planeta.
Engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ele também possui doutorado em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos. Ao longo da carreira, atuou por mais de 30 anos no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e hoje é cientista sênior na Universidade de São Paulo (USP).
Entre suas contribuições mais relevantes está a formulação do conceito de “savanização” da Amazônia, processo que descreve a perda das características da floresta tropical, com impactos diretos na biodiversidade e no equilíbrio climático.
Um dos marcos de sua trajetória internacional foi a participação no Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), organismo das Nações Unidas. O grupo foi reconhecido com o Prêmio Nobel da Paz em 2007, ao lado do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, pelos esforços em alertar o mundo sobre os riscos das mudanças climáticas. Nobre integrou a equipe científica responsável por esses estudos, o que reforça sua relevância no cenário global.
Além da atuação acadêmica, Carlos Nobre integra iniciativas internacionais voltadas à proteção ambiental e ao desenvolvimento sustentável. Ele é membro do grupo Planetary Guardians, que reúne especialistas focados em soluções para crises climáticas e na proteção de populações vulneráveis.
Em 2022, foi eleito membro da Royal Society, uma das mais prestigiadas instituições científicas do mundo e é o primeiro brasileiro a integrar a entidade em mais de um século.
A aproximação de Nobre com o Vaticano não é recente. Em 2019, ele participou do Sínodo da Amazônia e contribuiu com reflexões sobre a urgência da preservação ambiental e seus impactos sociais. Ao integrar o Dicastério, sua atuação passa a dialogar diretamente com a proposta da Igreja de promover o desenvolvimento humano integral, conceito que une cuidado com a pessoa, com a sociedade e com a criação. Ao comentar a nomeação, o cientista destacou a responsabilidade diante do cenário atual.
“Estamos enfrentando uma emergência que coloca em xeque o futuro da civilização. Quando a Igreja volta seus olhos para o meio ambiente, ela está priorizando a proteção da vida humana”, declarou à imprensa.
Desde o pontificado do Papa Francisco, com a Encíclica Laudato si’, o cuidado com a “Casa Comum” passou a ocupar lugar central nas reflexões da Igreja. O Vaticano tem procurado ampliar esse diálogo e reforça a urgência de respostas concretas diante dos desafios climáticos.
O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral foi criado pelo Papa Francisco em agosto de 2016, na Carta Apostólica Humanam Progressionem. É resultante da fusão de quatro Pontifícios Conselhos preexistentes: Pontifício Conselho para a Justiça e Paz, o Pontifício Conselho para a Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, o Pontifício Conselho Cor Unum e o Pontifício Conselho para os Agentes de Saúde para a Pastoral da Saúde.
Entre as tarefas, estão: promover a pessoa humana e sua dignidade, dada por Deus, os direitos humanos, a saúde, a justiça e a paz; questões relacionadas à economia e ao trabalho, ao cuidado da criação e da terra como ‘casa comum’, às migrações e às emergências humanitárias; além de aprofundar e disseminar a doutrina social da Igreja sobre o desenvolvimento humano integral.
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