Rezar o Pai-Nosso, pedir a Jesus, recorrer a Maria e invocar os santos faz parte da rotina de muitos fiéis, mas nem sempre fica claro por que fazemos essas coisas de formas diferentes e o que cada uma delas significa do ponto de vista da fé. A resposta está na distinção entre dois tipos de oração: a oração direta e a oração intercessória. Entenda quais as diferenças e base de cada uma.
A oração direta é aquela que o fiel dirige a Deus: ao Pai, ao Filho ou ao Espírito Santo, sem intermediários. É a oração mais fundamental da vida cristã. Jesus mesmo a ensinou: “Quando orardes, dizei: Pai nosso que estais no céu” (Lucas 11,2). E prometeu: “Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos dará” (João 16,23).
O Catecismo da Igreja Católica define a oração como “uma relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro” (CIC § 2558). Por isso, jamais são entendidas como protocolo ou uma fórmula, mas como um encontro. Nesse sentido, a oração direta a Jesus, ao Pai ou ao Espírito Santo é sempre válida, sempre acolhida e sempre o coração da vida espiritual cristã.
Jesus é o único Mediador entre Deus e os homens, como afirma São Paulo: “Há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2,5). Isso significa que toda graça vem por Ele e que nenhum outro, nem mesmo Maria e nem os santos, podem substituir essa relação direta com Cristo.
A oração intercessória é a oração de petição feita em favor de outra pessoa, ou pedida a outra pessoa em favor de quem ora. “A intercessão é uma oração de petição que nos conforma de perto com a oração de Jesus. É Ele o único intercessor junto do Pai em favor de todos os homens” (CIC § 2634).
Na intercessão, pedimos a alguém que reze por nós e isso não é exclusivo dos santos, pois a Bíblia exorta os cristãos a intercederem uns pelos outros: “Orai uns pelos outros para serdes curados” (Tiago 5,16). São Paulo pedia a intercessão de suas comunidades: “Lutai juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus” (Romanos 15,30). Quando a Igreja pede a intercessão de Maria e dos santos, o princípio é o mesmo, ampliado pela doutrina da Comunhão dos Santos.

Os santos, após a morte, não estão ausentes. Eles estão diante de Deus, e por isso podem interceder por nós.
“Não deixam de interceder por nós ante o Pai. Apresentam, por meio do único Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, os méritos que adquiriram na Terra. (…) Sua solicitude fraterna ajuda muito à nossa debilidade” (CIC § 956).
Maria ocupa um lugar singular nessa comunhão. Elevada ao céu em corpo e alma, ela é presente na missão da Igreja. O Catecismo afirma que, “depois de elevada ao céu, não abandonou esta missão salvadora, mas, com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna” (CIC § 969).
Pedir a Maria que “rogue por nós”, como fazemos na Ave-Maria e na Salve Rainha, é exatamente pedir que ela, como Mãe e Intercessora, leve nossa oração a Jesus, não substituindo Cristo por Maria, mas reconhecendo que Ela, que já O conheceu de perto, continua ao Seu lado e ao nosso.
Toda intercessão, seja humana, seja celestial, passa pelo único Mediador, que é Cristo. Maria e os santos não têm poder próprio de salvar, mas oram junto da Igreja e pela Igreja, sempre em nome de Jesus. Uma forma de compreender é: pedir a um amigo que reze por você. Isso não significa que não confia em Deus. Significa que acredita no poder da oração comunitária. Quando pedimos a intercessão de Maria ou de um santo, fazemos o mesmo, com a convicção de que essas almas, já unidas a Deus, rezam por nós com uma proximidade que não conhecemos na Terra.
Orar diretamente a Jesus e pedir a intercessão de Maria e dos santos são dimensões complementares da mesma fé, que reconhece em Cristo a fonte de toda graça e, na Comunhão dos Santos, a beleza de uma Igreja que não se encerra com a morte.
Como explicou Padre Reginaldo Manzotti sobre o tema:
“Sabemos que o único intercessor entre Jesus e Deus é o próprio Jesus Cristo. Porém, até chegar a Jesus, os santos são intercessores. Nossa Senhora é a advogada, mas o único a interceder perante Deus é Jesus. Outras religiões falam que estamos errados, porque na Bíblia está escrito que o único intercessor é Jesus Cristo, isto é verdade. Entretanto, muitos se esquecem que primeiro temos que chegar até Jesus. É nesta chegada até Ele que está a Mãe e os santos como intercessores.”
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