Pesquisa investiga a relação entre não sentir cheiro e a Doença de Parkinson

Pesquisa investiga a relação entre não sentir cheiro e a Doença de Parkinson
Por Camila Calaudiano e Bruna Alvares
Edição: Alice Lima/AE

Sentir o cheiro do almoço sendo preparado, da grama sendo cortada ou daquele perfume que lembra alguém são experiências naturais que fazem parte do dia a dia. A perda dessa sensibilidade pode ser um indicativo de doenças. Uma delas é a de Parkinson, como indica uma pesquisa da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Há ainda outros sintomas precoces, como distúrbios de humor e transtorno comportamental do sono. Já os tremores são considerados manifestações mais avançadas da doença. A doutora em Farmacologia pela UFPR Laís Rodrigues, que pesquisa o tema, explica.

“Esse distúrbios só começam a aparecer quando a Doença de Parkinson já está em uma fase mais tardia. Enquanto isso, a gente tem a presença de diversos distúrbios não motores, que podem aparecer até décadas antes do diagnóstico clínico do paciente. Um deles, e normalmente o primeiro a surgir, é o distúrbio olfatório”, esclarece a pesquisadora.

O trabalho de Laís Rodrigues, orientado pelo Prof. Dr. Marcelo de Meira Santos Lima, investiga de que forma esse distúrbio se manifesta e busca medidas para facilitar o diagnóstico clínico precoce. Ela também estuda um medicamento que possa reverter a condição relacionada ao olfato. No método usado, a doença é induzida em ratos, no laboratório, para testar a sensibilidade deles aos cheiros.

De acordo com os resultados obtidos até o momento, os animais não reconhecem a diferença de odores de ambientes distintos. Ou seja, perdem essa noção e sensibilidade do olfato. A pesquisa não realizou testes com humanos. “A gente não tem um diagnóstico clínico no Brasil que indique que o paciente tem Parkinson a partir do distúrbio olfatório”, reforça a pesquisadora.

Pesquisadora realiza testes em ratos no laboratório

Há cura para Doença de Parkinson?

Ainda não há cura para Parkinson, mas a busca pelo diagnóstico precoce, a partir dos sintomas iniciais, como a perda do olfato, pode ajudar a identificar a doença em estágios menos ofensivos. Quando é diagnosticada mais cedo, a qualidade de vida do paciente pode ser muito melhor, assim como a redução do avanço da doença a partir do tratamento adequado.

Diagnosticar a doença não é simples. Exige acompanhamento regular com médico neurologista. Apesar dos exames realizados ao longo das consultas, o diagnóstico é baseado, principalmente, nas conversas com os pacientes sobre suas queixas, reação a medicamentos e testes. “Não dá pra falar na primeira consulta se um paciente tem Parkinson ou não, porque há outras condições que simulam a doença. então a gente tem que ter esse cuidado e esse acompanhamento bem próximo do paciente”, explica a neurologista Patrícia Bonilha, especialista em Distúrbios do Movimento e Doença de Parkinson.

O único método de tratamento com resultado comprovado por pesquisas já publicadas, como a intitulada “Efeito a longo prazo da atividade física regular e hábitos de exercício em pacientes com Doença de Parkinson precoce” (tradução livre), publicada na revista científica Neurology, é o exercício físico. É o que reforça a neurologista.

“O exercício físico é o único tratamento neuroprotetor que nós temos disponível no mundo inteiro. Ele, sim, pode ajudar a diminuir a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente. Então temos tratamento com medicamento, em alguns casos tratamento cirúrgico, mas sempre, sempre, o exercício físico e ele é que vai dar muita qualidade de vida pro paciente”, enfatiza.

 

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