Entre a romantização e a amargura nas redes sociais, como encontrar o equilíbrio?

Entre a romantização e a amargura nas redes sociais, como encontrar o equilíbrio?

Nas redes sociais, observamos um fenômeno curioso: a divisão entre mundos filtrados e críticas ácidas contra tudo.

Os extremos nas redes sociais: o excesso de romantização da vida e os discursos amargos sobre ela

Enquanto uns perfis exageram na “romantização” da vida com fotografias filtradas e a transmissão de rotinas que não representam a realidade, outros esbravejam contra tudo por meio de uma linguagem ácida, pessimista e “sem filtro”. Nenhum desses perfis promove o equilíbrio e a paz. Nota-se que discursos extremistas não fazem bem à saúde mental dos seguidores. Aqueles que propagam a idealização da vida perfeita não contribuem com melhorias na realidade.

Muitas vezes, seguidores sem estrutura familiar e sem maturidade são os que mais sofrem com as ilusões propagadas pelas redes sociais. Ao verificar uma rotina “perfeita” na rede social do outro, o indivíduo se sente culpado e deprimido por não alcançar o mesmo padrão de vida que é enaltecido na internet. Contudo, a maioria das publicações desses perfis “romantizados” não passa de ilusão.

Por trás de uma foto aparentemente realista do cotidiano, há câmeras profissionais, maquiadores, cabeleireiros e uma equipe contratada para transformar uma imagem em uma ilusão. É possível definir o mundo virtual com a seguinte expressão: “fábrica de ilusões”.

A pressão para transformar a vida em uma “novela” virtual não traz felicidade verdadeira para o indivíduo. Diversas vezes, encontramos corações tristes por trás dos falsos sorrisos que vemos nas fotos das redes sociais. A realidade é diferente de tudo o que é mostrado em uma tela. A maioria das rotinas das pessoas é cansativa. Existem momentos de trabalho árduo, alegria, tédio, tristeza, frustração e esperança na jornada de todo mundo.

A vida é feita de ciclos positivos e negativos que se alternam e que geram surpresas na alma humana. A existência não é feita de imagens estáticas num “feed” programado para ser agradável. O cotidiano não precisa ser exibido nas redes sociais. Há dias em que queremos consolo, paz, cura para as feridas da alma e privacidade para buscar força interior. Os discursos extremamente romantizados sobre a vida são insensíveis, porque desconsideram as camadas mais profundas da realidade e as vivências diferentes de cada um.

É fácil pregar sobre a vida perfeita por trás de uma câmara quando há conforto financeiro e ideais que nunca foram desbravados no mundo real. A realidade de cada pessoa é diferente, e não é correto medir o sucesso pelo número de seguidores de alguém. Existem pessoas que vivenciam problemas diferentes dos nossos. Cada um tem uma história repleta de sonhos, feridas emocionais, realizações e frustrações. A desigualdade social e a complexidade da vida humana não combinam com os padrões das redes sociais.

A idealização da vida propagada por imagens cheias de filtros e por discursos extremamente romantizados sobre o cotidiano não é adequada. Por outro lado, aqueles que fazem publicações raivosas e despejam todas as frustrações da sua vida nos seus seguidores não agem com sabedoria nem respeitam o princípio do amor ao próximo.

Cada pessoa carrega as suas próprias dores psíquicas e enfrenta uma batalha invisível. O mundo já está pesado por causa dos inúmeros conflitos, das crises econômicas e das notícias ruins. Sendo assim, discursos ácidos e pessimistas arrancam a esperança dos ouvintes e formam indivíduos repletos de amargura.

A busca pelo equilíbrio e a sensibilidade para captar a beleza da vida

“Meu filho, guarda a sabedoria e a reflexão, não as percas de vista. Elas serão a vida de tua alma e um adorno para teu pescoço. Então caminharás com segurança, sem que o teu pé tropece” (Provérbios 3,21-23). Com base no trecho bíblico citado, é importante afirmar que a prudência, o bom senso e o equilíbrio devem inspirar as decisões de todos aqueles que almejam seguir o caminho do bem. Ao considerar que é essencial ter harmonia no cotidiano, é necessário apresentar algumas reflexões sobre o assunto.

Entre o excesso de romantização da vida e os discursos amargos sobre ela, como encontrar o equilíbrio? A resposta é simples: é preciso diminuir o tempo de tela e acolher a realidade com todas as suas dores e alegrias. Não é necessário colocar algum tipo de filtro para enxergar beleza na vida. Na natureza, Deus já manifestou beleza e perfeição em cada detalhe. O ser humano deve ter sensibilidade para encontrar o encanto escondido na sua própria realidade.

Na experiência de cada desafio, existe uma lição de sabedoria. Quem busca o sentido da vida nas suas lutas diárias encontra a verdadeira felicidade. A felicidade não é uma sensação infinita de alegria nem pode ser definida por uma foto invejável na rede social. Ela é uma conquista multidimensional, pois representa a aceitação da existência e dos aprendizados de cada momento.

Para deixar a vida mais leve, um pouco de romantização pode fazer bem ao indivíduo. Em vez da romantização exacerbada das redes sociais e das ilusões virtuais, a existência ganha verdadeiro romantismo por meio de pequenos gestos: a leitura de um bom livro, um passeio com um amigo, a atenção ao sabor de cada alimento, a apreciação de uma boa música, a leitura de um poema e a manifestação da gentileza no contato com outras pessoas.

Colocar um pouco de romantismo no cotidiano não significa deixar de ter conhecimento sobre as situações difíceis, mas é uma forma de ganhar ânimo para resolvê-las. O equilíbrio consiste em saber enxergar os bons e os maus momentos sem perder a consciência para o orgulho durante as vitórias nem para a amargura durante as etapas mais difíceis da existência.

É preciso aceitar as frustrações e as dores emocionais para ter a coragem de desbravar a realidade com novos ideais. Deus sempre proporciona a força necessária aos Seus filhos diante dos desafios da vida. Mesmo com o conhecimento da realidade, a fé e a esperança devem iluminar a consciência do ser humano. O escritor Ariano Suassuna disse uma frase inspiradora que resume a busca pelo equilíbrio entre o romantismo e a amargura: “O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.”

Dicas de livros para quem busca o equilíbrio e a paz interior

*Alma ferida, alma curada. Autor: Padre Reginaldo Manzotti.

*A arte de encontrar a medida certa de viver. Autor: Anselm Grün.

*A coragem de não agradar. Autores: Ichiro Kishimi e Fumitake Koga.

*Crescer na mudança: como podemos nos tornar mais livres, mais autênticos, mais serenos e mais esperançosos. Autor: Anselm Grün.

*Viver apaixonadamente. Autores: Anselm Grün e Hsin-Ju Wu.

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Quatro dicas práticas para quem deseja iniciar uma jornada de autoconhecimento 

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