O Monte Tabor, na Galileia, é um lugar mostrou a “pedagogia de Deus”. A tradição o reconhece como o local da Transfiguração do Senhor, quando Jesus se revela em glória diante de três discípulos. Os Evangelhos não citam explicitamente o nome “Tabor”, mas registram que Jesus conduziu três discípulos a um lugar elevado. Os Evangelhos ((Mc 9,2; Mt 17,1-2; Lc 9,28) registram:
“Dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um alto monte, à parte. E foi transfigurado diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz.” (Mt 17,1-2)
A tradição cristã, desde os primeiros séculos, identifica esse “alto monte” como o Monte Tabor. Ali, os discípulos contemplaram Jesus em glória, conversando com Moisés e Elias, e ouviram a voz do Pai: “Este é o meu Filho amado, no qual pus o meu agrado; ouvi-o.” (Mt 17,5)
A Transfiguração é um dos momentos mais teológicos do Evangelho, que revela a identidade divina de Cristo e antecipa a glória da Ressurreição. Ao mesmo tempo, prepara os discípulos para a realidade da Paixão. Antes da Cruz, Deus concede a visão da luz.

O Monte Tabor está localizado na Baixa Galileia, a cerca de oito quilômetros a leste de Nazaré, elevando-se sobre a planície de Jezreel. Possui aproximadamente 588 metros de altitude acima do nível do mar e se destaca na paisagem por sua forma isolada e arredondada. É um monte que realmente se impõe no horizonte da região.
No topo do Monte Tabor encontra-se atualmente a Basílica da Transfiguração, construída entre 1921 e 1924 pelo arquiteto Antonio Barluzzi. O santuário é administrado pelos franciscanos da Custódia da Terra Santa e recebe peregrinos do mundo inteiro.
A basílica foi projetada para ajudar o fiel a contemplar o mistério da Transfiguração. Sua arquitetura valoriza a luz natural, que entra pelo interior e simboliza a glória de Cristo revelada no Evangelho.
O Monte Tabor ensina algo pedagógico para a vida cristã. No alto do monte, os discípulos contemplam a glória; mas não permanecem ali. Precisam descer. Precisam voltar à realidade, onde os aguardam desafios, incompreensões e, mais adiante, a Cruz.
A Transfiguração mostra que a experiência de Deus não é fuga do mundo, mas fortalecimento para enfrentá-lo. A luz não elimina a Cruz. Dá sentido à Cruz.
A liturgia da Igreja celebra a Transfiguração em 6 de agosto e também proclama esse Evangelho no segundo domingo da Quaresma, justamente para recordar que a caminhada penitencial está orientada para a glória pascal.
Subir ao Tabor é, simbolicamente, buscar intimidade com Deus. Descer do Tabor é viver a missão com mais fé, mais coragem e mais esperança.
Quando a Cruz chegar, eu me lembrarei da luz que já me foi revelada?
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