Papa Leão XIV almoça e reza com agostinianos em Roma. Foto: agostinianos.org
A eleição do Papa Leão XIV também trouxe mais visibilidade para a Ordem de Santo Agostinho. Desde que o novo Pontífice apareceu pela primeira vez na sacada da Basílica de São Pedro, o termo “agostiniano” passou a despertar curiosidade entre católicos interessados em compreender melhor a espiritualidade que acompanha a trajetória do Papa.
Leão XIV pertence à Ordem de Santo Agostinho (O.S.A.), comunidade religiosa inspirada nos ensinamentos de Santo Agostinho, um dos maiores pensadores da história do cristianismo. Além de Sacerdote, o Papa também é frade agostiniano, título dado aos religiosos que vivem em comunidade seguindo o carisma e a regra da ordem. Ser agostiniano significa assumir uma espiritualidade de vida fraterna, pela busca da verdade, pela interioridade e pela procura constante de Deus por meio da oração, do estudo e da convivência comunitária.
O Papa Leão XIV ingressou no noviciado da Ordem de Santo Agostinho em 1977, na Província de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Saint Louis, no estado do Missouri, nos Estados Unidos. Anos depois, aos 27 anos, foi enviado pela ordem para Roma, onde estudou Direito Canônico na Pontifícia Universidade Santo Tomás de Aquino. A ordenação sacerdotal aconteceu em 19 de junho de 1982.

Foto oficial do Papa Leão – Vatican Media
Após um período missionário no Peru, entre 1985 e 1986, atuando na missão de Chulucanas, em Piura, retornou aos estudos e concluiu doutorado com a tese: “O papel do prior local na Ordem de Santo Agostinho”. A formação religiosa, intelectual e pastoral foi construída na tradição agostiniana, marcada pelo equilíbrio entre vida comunitária, missão e aprofundamento espiritual.
Apesar do nome, a Ordem de Santo Agostinho não foi fundada diretamente por Santo Agostinho. A comunidade surgiu oficialmente no século XIII, quando o Papa Inocêncio IV decidiu unir diversos grupos eremíticos espalhados pela região central da Itália. A unificação foi formalizada em 1244 através da bula Incumbit nobis, que determinou que esses grupos adotassem:
Anos depois, em 1256, o Papa Papa Alexandre IV promoveu uma nova reorganização conhecida como “Grande União”, integrando outras comunidades religiosas à ordem através da bula Licet Ecclesiae catholicae. Então, os agostinianos passaram a integrar oficialmente o grupo das chamadas Ordens Mendicantes, ao lado de franciscanos, dominicanos e carmelitas.

Frase que inspira a Ordem de Santo Agostinho
A espiritualidade agostiniana é inspirada em uma passagem dos Atos dos Apóstolos que descreve a vida das primeiras comunidades cristãs:
“Ter um só coração e uma só alma voltados para Deus.”
Diferentemente de tradições mais voltadas ao isolamento individual, os agostinianos valorizam a convivência comunitária. Por isso, a amizade espiritual, o diálogo, a partilha e a vida em fraternidade ocupam lugar importante na Ordem. Existe também um forte incentivo ao estudo e à busca intelectual, pois Santo Agostinho compreendia fé e razão como caminhos complementares na procura pela verdade.
Santo Agostinho nasceu em 354 d.C., na cidade de Tagaste, região que atualmente pertence à Argélia, como Aurélio Agostinho e sua juventude foi de busca intelectual e existencial. Ainda jovem, mudou-se para Cartago, atual Tunísia, para estudar retórica. Mais tarde, passou por Roma e Milão, onde alcançou prestígio acadêmico ao ocupar a cátedra de retórica da casa imperial. Durante muitos anos, viveu distante do cristianismo. A conversão aconteceu gradualmente, influenciada especialmente pelas orações de sua mãe, Santa Mônica, e pela convivência com Santo Ambrósio.
Batizado em 387, Agostinho passou a se dedicar integralmente à vida religiosa. Em 391 foi ordenado Sacerdote em Hipona e, quatro anos depois, passou a ser Bispo da cidade. Além da atuação pastoral, deixou algumas das obras mais importantes da história do cristianismo, como Confissões e A Cidade de Deus.
A Ordem de Santo Agostinho está presente em dezenas de países e reúne cerca de 2,6 mil religiosos. A chamada “Família Agostiniana” também inclui outros ramos inspirados na mesma espiritualidade, como Agostinianos Recoletos, Agostinianos Descalços e congregações missionárias femininas.
Essa tradição religiosa é reconhecida pelo valor da interioridade, o combate à superficialidade espiritual, a importância da vida comunitária e a busca sincera pela verdade.
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