Semana Santa tem o papel de contemplar o sofrimento de Cristo e entender o amor e a obediência ao Pai até as últimas consequências. É a oportunidade que Deus nos dá, pelo dom da fé, de ter uma maior conversão, seguindo os passos de Cristo, para chegarmos à madrugada da Ressurreição com um espírito renovado e uma maior adesão a Jesus Cristo.
A Semana Santa se inicia com o Domingo de Ramos. Nele, recordamos a entrada triunfal de Jesus na cidade de Jerusalém para comemorar a Páscoa Judaica. O povo O reconhece como o Filho de Davi e o aclama com “hosanas”,
e ramos colocados ao chão por onde Jesus passava como relatam os Evangelhos (Mateus 21,1-11; Mc 11,1-10; Lucas 19,28-40).
Jesus entra montado num jumentinho. Isto não é um fato aleatório, pois Jesus manda alguns dos Apóstolos irem à cidade antes e trazerem o jumento. Sabemos que este não é um animal de guerra imponente como o cavalo. O jumento é um animal do serviço, da colaboração familiar, do servir, do favorecer. É um animal simples, forte e humilde. Jesus escolhe o jumentinho para mostrar a todos que não veio como um herói, mas como o Salvador. Ele é Rei, mas veio para servir. Veio para criar laços, para transformar vidas e não para um domínio do ponto de vista humano.
O Domingo de Ramos é o único em que se proclamam dois Evangelhos. Para aprofundar e melhor viver cada dia da semana, a Liturgia da Palavra nos propõe que a Segunda-feira Santa seja o paralelo entre o servo sofredor, exaltado pelo profeta Isaías e Jesus Cristo. Na Terça-feira Santa, o segundo canto do Servo do Senhor, do profeta Isaías. No Evangelho, Jesus anuncia a traição de Judas e a negação de Pedro. Na Quarta-feira Santa, o terceiro canto de Isaías. Por relatar com detalhes o sofrimento do servo do Senhor, é também conhecido como o “Canto da Paixão”. No Evangelho, Jesus faz a última tentativa de chamar Judas, o traidor, ao bom senso. É chegada a hora e Jesus está decidido a Se doar por amor. Por recordar a decisão de Judas de trair Jesus, é chamada de Quarta das Trevas.
Na Quinta-feira Santa iniciamos o Tríduo Pascal, composto por três dias que formam uma só celebração sintetizando os principais acontecimentos que marcam a fé cristã: Paixão, Morte e Ressureição de Jesus Cristo. Por isso, nas celebrações da quinta-feira à noite e da sexta-feira não se dá a bênção final. Ela só será dada no sábado ao final da Solene Vigília Pascal.
Pela manhã, as Dioceses realizam a Missa dos Santos Óleos. Nesta Missa, os sacerdotes reafirmam o compromisso de servir a Jesus Cristo. O Bispo faz a bênção dos óleos dos catecúmenos e enfermos. Também faz a consagração do óleo do Crisma. Estes óleos, depois, são entregues em frascos aos presbíteros para utilizarem ao ministrar os Sacramentos em suas Paróquias. À noite acontece a Celebração da Ceia do Senhor, em que se faz memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio ministerial.
Nesta Missa, realiza-se o Rito do Lava-pés, na qual o celebrante recorda o gesto de Cristo, que lavou os pés dos seus Apóstolos. Esse gesto visa transmitir o exemplo de humildade e serviço que o cristão deve seguir e recorda o mandamento novo que Jesus nos deixou: “Eu vos dou um novo mandamento, que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei”. Este primeiro dia do Tríduo se encerra com o despojamento do Altar, a retirada de toda a ornamentação e o translado do Santíssimo, feito numa âmbula coberta por um véu próprio para o local preparado, onde os fiéis permanecem em oração e vigília.
A Sexta-feira Santa é o único dia em que não se celebra Missa em nenhum lugar do mundo. Acontece a Celebração da Paixão do Senhor. Os Altares devem estar despojados, sem velas e sem flores, não se utilizam os sinos. Podemos dizer que, nesta celebração, a Paixão é proclamada na Liturgia da Palavra. A Paixão é rezada na Oração Universal. A Paixão é venerada quando a Cruz é erguida e apresentada como sinal de salvação e esperança. Por fim, a Paixão é comungada. Embora neste dia não tenha a consagração, os fiéis comungam das partículas consagradas no dia anterior.
Vale ressaltar que o jejum e a abstinência são obrigatórios na Sexta-feira Santa, como também na Quarta-feira de Cinzas. Pelas orientações da Igreja, estão obrigados ao jejum os que tiverem completado 18 anos até os 59 completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como as pessoas que desenvolverem trabalhos braçais nestes dias.
O Sábado Santo é o dia em que Jesus desceu à mansão dos mortos. É dia da dor pela morte de Jesus, mas da espera alegre pela Ressurreição. Por isso, a Solenidade da Vigília Pascal é a mãe de todas as vigílias. A celebração é iniciada fora da igreja, quando o sacerdote abençoa o fogo novo e prepara o Círio Pascal, que é levado em procissão para o presbitério e apresentado como a Luz de Cristo. É uma celebração muito rica em detalhes, com a Proclamação da Páscoa, as sete leituras e sete Salmos que nos recordam a história da salvação. O canto do Glória, quando os sinos voltam a bater e as velas do altar são acesas. A bênção da água, o Batismo dos catecúmenos, a renovação das promessas do Batismo e demais ritos.
E finalmente o Domingo de Páscoa, a festa da vitória de Cristo. Uma certeza ressoa neste dia, o túmulo está vazio! A morte foi vencida, tudo se fez novo. Cristo vive e n’Ele temos a esperança de vida eterna.
Feliz Páscoa!
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