Presente na tradição da Igreja e tradicionalmente rezada ao final do Terço, a Salve Rainha é uma das orações Marianas mais conhecidas da Igreja Católica. A origem remonta ao século XI, em um contexto de crises, epidemias e instabilidade na Europa e esse cenário ajuda a compreender as suas palavras e significado.
A tradição mais aceita na Igreja atribui a composição da oração ao monge alemão Herman Contrat, também conhecido como Hermann de Reichenau. Ele a teria escrito por volta do ano 1050, no mosteiro onde vivia. Nascido com graves problemas de saúde e limitações físicas severas, viveu em uma época de muito sofrimento coletivo: fome, doenças e conflitos eram constantes. Foi neste contexto que surgiu uma oração que apresenta a dor humana diante de Deus com confiança.
“A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas” é uma experiência real de sofrimento, tanto pessoal quanto social. Ainda assim, não termina na dor: aponta para Maria como “Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança”, em um movimento que reconhece a realidade do sofrimento sem perder a esperança.
Com o passar do tempo, a Salve Rainha se difundiu rapidamente entre os monges e, depois, entre todo o povo cristão. Passou a ser uma das principais antífonas Marianas da tradição litúrgica.
Cerca de um século após sua composição, um acontecimento marcou a forma como a oração é conhecida hoje. Durante uma celebração na Catedral de Spira, o monge São Bernardo de Claraval, devoto de Maria, teria acrescentado espontaneamente a invocação: “ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre, Virgem Maria”. A expressão de ternura e confiança foi incorporada à oração e permanece.
Ela espiritualidade cristã diante do sofrimento, que reconhece a condição humana e seus limites, dores e incertezas, e conduz o fiel a olhar para Maria como Aquela que intercede e aponta para Cristo.
Ao chamá-La de “advogada nossa” e pedir que “mostrai-nos Jesus”, a oração é um caminho de confiança que conduz ao encontro com o próprio Deus.
Salve, Rainha,
Mãe de Misericórdia,
vida, doçura, esperança nossa, salve!
A Vós bradamos,
os degredados filhos de Eva.
A Vós suspiramos, gemendo e chorando
neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa,
esses Vossos olhos misericordiosos
a nós volvei.
E, depois deste desterro,
nos mostrai Jesus, bendito fruto
do Vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa,
ó doce Virgem Maria.
Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
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