Era uma quarta-feira de setembro. Papa João Paulo II estava no Castel Gandolfo quando foi informado por telefone sobre os ataques e, em seguida, se recolheu imediatamente em oração na capela do Palácio Apostólico. Em seguida, enviou um telegrama ao presidente dos Estados Unidos à época, George W. Bush, seis linhas escritas em letras de forma, mas com palavras que expressavam a dor do mundo inteiro. O Pontífice chamou os atentados de “desumanos” e aquele momento de “sombrio e trágico”.
Vinte e cinco anos depois, o horror daquele 11 de setembro de 2001 é uma ferida da história contemporânea, que levou a quase três mil vidas perdidas e famílias que nunca se refizeram completamente.
Na audiência geral da quarta-feira seguinte ao ataque, 12 de setembro de 2001, Papa João Paulo II pediu que não houvesse aplausos. Os fiéis ficaram em silêncio respeitoso. “Ontem foi um dia sombrio na história da humanidade, uma terrível afronta à dignidade do homem”, afirmou o Pontífice, conforme narra Vatican News. Diante da pergunta que estava no coração de todos, “como podem acontecer episódios de tamanha selvageria?”, o Papa apontou para Cristo como fundamento da esperança: aquele que faz com que “o mal e a morte não tenham a última palavra.”
No ano seguinte, em 11 de setembro de 2002, durante a audiência geral, João Paulo II reafirmou que “o terrorismo é e será sempre uma manifestação de ferocidade desumana” e “a opressão, a violência armada e a guerra são escolhas que semeiam e geram apenas ódio e morte”. A conclusão era um apelo à razão e ao amor como “meios válidos para superar e resolver as disputas entre as pessoas e os povos.”
Naquele mesmo setembro de 2001, em Roma, acontecia o 180º Capítulo Geral Ordinário da Ordem de Santo Agostinho. Entre os participantes estava o padre Robert Francis Prevost, norte-americano, o futuro Papa Leão XIV. Em 14 de setembro, no dia de seu aniversário, foi eleito prior-geral. Sete dias depois, presidiu a missa conclusiva dos trabalhos, na Igreja de Santa Maria del Popolo, e falou diretamente sobre os atentados:
“A violência que o mundo viu agir na semana passada nos Estados Unidos é uma expressão trágica de uma série de problemas que estão se agravando em toda parte. O ódio e a violência continuarão a aumentar enquanto existirem tantas pessoas obrigadas a viver em extrema pobreza, oprimidas por tantas formas de injustiça. Enquanto muitos procuram vingança, os agostinianos devem dar testemunho do Evangelho e de seus valores de unidade, diálogo, paz e reconciliação”.
Em 20 de abril de 2008, durante visita apostólica aos Estados Unidos, Papa Bento XVI foi ao Ground Zero. No local onde antes se erguiam as Torres Gêmeas, havia uma profunda cavidade, “quase uma metáfora do abismo do mal”, descreve o Vatican News. Ao redor, um grande canteiro de obras, símbolo da esperança que reconstrói. Em silêncio, o Pontífice acendeu uma vela em memória das vítimas, ajoelhou-se e pediu ao Senhor que “leve a paz a um mundo violento” e conceda à humanidade “a sabedoria e a coragem de trabalhar incansavelmente por um mundo no qual a paz e o amor autênticos reinem entre as nações e nos corações de todos”.
Três anos depois, em carta ao arcebispo de Nova York, Timothy Dolan, no décimo aniversário dos ataques, Papa Bento XVI definiu os atentados como uma “tragédia tornada ainda mais grave pela reivindicação de seus autores de agir em nome de Deus” e convocou a Igreja a afirmar “sem equívocos que nenhuma circunstância pode jamais justificar atos de terrorismo.”
Em 25 de setembro de 2015, o Papa Francisco foi ao Ground Zero, já transformado em memorial com duas grandes piscinas nas bases das antigas Torres, com os nomes das 2.974 vítimas de 90 nacionalidades inscritos nas bordas. Em um encontro inter-religioso, Francisco descreveu os ataques como “um ato insensato de destruição” e falou de uma “dor palpável”, “dilacerante”, que “clama aos céus.”
“A lógica da violência, do ódio e da vingança pode causar apenas dor, sofrimento, destruição e lágrimas. A reconciliação e a unidade vencerão o ódio e a divisão. Somente paz”.
Em 11 de setembro de 2021, no G20 Interfaith Forum em Bolonha, Papa Francisco voltou ao tema: “Não podemos ser indiferentes e neutros” diante da paz. “Nunca mais a guerra, nunca mais uns contra os outros, nunca mais sem os outros!”
No 25º aniversário dos ataques, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB) convocou os fiéis de todo o mundo a se unirem em oração pelas vítimas. Em nota publicada pela Agência Ecclesia em 10 de setembro de 2026, o arcebispo Paul S. Coakley, presidente da USCCB, declarou:
“Convido todos os católicos a juntarem-se a mim na oração pelas vítimas que nos foram tiradas em atos de violência injustificável há 25 anos no World Trade Center, no Pentágono e na zona rural da Pensilvânia. De maneira especial, abraçamos amorosamente em oração as famílias e amigos das vítimas, que ainda lamentam a perda irreparável de seus entes queridos naquele dia.”
O arcebispo Timothy Broglio presidiu uma Santa Missa solene na Basílica do Santuário Nacional da Imaculada Conceição, em Washington, transmitida ao vivo, em honra das vítimas e dos socorristas.
Deus de amor, compaixão e cura
olhai o povo de muitos credos
e tradições diferentes,
que se reúne hoje neste lugar,
cenário de violência e dor indizíveis.Pedimos-vos na vossa bondade,
que concedais luz e paz eternas
a todos aqueles que morreram aqui
àqueles que foram os primeiros
a responder heroicamente:
os nossos bombeiros, policiais,
agentes do serviço de emergência,
funcionários da Autoridade portuária,
juntamente com todos os homens
e mulheres inocentes,
vítimas desta tragédia
somente porque o seu trabalho e o seu serviço
os trouxeram aqui
no dia 11 de Setembro de 2001.Pedimos-vos, na vossa misericórdia,
que concedais a consolação a quantos,
por causa da sua presença aqui naquele dia,
sofrem por feridas e doenças.Curai também a dor das famílias
ainda em luto
e de todos aqueles que perderam
os seus entes queridos
nesta tragédia.Dai-lhes a força para continuar a viver
com coragem e esperança.Recordamos também
quantos padeceram a morte, prejuízos e perdas
nesse mesmo dia no Pentágono
e em Shanksville, na Pensilvânia.O nosso coração está unido ao seu,
enquanto a nossa oração
abraça a sua dor e o seu sofrimento.Deus da paz, trazei a vossa paz
ao nosso mundo violento:
paz ao coração de todos os homens e mulheres
e paz entre as Nações da Terra.Orientai para o vosso caminho de amor
quantos têm o coração e a mente
consumidos pelo ódio.Deus de compreensão,
esmagados pela enormidade desta tragédia,
procuramos a vossa luz e a vossa guia,
enquanto enfrentamos acontecimentos terríveis
deste tipo.Fazei com que aqueles, cuja vida foi poupada,
possam viver de tal modo
que as vidas perdidas aqui
não tenham sido em vão.Confortai-nos e consolai-nos,
revigorai-nos na esperança
e concedei-nos a sabedoria e a coragem
para trabalhar incansavelmente por um mundo
onde reinem a paz e o amor verdadeiros
entre as Nações e no coração de todos.
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