Foto: reprodução
O subsolo da Basílica de São Pedro, normalmente inacessível à maioria dos visitantes, será o cenário de um novo documentário que irá unir fé, história e arqueologia. Quem conduz esse itinerário é o ator norte-americano Chris Pratt, conhecido mundialmente por seus papéis nos universos da Marvel, Guardiões da Galáxia e Jurassic Park.
As filmagens estão em andamento na Basílica de São Pedro e na Necrópole Vaticana para uma produção conjunta da Vatican Media, do Dicastério para a Comunicação, da Fabbrica di San Pietro e da AF Films. O lançamento está previsto para 2026, ano em que a atual Basílica de São Pedro completa 400 anos de inauguração e dedicação, ocorrida em 18 de novembro de 1626.
Intitulado The Tomb of Peter (O Túmulo de Pedro), o documentário conduzirá o público por um percurso que remonta aos primeiros séculos do cristianismo, apresentando a história do Apóstolo Pedro, o pescador da Galileia a quem Jesus confiou a liderança da Igreja, martirizado em Roma no ano 64 d.C., durante a perseguição do imperador Nero.
Desde então, o local de seu sepultamento é centro de peregrinação, devoção e culto. Ao longo do tempo, sucessivas gerações de cristãos desejaram ser enterradas próximas ao túmulo daquele que é reconhecido como o primeiro Papa.
Passo a passo, por meio de imagens exclusivas e inéditas, o documentário mostra como o imperador Constantino decidiu preservar o túmulo do Apóstolo e nivelou a Colina Vaticana para construir a primeira grande basílica, que englobou a área da sepultura. O percurso também apresenta as escavações ordenadas pelo Papa Pio XII, em 1939, que levaram à descoberta oficial do túmulo em 1950.

Bastidores das filmagens./Foto: reprodução
As pesquisas arqueológicas continuaram nas décadas seguintes. Em 1968, após novos estudos, Papa Paulo VI anunciou ao mundo a identificação dos restos mortais do Apóstolo:
“As relíquias de Pedro foram identificadas de uma forma que podemos considerar convincente… Temos razões para crer que os poucos, mas sacrossantos, restos mortais do Príncipe dos Apóstolos foram localizados”.
Entre os achados está a chamada “edícula de Gaio”, um espaço coberto por grafites em grego, como Petros e expressões interpretadas como “Pedro está aqui”. Embora inicialmente o túmulo estivesse vazio, investigações posteriores conduzidas pela arqueóloga Margherita Guarducci levaram à identificação de ossos compatíveis com um homem robusto e de idade madura, sem os ossos dos pés — um detalhe que remete à tradição da crucificação de Pedro de cabeça para baixo.
Segundo o professor Fiocchi Nicolai, do Pontifício Instituto de Arqueologia Cristã, “é possível atribuir os restos mortais a um homem robusto de idade madura, que são compatíveis com aquelas do Apóstolo”.
A escolha de Chris Pratt para conduzir o documentário não foi por acaso. O ator tem falado publicamente, ao longo dos anos, sobre sua fé em Jesus Cristo e sobre momentos decisivos de sua vida espiritual. Batizado na infância, ele reconhece que passou um longo período afastado da prática religiosa, até viver uma experiência profunda com Deus durante o nascimento prematuro de seu filho. Em entrevista à Fox News, Pratt relatou:
“Naquele momento, eu realmente fiz alguns acordos com Deus. Como a gente faz quando está rezando. Eu disse algo como: ‘Se Você salvar meu filho, eu te darei tudo. A minha vida, a minha plataforma. Eu não terei vergonha de falar de Você’.”
Ator Chris Pratt no documentário O Túmulo de Pedro./Foto: reprodução Vatican News
Ao falar sobre o documentário ao Vatican News, o ator afirmou:
“É uma honra extraordinária colaborar com o Papa Leão XIV e o Vaticano neste projeto. A história de São Pedro é central para a fé cristã, e sou profundamente grato pela confiança e pelo acesso que me foram concedidos para ajudar a levar seu legado para as telas.”
Durante as gravações, Chris Pratt foi recebido pelo Papa Leão XIV no Palácio Apostólico. Ao compartilhar uma foto do encontro em suas redes sociais, escreveu “que honra extraordinária, Papa Leão XIV. Obrigado por me receber.”

Foto: reprodução
O registro chamou atenção pela postura do ator, marcada por reverência e silêncio diante de um dos lugares mais sagrados do cristianismo. Longe dos personagens cômicos ou heroicos que o tornaram famoso, Pratt aparece como peregrino, consciente da responsabilidade espiritual e histórica do espaço que percorre.
Ao unir linguagem audiovisual contemporânea e rigor histórico, a produção busca aproximar novos públicos, inclusive o universo geek, da fé cristã.
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