São José aceitou, protegeu, partiu, voltou, trabalhou e ensinou um ofício ao filho. Fez tudo isso sem que os Evangelhos registrassem uma única frase sua. Foi assim que educou o Filho de Deus. No mês em que a Igreja no Brasil reflete sobre as vocações, o Dia dos Pais traz a reflexão sobre como manter Jesus no centro da vida de casa.
Seis atitudes concretas, extraídas do ensinamento da Igreja e do exemplo de São José:
1. Rezar junto e não apenas mandar rezar. A oração feita em conjunto, antes das refeições, ao acordar ou antes de dormir, comunica o que nenhuma instrução verbal alcança. O filho vê o pai ajoelhado.
2. Levar a fé para a conversa comum. O livro do Deuteronômio situa a transmissão da fé no caminho, na mesa, na hora de dormir: “Tu as inculcarás a teus filhos e delas falarás quando estiveres em casa e quando estiveres a caminho, ao deitares e ao levantares” (Dt 6,6-7). Falar de Deus fora dos momentos formalmente religiosos é o que torna a fé linguagem da casa, e não assunto de domingo.
3. Participar da Missa como família. A presença de todos, e não apenas de parte da família, comunica que a fé pertence a todos igualmente.
4. Ensinar pelo trabalho. José era carpinteiro e ensinou o ofício a Jesus. O modo como um pai trabalha, cumpre compromissos e trata quem depende dele educa tanto quanto qualquer palavra.
5. Estar presente sem precisar de ocasião especial. A Carta Apostólica Patris Corde insiste na ternura e na presença cotidiana. Constância vale mais que intensidade eventual.
6. Reconhecer os próprios erros diante dos filhos. Pedir desculpas ensina humildade, arrependimento e reconciliação (três realidades centrais da vida cristã) de forma mais concreta que qualquer catequese.
Segundo o Catecismo da Igreja Católica, os pais são os primeiros responsáveis pela educação na fé dos filhos. O documento estabelece:
“Os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os filhos. Por isso os iniciarão desde tenra idade nos mistérios da fé, da qual são para os filhos os ‘primeiros arautos'” (CIC § 2225).
A orientação é antiga e explicitamente doméstica. No Deuteronômio, a transmissão da fé acontece em casa, no caminho, ao deitar e ao levantar.
Na audiência geral de 5 de janeiro de 2022, dedicada a São José, Papa Francisco fez uma distinção que vale para qualquer pai: “Não é suficiente pôr um filho no mundo para dizer que também somos pais ou mães”.
Em seguida, citou sua própria Carta Apostólica Patris Corde: “Não se nasce pai, torna-se tal. E não se torna pai apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exerce a paternidade a seu respeito.”
Publicada em 8 de dezembro de 2020, a Patris Corde é o documento em que Papa Francisco reúne o que os Evangelhos deixam entrever da paternidade de José.
“Com coração de pai: assim José amou a Jesus”, escreve o Pontífice na abertura. E detalha adiante: “José via Jesus crescer ‘em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens’ (Lc 2,52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar segurando-O pela mão: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer.”
“No final de cada história em que José é o protagonista, o Evangelho observa que ele toma consigo o Menino e sua mãe e faz o que Deus lhe ordenou.” A tarefa de José, resume Francisco, é proteger Jesus e Maria, “o tesouro mais precioso da nossa fé”, segundo a Patris Corde.
O Mês Vocacional trata do chamado ao sacerdócio, à vida religiosa, ao laicato e ao serviço catequético. A vocação familiar, porém, antecede todas elas é em casa que a maioria das pessoas ouve pela primeira vez o nome de Deus Neste Dia dos Pais, vale lembrar que o homem a quem Deus confiou o cuidado do próprio Filho não deixou uma linha escrita, mas o exemplo.
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