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O Papa Leão XIV recebeu alta do Hospital Agostino Gemelli, em Roma, no sábado (17), quatro dias depois de ser operado por um adenocarcinoma pulmonar, o tipo mais comum de câncer no pulmão. Na manhã seguinte, domingo (18), apareceu na janela da Residência Apostólica para rezar o Angelus com cerca de 15 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro. “Desejo agradecer a todos aqueles que rezaram por mim nestes últimos dias”, disse ao cumprimentar a multidão. O Vaticano informou que a recuperação segue dentro do esperado e que o Papa deve retomar a agenda regular na quarta-feira (21).
A cirurgia aconteceu na manhã de 13 de outubro. Pelo método de videotoracoscopia, os médicos removeram o lobo inferior do pulmão direito em uma operação de 90 minutos. O exame histológico do tecido retirado confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma. O Vaticano informou que o procedimento transcorreu sem intercorrências e que o Papa acordou da anestesia normalmente. Durante a internação, ele caminhou, voltou a se alimentar regularmente, celebrou a Santa Missa e realizou fisioterapia respiratória.
O anúncio do diagnóstico partiu do próprio Leão XIV. Em 11 de outubro, dois dias antes da cirurgia, ele comunicou aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro, após o Angelus, que exames de rotina tinham detectado um nódulo no pulmão “em um estágio muito inicial e bem delimitado.” A postura foi elogiada como um sinal de transparência. O cirurgião responsável pela operação, Stefano Margaritora, informou que não há razões clínicas para cancelar a viagem do Papa à América do Sul, prevista para 6 a 17 de novembro, com passagem por Peru, Uruguai e Argentina.
O Vaticano ainda não divulgou se haverá tratamento complementar, como quimioterapia ou imunoterapia. Dependendo das características genéticas do tumor, os protocolos podem incluir essas modalidades ou terapia oral direcionada.
O histórico familiar de Leão XIV com a doença existe: sua mãe, Mildred, morreu de câncer em 1990 e seu pai faleceu em 1997 de câncer de cólon combinado com doença cardíaca. O seu irmão mais velho está em tratamento contra um câncer diagnosticado em 2017.
Na história moderna do papado, o único caso anterior documentado de câncer em um pontífice é o de João XXIII, que foi diagnosticado com câncer de estômago em 1962, enquanto presidia o Concílio Vaticano II. Na época, em um cenário muito diferente do atual, o Vaticano não divulgou a gravidade do quadro e os fiéis só souberam da doença após a morte do Papa, em 3 de junho de 1963. No contexto da época, a possibilidade de uma cirurgia chegou a ser descartada internamente. Papa João XXIII tinha 81 anos quando morreu.
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