Em países onde o futebol frequentemente se mistura à identidade nacional, a fé também ocupa um espaço que atravessa gerações e vidas. Das grandes procissões religiosas argentinas às antigas catedrais italianas, passando pelas devoções históricas da França, Espanha e Alemanha, muitas das seleções que marcaram a história recente da Copa do Mundo têm também fortes referências católicas.
Embora não existam “padroeiros oficiais” das seleções definidos pelas federações esportivas, várias das últimas campeãs mundiais possuem santos e títulos Marianos associados à cultura, à história e à espiritualidade de seus povos. Em alguns casos, essas devoções mobilizam milhões de peregrinos todos os anos e ajudam a compreender aspectos importantes da formação nacional desses países.
A padroeira dos argentinos é Nossa Senhora de Luján. Reconhecida oficialmente, sua história remonta ao século XVII: uma imagem da Virgem Maria permaneceu misteriosamente em uma determinada região do País após uma carroça não conseguir seguir viagem enquanto a transportava.
Com o passar dos séculos, o local deu origem à cidade de Luján e a um dos principais centros de peregrinação da América Latina. A devoção se tornou símbolo da fé argentina e reúne milhares de peregrinos todos os anos. A ligação da Santa com a identidade nacional é tão forte que o próprio Papa Francisco, argentino de nascimento, sempre demonstrou profunda devoção à Virgem de Luján.

Estátua de Joana d’Arc em Paris
Se existe uma figura que une fé, história e identidade francesa, é Santa Joana d’Arc. Nascida em uma família camponesa no século XV, Joana recebeu inspirações divinas para ajudar a França durante a Guerra dos Cem Anos. Sua atuação militar e religiosa marcou profundamente a história do País.
Após ser condenada à morte, foi posteriormente reabilitada pela Igreja, beatificada por São Pio X e canonizada por Papa Bento XV em 1920. Pouco depois, foi oficialmente proclamada uma das padroeiras da França. Passados mais de seis séculos, é uma Santa popular e importante para franceses.
No caso da Alemanha, a relação histórica mais forte está ligada a São Miguel Arcanjo. Desde a Idade Média, o arcanjo guerreiro tem enorme relevância na espiritualidade dos povos germânicos. Após a cristianização da região, diversas montanhas, igrejas e centros religiosos passaram a ser colocados sob sua proteção.

São Miguel é um dos Santos mais venerados da tradição germânica e sua presença marcou especialmente períodos ligados à defesa da fé cristã e ao desenvolvimento do antigo Sacro Império Romano-Germânico. Algumas das igrejas mais emblemáticas da Alemanha são dedicadas ao Arcanjo, como a histórica Michaelskirche, em Munique.
Entre os espanhóis, uma das devoções mais importantes é a de Nossa Senhora do Pilar. Maria apareceu ao Apóstolo São Tiago em Saragoça enquanto ele ainda evangelizava a Península Ibérica. A aparição teria ocorrido antes mesmo da Assunção de Nossa Senhora.
A devoção ao Pilar atravessou séculos da história espanhola e se tornou um dos principais símbolos religiosos do País, especialmente por sua ligação com a evangelização e com a identidade cultural da Espanha. Embora a nação possua diferentes santos e devoções regionais muito fortes, Nossa Senhora do Pilar é uma expressões religiosas mais associadas à história nacional espanhola. São Tiago Maior (Santiago Apóstolo) é também padroeiro da Espanha.

A Itália possui oficialmente dois grandes padroeiros nacionais: São Francisco de Assis e Santa Catarina de Sena. São Francisco foi proclamado padroeiro principal da Itália por Papa Pio XII em 1939 e é um dos maiores símbolos da história italiana, especialmente pelos valores de simplicidade, paz e cuidado com os pobres.
Santa Catarina de Sena, Doutora da Igreja, tem papel fundamental na história do catolicismo por sua atuação junto aos papas e sua influência espiritual em um dos períodos mais delicados da Igreja. A espiritualidade italiana foi moldada tanto pela vida contemplativa e missionária de Francisco quanto pela força intelectual e pastoral de Catarina.

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