Eram 31 graus na Praça da Liberdade de Castel Gandolfo quando o Papa Leão XIV apareceu na janela do Palácio Apostólico para rezar o Angelus com os milhares de fiéis reunidos ali embaixo, em 12 de julho. O primeiro Angelus do verão europeu em 2026 na residência papal, retomada pelo Pontífice como destino de descanso após anos fechada ao público, e também uma das mensagens mais diretas e acolhedoras que ele dirigiu aos fiéis.
Antes de recitar a oração mariana, Papa Leão XIV comentou o Evangelho do dia: a parábola do semeador, narrada por São Mateus (Mt 13,1-23). O que disse foi, ao mesmo tempo, uma catequese, um convite espiritual e uma palavra de consolo para quem se sente terreno difícil.
O Papa centrou sua reflexão na generosidade do semeador da parábola, aquele que lança a semente em todos os tipos de solo, sem calcular as probabilidades de colheita.
“É verdade que, às vezes, encontra em nós um terreno duro e insensível; outras vezes, um terreno distraído, semelhante ao solo pisoteado dos caminhos, ao terreno pedregoso ou aos matorrais de espinhos”, afirmou o Pontífice. “Mas há momentos em que encontra uma terra receptiva e fértil, e então se produzem milagres de amor capazes de transformar tudo”.
O semeador da parábola é Jesus: “o Verbo feito carne, que deu a sua vida pela nossa salvação”, a semente que o Pai continua a lançar no mundo para que, ao morrer, produza muito fruto. E acrescentou:
“Deus não deixa de acreditar em nós e naquilo que podemos nos tornar dia após dia, se nos abandonarmos a Ele.”
Citando São João Crisóstomo e São Paulo, o Papa destacou que, quando a semente encontra terra acolhedora, nascem os frutos do Espírito Santo: “amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio” (Gal 5,22). E concluiu: “Quanto o nosso mundo precisa destes frutos, de ser preenchido e transformado por eles!”
Após o Angelus, Leão XIV voltou o pensamento ao agravamento do conflito no Oriente Médio e à crise na Ucrânia, dois contextos concretos nos quais esses frutos do Espírito fazem falta urgente.
Antes de recitar a oração mariana, o Papa dirigiu um convite especial a quem vive este período de férias. As palavras foram publicadas na íntegra pelo Vatican News: ao descanso e ao saudável entretenimento, Leão XIV pediu que se acrescente “a escuta, a leitura e a meditação da Palavra de Deus, bem como momentos de silêncio e oração”, para que, ao retornar às ocupações habituais, os fiéis estejam “renovados no corpo e no espírito, prontos para anunciar a Boa Nova do Evangelho e cada vez mais capazes de cooperar no crescimento do Reino de Deus.”
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