Sogras e noras: como manter uma convivência saudável

Sogras e noras: como manter uma convivência saudável

De todos os relacionamentos na vida familiar, o da sogra e da nora é tido como o mais frágil. Disputas, interferências excessivas, rancores muitas vezes sem sentido são alguns dos problemas que costumam acontecer e que deixam toda a relação familiar instável, afetando o bem-estar e o vínculo de todos os envolvidos, inclusive dos avós com os netos.

Por outro lado, uma relação saudável que se estabeleça entre nora e sogra só trará benefícios para a família toda: mas como podemos encontrar o equilíbrio na convivência entre elas?

A paz é possível, acredite!

Existe um preconceito enraizado na nossa sociedade sobre a relação entre as duas mulheres, que acaba contribuindo muito para a construção dessa rivalidade. A verdade é que cada uma delas tem um papel diferente na vida desse homem “em comum”, o qual não deixará de ser filho, mas que precisa, a partir do casamento, se tornar também marido.

Para saber se o preconceito sobre as sogras e as noras não está afetando a sua relação, faça uma pergunta a si mesma: se acaso sua sogra não fosse a mãe do seu marido, ou se a sua nora não fosse a esposa do seu filho, mas fosse uma vizinha sua ou uma professora, você reagiria da mesma forma neste relacionamento? É muito provável que não.

Milena Berenguer, que hoje reside em Lisboa, Portugal, nos fala do acolhimento que sente na sua relação sogra e nora: “A minha sogra é uma pessoa muito amorosa e me sinto muito abraçada por ela, como uma filha, mesmo. Ainda que a relação tenha seus desafios, não é nada que uma conversa sincera e amorosa não seja capaz de resolver. Cada uma precisa fazer a sua parte, com o coração aberto”, conclui.

Também Iolanda Corrêa Rocha, de Porto Alegre/RS, conta ter um relacionamento muito amoroso e respeitoso com suas noras, por quem nutre grande admiração e carinho. “Elas são como minhas filhas. Procuro sempre ver o lado bom delas e tentar ser útil sempre que estivermos juntas”, diz.

Como começa o conflito?

Quando duas pessoas se relacionam amorosamente, cada uma delas traz costumes, tradições, valores e rotinas próprias, que podem ser muito diferentes. Nessa diferença costuma estar a maioria dos problemas de relacionamento e conflitos iniciais.

À medida em que o relacionamento evolui, marido e mulher seguirão amadurecendo juntos e, compartilhando a intimidade sob o mesmo teto, poderão fixar os limites e fazer acordos que respeitem as ideias e os valores um do outro. O casamento, entretanto, trará também a convivência do casal com os demais membros das famílias, relação que não deve se confundir com a conjugal.

Há, porém, filhos e filhas que levam constantemente seus problemas conjugais para a casa dos pais, alimentando a interferência constante da família de origem na vida do casal. Muitas vezes a interferência acontece por dependência financeira, por mimos ou até por falta de maturidade. Filho ou filha recorrem constantemente ao “amparo” dos pais, abrindo uma brecha para que os sogros, por costume (afinal, até aqui, cuidaram da melhor forma dos seus filhos) ou insegurança, deem palpites na vida do casal.

Sobre isso, o Padre Reginaldo Manzotti, no livro “10 respostas que vão mudar sua vida” (Ed. Petra), nos lembra que:

“O casamento necessita de maturidade. Mas, para cada pessoa que se intromete em nossas vidas, existe uma fresta por meio da qual permitimos essa intromissão. Se o papel do pai, da mãe, do sogro e da sogra nessa união está extrapolando os limites, é preciso verificar onde está essa fresta e fechá-la”.

É importante, ainda, que filhos, genros e noras observem se a mãe ou sogra não está passando pela Síndrome do Ninho Vazio. Já falamos sobre ela aqui no portal IDe+. Por conta dela, jovens adultos podem sentir-se culpados por estarem se afastando dos pais e acabam se autossabotando. O psicólogo Akim Neto nos lembrou que uma revisão da identidade e dos limites do papel parental é necessária em casos assim.

“Precisamos entender a dor do outro”

Para resolver esse tipo de desentendimento, é essencial buscar fortalecer a cumplicidade do casal, estabelecendo limites capazes de proteger a sua relação íntima e também a relação da nova família. Deve o casal decidir, em conjunto, como irá levar a vida e depois negociar, cada um perante a sua família de origem – sempre com carinho, respeito e consideração –, os limites necessários.

Iolanda traz um conselho para as sogras que desejam cultivar um bom relacionamento com suas noras: “Devem procurar ver sempre as qualidades delas, porque somos todos cheios de imperfeições. Eu tento me colocar no lugar delas. Assim, tenho a certeza de que consigo ver melhor e ajudar nosso relacionamento”, conta.

Precisamos buscar, antes de tudo, ter empatia e respeito pelo lugar do outro. A sogra pela nora, que muitas vezes está no mesmo lugar em que ela já esteve no passado; e a nora pela sogra, que precisará reinventar a relação cultivada por anos com o filho. Exercitar a afetividade nas discordâncias, assim, é muito importante para que se consiga dialogar de maneira franca e sem julgamentos.

É essa também a dica de Milena para que sogras e noras encontrem o equilíbrio e estabeleçam uma relação saudável: “O segredo da boa convivência é termos respeito pela história de vida de cada um, pois cada um é como é e dá o melhor que tem. Precisamos entender a dor do outro, pois algumas pessoas precisam de mais apoio do que outras”.

Quando as duas mulheres percebem que não precisam competir, a relação se torna edificante para todos. Uma sogra passou por tudo o que a nora passou e tem muita experiência para lhe passar, quando isso é feito com respeito; já a nora, poderá ser mais uma presença na vida da sogra, e, com o seu filho, lhe acolherá nos momentos difíceis. Todos têm apenas a ganhar.

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