Outubro é mundialmente celebrado na Igreja Católica como o “mês das missões”. Quando olhamos para as orientações do Vaticano e para os projetos acompanhados pela SIGNIS, vemos um apelo urgente: a nossa comunicação e a nossa ação social precisam ser verdadeiramente missionárias. Mas o que significa ser missionário no século XXI?
Não se trata apenas de ir para terras distantes, mas de colocar os nossos talentos, a nossa profissão e o nosso conhecimento técnico a serviço da transformação da realidade ao nosso redor. Para o jovem que está na faculdade, iniciando o primeiro estágio ou igual a tantas pessoas que ainda buscam entender o seu papel no mundo, a palavra “missão” pode soar abstrata. Na verdade, ter uma missão é ter um propósito claro para a vida. É acordar de manhã sabendo que o seu estudo, o seu trabalho e as suas escolhas diárias não servem apenas para pagar boletos, acumular diplomas ou alimentar a dependência digital de rolar feeds e checar notificações sem parar, mas para deixar o mundo um pouco melhor do que você o encontrou.
Ao mesmo tempo, vivemos imersos na era digital. Já reparou que você fala de uma viagem ou pesquisa um produto e, em menos de cinco minutos, as redes sociais jogam dezenas de anúncios perfeitos na sua tela? Os algoritmos do TikTok, do Instagram ou do YouTube parecem adivinhar nossos pensamentos e desejos imediatos. Eles cruzam bilhões de dados, analisam nosso comportamento online e entregam exatamente o conteúdo feito para prender nossa atenção pelo maior tempo possível.
A grande questão que nos unifica aqui – sabendo que somos de várias gerações diferentes e que cada geração é tão específica em comparação com as outras – é: se o algoritmo sabe tanto sobre nossos hábitos, ele realmente nos conhece? Ele sabe o que a nossa alma procura no silêncio da noite?
Precisamos encarar esse desafio de frente. Por isso, nas partes I e II deste artigo, vamos refletir sobre alguns aspectos da missão, juventude e propósito em meio às lógicas atuais do algoritmo. Neste texto, encontre duas reflexões. Acompanhe:
Com o avanço acelerado das ferramentas de Inteligência Artificial Generativa – como ChatGPT, Claude e Gemini –, muita gente começou a se perguntar se a IA poderia assumir o papel de evangelizadora. Eu mesmo ainda estou nesse impasse e, por isso, tenho usado essas plataformas principalmente como apoio para análise e verificação. Afinal, o robô quando recebe as orientações corretas do ser humano, é capaz de montar resumos da Bíblia, sugerir pautas para o grupo e estruturar reflexões teológicas em poucos segundos. A resposta curta e clara é: a tecnologia pode organizar a informação, mas só o ser humano puder vivenciar e testemunhar a fé exercendo uma verdadeira missão.
O Magistério da Igreja Católica tem insistido bastante nessa distinção. Na Nota do Vaticano Antiqua et Nova (publicada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé e pelo Dicastério para a Cultura e a Educação), a Igreja reforça que é um erro grave equiparar a Inteligência Artificial à inteligência humana. A máquina não possui consciência moral, não tem corpo, não sente dor, não vive a alegria e não tem fé – ou seja, ela não pode dar testemunho daquilo que viu, viveu e sentiu. A IA processa dados; ela é uma “Inteligência que Calcula“, criada pela engenhosidade humana. Nós, por outro lado, possuímos uma “Inteligência que Vive“, animada pelo sopro divino, capaz de amar, discernir o bem e criar laços de comunhão com Deus e com o próximo.

Como destaca a mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais: “O rosto e a voz são sagrados… foram-nos doados por Deus que nos criou à Sua imagem e semelhança”. O ChatGPT pode ser um excelente copiloto para otimizar pesquisas e organizar rotinas, mas a evangelização exige testemunho de vida e vida relacional. Uma ferramenta não reza, não chora e não faz a experiência do abraço nem do perdão.
Na gestão de organizações, aprendemos que a missão se cumpre no rigor do trabalho diário. Quando preparamos um relatório técnico, organizamos reuniões de articulação com gestores públicos ou acompanhamos projetos sociais, estamos exercendo a nossa vocação. A eficiência profissional e a ética são o testemunho mais poderoso que um especialista pode dar.
Entretanto, a falta de lideranças preparadas (independentemente da quantidade de diplomas que tenham cursado ou da ausência deles) e éticas compromete o futuro de muitas organizações. Não basta ter boas intenções; é preciso dominar metodologias, entender de gestão de riscos e saber planejar a longo prazo. A juventude e os gestores que já atuam precisam se capacitar intelectual e tecnicamente para ocupar espaços de decisão nas empresas, no setor público e nas organizações da sociedade civil.
Para que a nossa atuação e a nossa comunicação não se tornem vazias ou artificiais, precisamos reconhecer os limites éticos e teológicos da tecnologia:
Se você gostou desse conteúdo do Geizom Sokacheski, acompanhe o portal IDe+ para ler a continuação deste artigo na parte II. Enquanto isso, leia outros textos desse colunista:
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