Que horas são? A resposta pode estar nas velas

Que horas são? A resposta pode estar nas velas

O homem sempre buscou formas de medir o tempo. Nos primórdios, a trajetória do sol e as manifestações periódicas da natureza serviam como orientação. A observação da própria sombra do homem serviu para que tivesse noção de qual era o momento do dia, até perceber que uma vareta enfiada no solo poderia exercer essa função – sombra mais longa pela manhã e fim de tarde e bem curta ao meio dia.

Na Idade Média, a Igreja Católica também criou formas de medir o tempo cotidiano, como o toque de sinos e as horas eclesiásticas, ambos novidades introduzidas pelos monges. No século XII, foi lançado o Elucidarium, um manual de comportamento para o bom cristão que propunha horários para despertar, trabalhar, alimentar-se e repousar.

Nessa época, também passou a ser utilizado o curioso relógio de velas. Sim, as velas também passaram a servir, naquele tempo, para marcar as horas.

Como funciona a contagem

O relógio de vela nada mais é que uma vela normal com a demarcação de uma escala de horas, cujo tempo é marcado pela velocidade de queima desse instrumento rudimentar e ancestral de iluminar.

Esse método teria sido inventado no século XVII e foi bastante usado nas cortes europeias e em templos e ambientes católicos, principalmente à noite e em dias nublados, quando assumia a função dupla de iluminar e medir o tempo.

A marcação do tempo dependia de fatores como a espessura e o comprimento das velas, e ainda do material de que eram feitas. Porém, percebeu-se que o ambiente interferia diretamente no tempo de queima da vela, o que acabava causando variações e imprecisões na contagem das horas.

Nessa época, a cera de abelha era o principal material para a produção de velas, o que garantia certa uniformidade de queima e, consequentemente, na contagem do tempo.

Os relógios de vela também podiam marcar determinado tempo, tal qual um temporizador. Colocava-se um prego pesado na marcação da vela equivalente ao tempo desejado e quando a cera que o envolvia era derretida, derrubando-o na base e indicando o intervalo pretendido.

Primeiros usos

A primeira referência sobre o uso de velas para marcar o tempo, porém, vem da literatura chinesa, por volta de 520 d.C, citando o dispositivo de You Jiangu.

O dispositivo de You Jiangu consistia em seis velas, cada uma com cerca de 112 gramas (ou 72 pennyweights), 12 polegadas (30,48 centímetros) de comprimento, espessura uniforme e divididas em 12 seções de uma polegada (2,54 centímetros) cada.

Também há relatos do uso de relógios de vela similares no Japão até o início do século X.

Versões mais sofisticadas, entretanto, foram feitas por Al-Jazari em 1206, na antiga Mesopotâmia. Eles incluíam uma gradação para mostrar a hora e, pela primeira vez, usou uma conexão por baioneta, dispositivo de fixação utilizado em alguns modelos até os dias de hoje. Não mais com velas, claro.

Vela de sete dias

Outro grande exemplo de contagem do tempo por meio de velas é a vela de sete dias, que segue bastante utilizada no sertão do Brasil.

Ela é usada para prometer ou pedir algo, sem a necessidade real de contagem do tempo. Apesar da sua duração, em lugar livre de vento e umidade, cumprir de fato os sete dias.

Durante a semana em que a vela está acesa, o desejo de quem a acendeu pode vir a se realizar. É o que dizem os adeptos dessa prática. Como garantem que é comum que os pedidos sejam de fato atendidos.

Tudo é uma questão de fé, na verdade. Mas para a fé não há hora marcada nem tempo limite. Afinal, a crença em Deus não admite contagem. A crença na Sua Palavra também não.

 

> Para entender como fazer uso de velas sem superstições, leia: Por que católicos acendem velas?

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Comentários

  • Tatyana Casarino
    Muito bom, IDE+! Adoro este tipo de conteúdo e aprendizado.

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