O que significa “abertura à vida”?

O que significa “abertura à vida”?

Há algumas décadas, famílias muito numerosas no Brasil era algo muito comum. Em 2024, o país registrou a sexta queda consecutiva no número de nascimento, de acordo com dados das Estatísticas do Registro Civil, divulgados pelo IBGE. As discussões sobre adiamento da maternidade e planejamento familiar também são bastante comuns atualmente e, em meio a elas, um conceito tem se destacado nas redes: “abertura à vida”.

A expressão aparece principalmente em conteúdos produzidos por famílias católicas, influenciadores e debates ligados ao matrimônio. Entre os nomes mais conhecidos está o da influenciadora Mariana Arasaki (@coracaodemami), que compartilha a rotina da família com quase 1,5 milhão de seguidores e 13 filhos.

Casada há 15 anos com o empresário Carlos Arasaki, Mariana se tornou conhecida por mostrar o cotidiano intenso da maternidade numerosa. Em entrevistas e publicações nas redes, ela expressa que a escolha está ligada tanto à fé católica quanto a questões pessoais. O casal demonstra e explica aos seguidores que a abertura à vida não significa irresponsabilidade ou romantização das dificuldades familiares, pois eles contam com uma estrutura e rede de apoio, organização da rotina e participação ativa dos dois na criação dos filhos.

O que significa “abertura à vida”?

A abertura à vida é a disposição dos cônjuges em acolher os filhos dentro do matrimônio, compreendendo a fertilidade como parte natural da união entre marido e mulher, e que sexualidade e capacidade de gerar vida não devem ser separadas artificialmente dentro do casamento.

A Igreja também reconhece a chamada “paternidade responsável”. O Catecismo da Igreja Católica afirma que os esposos podem, “por razões justas”, desejar espaçar os nascimentos dos filhos, desde que isso aconteça de forma ética e sem fechamento egoísta à vida. O tema envolve discernimento do casal, condições emocionais, saúde física, realidade financeira e capacidade de educar os filhos. A abertura à vida não deve ser interpretada como obrigação de ter o maior número possível de filhos, mas como disposição interior de acolher a vida como dom de Deus.

O que diz a encíclica Humanae Vitae?

Grande parte das discussões tem base na encíclica Humanae Vitae, publicada em 1968 por Papa Paulo VI. O documento surgiu em um período de profundas transformações culturais, marcado pela revolução sexual, pela popularização de contraceptivos e pelas mudanças na visão de família e sexualidade no Ocidente.

Na encíclica, o Pontífice afirmou que o amor conjugal possui duas dimensões inseparáveis:

  • a união entre os esposos;
  • e a abertura à transmissão da vida.

Por isso, o texto rejeita métodos contraceptivos artificiais como forma de impedir diretamente a fertilidade. Ao mesmo tempo, reconhece que os casais podem exercer uma “paternidade responsável”, avaliando com discernimento o espaçamento entre os filhos. A Humanae Vitae é um dos documentos mais debatidos da Igreja Católica porque toca em temas muito concretos da vida familiar contemporânea e existe o reconhecimento de que cada família vive circunstâncias muito diferentes.

Questões econômicas, saúde mental, dificuldade de acesso à rede de apoio, exaustão emocional, infertilidade e sobrecarga da maternidade fazem parte da realidade de muitos casais atualmente. Por isso, o tema deve ser tratado com cuidado pastoral e sem julgamentos. O Catecismo fala em “justa generosidade” e responsabilidade na decisão sobre os filhos. Ao longo dos últimos pontificados, a Igreja também reforça que filhos devem ser fruto de discernimento, amor e abertura do casal diante da própria vocação familiar.

O que é o Método Billings?

Entre orientações católicas sobre planejamento familiar natural, existe o Método Billings. Recomendado pela Igreja Católica e reconhecido também pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o método consiste na observação dos sinais naturais de fertilidade da mulher, especialmente das alterações do muco cervical ao longo do ciclo menstrual.

A partir dessa observação, o casal consegue identificar os períodos férteis e inférteis do ciclo feminino. O objetivo do método não é impedir artificialmente a fertilidade, mas permitir que o casal exerça a chamada paternidade responsável de forma natural e consciente.

A publicitária Priscila Rodrigues, que já atuou na orientação de casais em cursos da Pastoral Familiar, explica:

“Eu diria que o casal que opta por viver o método está totalmente aberto para seguir os planos que Deus tem para a família.”

Ela também destaca que o método exige diálogo constante entre marido e mulher, além de maior conhecimento sobre o próprio corpo. Além do espaçamento entre gestações, o Método Billings também pode ser utilizado por casais que desejam engravidar, pois ajuda a identificar com mais clareza os períodos férteis. Saiba mais: O que é e como funciona o Método Billings?

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