Imagem: reprodução site oficial Associação Carlo Acutis
Por que um jovem de família rica de Milão, que morreu em 2006 aos 15 anos, está sepultado em Assis, a mesma cidade de São Francisco? Porque Carlo Acutis pediu e o pedido revela um dos vínculos mais bonitos entre dois santos de séculos diferentes.
São Carlo Acutis, canonizado em 27 de abril de 2025 pelo Papa Francisco no Jubileu dos Adolescentes, tinha por São Francisco de Assis uma devoção intensa e articulada, além de identificação espiritual com o homem que chamava de “santo eucarístico, santo da comunidade, santo cristológico“, segundo relato de sua mãe, Antonia Salzano. E com a honestidade que marcava seu caráter, Carlo completava: queria ser santo, mas não como São Francisco “porque São Francisco era muito difícil de imitar.”

Carlo visitava a cidade com regularidade, ia com frequência à Porciúncula, o pequeno oratório onde Francisco orou toda a vida e onde morreu em 1226, e à Basílica de São Francisco. “A cidade onde se sentia mais feliz era Assis porque aqui se respirava algo especial que não se respirava em outras cidades”, contou Antonia Salzano no colóquio organizado pela Diocese de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino em outubro de 2020.
Quando a mãe perguntou ao filho o que achava de adquirir um nicho no cemitério da cidade, Carlo respondeu que ficaria muito feliz e que lhe parecia “uma ideia muito bonita.” Antonia interpretou a resposta como sua disposição testamentária. Carlo morreu em 12 de outubro de 2006. Foi sepultado em Assis e, posteriormente, transferido para uma capela no Santuário do Despojamento, exatamente o lugar onde Francisco, séculos antes, havia deixado tudo, até a roupa do corpo, para seguir Jesus.
Em 2004, Carlo ganhou uma cachorrinha chamada Briciola, “migalha” em italiano. Ela nasceu em 4 de outubro. O dia de São Francisco de Assis. E morreu em 2019, também em 4 de outubro.
Antonia Salzano contou a história no livro “O segredo do meu filho”, citado no perfil @centralcarloacutis no Instagram: “Em 2019, Briciola, cachorra de Carlo, foi para o céu. Eu era muito apegada a ela porque, especialmente após a partida do meu filho, tornara-se para mim uma espécie de relíquia viva. Também nessa ocasião, Carlo me deu um belo sinal: apareceu em um sonho com Briciola nos braços de um padre na mesma noite em que a cachorra morreu. Afinal, Carlo, já em vida, tinha certeza de que os animais não acabariam no nada.”
O que São Francisco quis nos mostrar com o Cântico das Criaturas?
Quem peregrina a Assis encontra Francisco na Basílica e Carlo no Santuário do Despojamento. São oito séculos de distância e uma cidade em comum. O Vatican News registrou que após a canonização de Carlo, em setembro de 2025, milhares de pessoas se dirigem diariamente ao Santuário do Despojamento.
Francisco despojou-se de tudo diante do pai e do bispo de Assis. Carlo despojou-se do que um jovem de 15 anos de família rica poderia ter, como fama, conforto, distração, para ser o que escolheu ser: um amigo de Jesus na Eucaristia.
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