Em 2010, Tathi Lopes entrou para a Pastoral da Comunicação de sua paróquia sem imaginar que aquele passo seria o início de uma vocação. Três anos depois, câmera na mão e sem nenhum curso formal de fotografia, ela começou a registrar festas de padroeiro, Semanas Santas e Cercos de Jericó. Aprendeu, como ela mesma descreve, “apanhando”, fotografando, observando os resultados, reconhecendo os erros e tentando novamente.
O que nasceu nessa escola improvisada da vida paroquial tornou-se a Clerum Photos: um trabalho especializado em fotografia eclesiástica que já percorreu dioceses em diferentes estados do Brasil e registrou alguns dos momentos mais importantes da história do clero e das famílias que o sustentam.
Formada em Propaganda e Marketing e em Teologia, Tathi revela duas dimensões: a capacidade de contar histórias com imagens e a compreensão do que está acontecendo dentro de um rito.
“A comunicação me ajudou a contar histórias; a Teologia transformou profundamente o meu olhar para o sagrado”, conta.

Antes de pressionar o obturador, Tathi já começou a trabalhar. A fotografia eclesiástica não admite o que outras áreas permitem: pedir que alguém repita um gesto, mudar o ângulo de uma cena, interromper um momento para melhorar o enquadramento. Na liturgia, o rito não acontece para a câmera e a celebração não pode ser pausada para servir à fotografia.
Por isso, o trabalho começa no conhecimento. Tathi estuda a celebração antes de chegar, conversa com o cerimoniário ou o pároco, entende as restrições de circulação de cada igreja e organiza a equipe para que os posicionamentos estejam definidos antes que o rito comece. “Como são anos fotografando, já conheço o rito de cor”, afirma. Mas o protocolo não muda: alinhar, planejar, respeitar.

O que ela busca nas imagens não é reconhecido, como prostração durante a Ladainha de Todos os Santos, a oração Consecratória, a imposição das mãos, a unção, a entrega do cálice e da patena.
“Eu não crio o sagrado para a fotografia. Procuro reconhecer o sagrado que já está se revelando diante de mim”, diz.
Para ela, a melhor fotografia litúrgica é aquela que registra sem invadir, que guarda a memória sem roubar o centro da celebração, pois o centro é sempre Cristo.
Uma ordenação não pertence apenas ao homem que está sendo ordenado, mas à mãe que ficou acordada rezando, ao pai que sustentou aquela vocação por anos, aos irmãos que percorreram o caminho junto. Tathi sabe disso e é com esse peso que ela trabalha.

“Um olhar da mãe ou as mãos trêmulas do pai revelam uma história inteira sem que nenhuma palavra seja dita. Nesse momento, a imagem deixa de ser apenas um arquivo e se transforma em memória, patrimônio afetivo e registro da própria história da Igreja.”
Ela conta que, uma vez, um padre fotografado em Mogi das Cruzes algum tempo depois faleceu. Saber que as imagens permaneceram como testemunho de sua história deu ao trabalho um sentido que vai além de qualquer portfólio.
Tathi participa da Santa Missa diariamente, reza o Terço, mantém direção espiritual e cultiva a oração com a Bíblia.
“Para fotografar o sagrado com reverência, eu também preciso permitir que aquilo que fotografo forme e transforme a minha própria vida.”
A graduação em Teologia deu profundidade doutrinal e a vida cotidiana de oração mantém o que ela chama de fé como relacionamento. São as duas coisas juntas que definem o que a Clerum Photos é e o que a distingue de um serviço de fotografia que simplesmente passa pela Igreja.

Seu sonho está o Brasil, em toda a sua extensão. Já fotografou em Brasília, em Vitória, no Pará, em Minas Gerais e em diferentes cidades do Rio de Janeiro. Mas o País é imenso e ainda existem muitas histórias, comunidades e vocações que ela quer conhecer e registrar.
“Quero contribuir para a construção da memória visual da Igreja no Brasil, mostrando a riqueza das nossas igrejas locais e preservando a história de homens que entregaram a vida ao serviço de Deus e do povo.”

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