O escorpião aparece diversas vezes na Bíblia, quase sempre associado a imagens de perigo, sofrimento, opressão e poder do mal. Fora do campo simbólico, ele é um animal real, presente no cotidiano brasileiro, responsável por milhares de acidentes todos os anos. Entenda melhor a abordagem bíblica e o que você deve saber para ter os cuidados necessários no dia a dia.
Nos textos bíblicos, o escorpião não aparece como um animal neutro, mas como uma imagem que expressa ameaça, dor e forças hostis à vida. No livro do Deuteronômio, é citado ao lado das serpentes para descrever a dureza do deserto atravessado pelo povo de Israel:
“Naquele grande e terrível deserto, cheio de serpentes abrasadoras, de escorpiões e de sede” (Dt 8,15).
O escorpião representa os perigos concretos e espirituais enfrentados pelo povo, reforçando a ideia de provação e dependência total de Deus. Em outros textos do Antigo Testamento, como em 1Rs 12,11 e 2Cr 10,14, aparece de forma figurada, simbolizando castigos severos e opressão.
No Novo Testamento, Jesus utiliza o escorpião como imagem pedagógica, conhecida por seus ouvintes. Em Lucas 11, ao falar da bondade do Pai, Ele afirma:
“Quem de vós, sendo pai, se o filho lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?” (Lc 11,12).
A comparação só faz sentido porque o escorpião era entendido como algo perigoso e nocivo. Já em outro momento, Jesus usa a imagem para expressar vitória espiritual:
“Eis que vos dei o poder de pisar serpentes e escorpiões e todo o poder do inimigo, e nada vos fará dano” (Lc 10,19).
Nessa parte, o escorpião não é o foco em si, mas um símbolo das forças do mal submetidas à autoridade de Cristo.
No livro do Apocalipse, o escorpião surge de forma ainda mais simbólica. São João descreve criaturas cujo poder de causar sofrimento é comparado ao da ferroada do escorpião (Ap 9,3.5.10). O texto não fala de escorpiões literais, mas usa a dor intensa causada por eles como referência para explicar o tormento espiritual e moral que aflige a humanidade afastada de Deus.
É importante fazer uma distinção clara: na Bíblia, o escorpião é majoritariamente uma representação simbólica. Já na vida cotidiana, ele é um animal real que exige atenção e prevenção. No Brasil, acidentes com escorpiões são considerados problema de saúde pública, com risco elevado especialmente para crianças e idosos.
A própria Bíblia ensina a unir confiança em Deus com responsabilidade diante da realidade. Ao ouvir sobre escorpiões na Palavra de Deus, somos convidados a refletir sobre o mal que ameaça, mas também sobre a proteção que vem do Senhor. Já ao lidar com escorpiões na vida real, somos chamados à vigilância, à prevenção e à busca imediata de ajuda médica em caso de acidente. Saiba mais sobre o tema!
Os acidentes com escorpiões representam um alerta crescente de saúde pública no Brasil, especialmente em períodos de calor e umidade. O chamado acidente escorpiônico, ou escorpionismo, ocorre quando o animal injeta sua peçonha por meio do ferrão (télson), podendo causar desde dor local até quadros graves, sobretudo em crianças e idosos.
De acordo com o Ministério da Saúde e o Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos, os escorpiões de importância médica pertencem ao gênero Tityus. O principal é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), considerado o mais perigoso devido ao alto potencial de gravidade do envenenamento, reprodução partenogenética e grande adaptação ao ambiente urbano. Também merecem atenção o escorpião-marrom (T. bahiensis), o escorpião-amarelo-do-nordeste (T. stigmurus) e o escorpião-preto-da-amazônia (T. obscurus), este último associado a casos graves e óbitos na região Norte.
Os sintomas costumam surgir rapidamente. As manifestações locais incluem dor intensa imediata, podendo irradiar para o membro afetado, além de vermelhidão, formigamento e suor local. Já as manifestações sistêmicas, mais comuns e perigosas em crianças, podem aparecer minutos ou horas após a picada e incluem náuseas, vômitos, sudorese intensa, agitação, tremores, alterações na pressão arterial, arritmias cardíacas, edema pulmonar, insuficiência cardíaca e choque. A presença desses sinais exige atendimento médico imediato.
Em caso de ferroada por escorpião, a orientação é procurar imediatamente um serviço de saúde. Não se deve fazer torniquete, cortes, sucção ou aplicar substâncias caseiras no local. O diagnóstico é clínico e epidemiológico. O tratamento específico depende do tipo de escorpião relacionado. Pode ser feito com soro antiescorpiônico ou, na ausência deste, soro antiaracnídico, sempre em ambiente hospitalar e sob supervisão médica.
A prevenção passa principalmente pelo controle do ambiente. Entre as recomendações oficiais estão: manter quintais e jardins limpos, evitar acúmulo de entulho e lixo, combater baratas (principal alimento dos escorpiões), vedar frestas em paredes e ralos, usar telas em pias e tanques, sacudir roupas e calçados antes de vestir, afastar camas das paredes e usar luvas e calçados fechados em atividades de limpeza. Também é importante preservar os inimigos naturais dos escorpiões, como corujas, lagartos e sapos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, crianças são o grupo mais vulnerável ao envenenamento grave, pois a quantidade de veneno tem efeito proporcionalmente maior no organismo. Idosos também apresentam maior risco de complicações. Por isso, qualquer suspeita de acidente deve ser tratada como urgência.
Veja aqui a lista dos hospitais de referência para soroterapia de acidentes por animais peçonhentos separadas por estado, constando as cidades onde estão localizados, nomes dos hospitais, endereços, telefones, Código Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e atendimento disponível para acidentes com animais peçonhentos.
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