O namoro cristão pode ser um tempo muito importante de discernimento vocacional, no qual dois jovens buscam compreender, diante de Deus, se são chamados ao Sacramento do Matrimônio.
Em uma sociedade que frequentemente reduz os relacionamentos a experiências passageiras, é essencial lembrar que o amor humano está ligado à vocação. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 1604):
“Deus, que criou o homem por amor, também o chamou ao amor.”
Se o amor é chamado, precisa ser discernido. Amar segundo a vontade de Deus exige consciência, maturidade e oração.
O namoro é um período privilegiado para discernir se Deus chama o casal ao Sacramento do Matrimônio. Em uma matéria publicada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) por ocasião do Dia dos Namorados (12 de junho), o assessor da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, Padre Crispim Guimarães, explicou:
O namoro cristão incorpora novas realidades, exigências e graças que são importantes estarem bem presentes na caminhada vocacional. Namorar é muito mais do que um passa tempo, ou para suprir carências, é diferente de estudar, é coisa séria e bonita, até mesmo para quem descobre a vocação ao sacerdócio e à vida religiosa, antes de assumir tal compromisso”, afirma Padre Crispim Guimarães.
A Pastoral Familiar da CNBB oferece um subsídio específico chamado “Itinerário para Namorados”, que propõe encontros formativos, reflexões e acompanhamento espiritual para ajudar os jovens a amadurecer o amor e discernir a vocação matrimonial. A Igreja trata o namoro como parte de um projeto maior, que é o projeto de Deus para a vida de cada pessoa.
Discernir no namoro é perguntar com sinceridade se “esta relação me aproxima do amor ao qual Deus me chama”? São João Paulo II, na exortação apostólica Familiaris consortio (n. 80), ensina que a pastoral deve acompanhar os jovens para que sejam preparados “para a vida matrimonial, ajudando-os a descobrir e a viver a própria vocação”.
O discernimento é maturidade espiritual, pois discernir é escutar Deus na própria história. No documento final do Sínodo dos Jovens (2018), aprovado pelo Papa Francisco, a Igreja afirma que o discernimento é um processo espiritual que ajuda a reconhecer a ação de Deus na própria vida. O Papa ensinou que discernir exige três atitudes: escuta, interpretação e escolha. Aplicado ao namoro, significa:
Buscar direção espiritual, participar da comunidade e dialogar com casais experientes são atitudes que fortalecem a caminhada. À luz do ensinamento da Igreja, algumas perguntas ajudam no discernimento:
O discernimento verdadeiro gera serenidade, mesmo quando a decisão é difícil. Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, Bispo de Campos (RJ), escreveu em um artigo sobre a perda do encanto e o prejuízo causado pela pressa.
“Um namoro cristão, mesmo que não termine em casamento, será capaz de convalidar um aprendizado humano, e um legado de verdadeira amizade. Quando perdemos o olhar de fascínio e reverência que nos desperta a pessoa que amamos e admiramos, não deve surpreender-nos o estranhamento, fastio e tédio com que encerram os relacionamentos conjugais. O casamento é resultado de um processo de conhecimento de um amor que espera, respeita, enobrece, valoriza e nunca perde a capacidade de encantamento e deslumbramento”, alertou Dom Roberto Francisco.
Para dar continuidade ao discernimento sobre o namoro, é recomendável que busque direcionamento espiritual na sua paróquia.
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