Nem à direita, nem à esquerda: no centro está Jesus Cristo

Nem à direita, nem à esquerda: no centro está Jesus Cristo

Daqui a alguns meses, o Brasil estará diante de uma nova eleição. O cenário atual, segundo especialistas, é marcado pela chamada “polarização”. Na política, este termo caracteriza uma forte divisão entre dois espectros ideológicos, fazendo com que muitas das discussões realmente importantes para o País acabem perdendo espaço, enquanto a sociedade é colocada em segundo plano. De forma simplificada, costuma-se resumir essa realidade na expressão: “nós contra eles”.

Não é incomum que, nesse período, os ânimos fiquem exaltados, o que gera discussões e conflitos entre amigos e, até mesmo, entre familiares. Muitos relacionamentos acabam abalados ou desfeitos em nome da política. Em vez do diálogo e da busca pelo bem comum, prevalecem a intolerância, a necessidade de vencer a narrativa e a dificuldade de enxergar o outro com respeito.

Mas, como cristãos católicos, qual deveria ser a nossa postura diante dessa realidade?

O Catecismo da Igreja Católica ensina que a esperança cristã está fundamentada nas promessas de Deus e na vida eterna, não nas circunstâncias políticas de um determinado momento. Isso não significa, porém, que devamos ser indiferentes à política. A própria Igreja ensina que a participação na vida pública pode ser um verdadeiro ato de caridade quando orientada pela busca sincera do bem comum.

Contudo, quando a política se transforma em fonte de raiva, ressentimento ou ódio; quando passa a gerar exclusão, divisões e rupturas, é preciso acender um sinal de alerta. Afinal, onde está o nosso coração? Em quem temos colocado a nossa confiança e a nossa esperança?

Devemos ter extremo cuidado para não permitir que, nas pequenas atitudes do cotidiano, a semente da discórdia seja plantada em nosso coração. O inimigo sabe agir nas brechas e se aproveita de tudo aquilo que nos afasta da comunhão, da caridade e da paz. Isso pode acontecer por meio dos debates nas redes sociais, dos programas jornalísticos, dos meios de comunicação e, sem perceber, o seu coração vai se contaminando com o ódio que muitas vezes é proposital que aconteça. Por isso, o nosso olhar deve permanecer voltado para Deus, e não para pessoas, líderes ou partidos.

Um ponto importante da nossa reflexão é que Jesus não prometeu aos Seus discípulos uma estabilidade política nem prosperidade garantida. Os primeiros cristãos viveram sob governos muitas vezes hostis à fé e, ainda assim, transformaram o mundo por meio do testemunho, da oração e da caridade.

Por isso, somos chamados a voltar o olhar para Jesus. É n’Ele que encontramos o modelo perfeito para viver com sabedoria, equilíbrio e fidelidade à verdade. Cristo nunca Se deixou aprisionar pelas disputas e interesses de Seu tempo, mas permaneceu firme na missão de anunciar o Reino de Deus, acolhendo as pessoas sem deixar de proclamar a verdade.

Mais do que escolher um lado em meio às polarizações, o cristão é chamado a colocar Cristo no centro da própria vida. É n’Ele que encontramos a esperança que não decepciona, a paz que o mundo não pode dar e a luz necessária para discernir os caminhos a seguir. Governos passam, ideologias mudam e as circunstâncias se transformam, mas Jesus Cristo permanece o mesmo ontem, hoje e sempre.

Quando mantemos os olhos fixos n’Ele, encontramos força para atravessar os tempos difíceis sem perder a fé, a esperança e a capacidade de amar. E, mesmo em meio às diferenças e desafios de cada época, tornamo-nos sinais da presença de Deus, promovendo a unidade, o respeito e a cultura do encontro, tão necessários para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.

Para finalizar trago essa última reflexão. Ao final das eleições, independentemente do resultado, a vida continuará. Por isso, nossa esperança não pode estar depositada em governos ou projetos humanos, mas em Deus. É n’Ele que encontramos segurança, força e a certeza de que jamais caminhamos sozinhos.

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