Foto: Pascom Paróquia São José e Santa Felicidade/Divulgação
“É o Espírito Santo quem conduz”. Assim o ator Wagner Moyzes Bindo descreve a experiência de interpretar Jesus, especialmente em encenações da Paixão de Cristo. Uma vivência que, como ele compartilha, ultrapassa a atuação. Professor da educação infantil, músico e presença constante em apresentações religiosas em Curitiba (PR), Wagner construiu sua trajetória nas encenações a partir da própria comunidade.
O primeiro contato com o teatro nesse contexto aconteceu ainda em um grupo de jovens, quando foi convidado a participar de uma encenação da Paixão de Cristo interpretando o apóstolo Pedro. “Eu sempre gostei desse lado do teatro, desde a época da escola. Aí me chamaram, eu fui Pedro e a gente fez a Paixão de Cristo inteira”, relembra.
A partir dessa experiência, as participações se tornaram frequentes. Em diferentes comunidades e momentos do calendário cristão, ele passou a assumir o papel de Jesus, em uma atuação que tem também significado pessoal.
As primeiras encenações eram organizadas da forma possível pelo grupo de fiéis da sua comunidade da Paróquia São José e Santa Felicidade, em Curitiba (PR), que tinha recursos limitados, mas muita vontade de servir por meio da arte. Os participantes estruturavam as apresentações, que chegaram a incluir diferentes momentos da vida de Cristo.
“Fizemos improvisando também com o pessoal da comunidade, colocamos piscina para representar o batismo e, na ressurreição, eu descia da torre da igreja de rapel. Foi muito bonito”, lembra.
Com o tempo, o que começou como participação comunitária se transformou em um compromisso recorrente. Wagner passou a interpretar Jesus em diversas ocasiões, incluindo eventos maiores e participações nas produções e eventos da Associação Evangelizar É Preciso.
Assumir o papel de Jesus, segundo o ator, exige preparação além dos aspectos técnicos. Há um cuidado com a postura, o comportamento e também com a vivência pessoal, especialmente durante a Quaresma. Antes de entrar em cena, Wagner busca se recolher e evitar distrações.
“Eu tento ficar mais reservado. Não é uma situação de você estar dando risada e depois entrar em uma cena dessa. Eu fiz penitência na Quaresma, abri mão de algumas coisas e também tem a questão de cuidar do aspecto físico”, afirma, ao comentar os cuidados necessários para a composição do personagem.
Durante as apresentações, Wagner já viveu diversos momentos que não podem ser resumidas a um momento de atuação. “Naquele momento, eu não escuto, eu não vejo nada. É uma condução mesmo do Espírito Santo e você está sendo uma ferramenta de evangelização”, partilha.
Em diversas ocasiões, como ele conta, as pessoas se aproximam como se estivessem diante de Jesus. Em outra apresentação, uma fiel permaneceu no local até o fim da encenação da Ressurreição apenas para se aproximar. “Ela não foi embora enquanto eu não desci e quis me dar um abraço. Naquele momento, para ela, eu era Jesus.”

Entre as experiências que marcaram sua trajetória, Wagner destaca uma situação antes de uma encenação. Dias antes de representar a cena em que o lado de Cristo é perfurado, tradicionalmente associada a São Longuinho, ele começou a sentir dores na região da costela.
O incômodo persistiu até o momento da apresentação e desapareceu logo depois. “Depois que eu fiz a cena, nunca mais doeu. Foi uma coisa muito forte”, lembra. Para ele, situações como essa reforçam a questão da espiritualidade envolvida no papel e no contato com o público.

Apesar de também atuar em peças infantis, apresentações circenses e projetos musicais, Wagner reconhece que interpretar Jesus ocupa um lugar particular em sua trajetória, pois envolve a fé. Ele passou a perceber o impacto desse trabalho nas pessoas que acompanham as apresentações e, por isso, identifica um sentido muito mais amplo para o que faz.
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